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Resíduos plásticos – Os resíduos plásticos industriais, tais como aparas, rebarbas, sobras e matérias-primas fora de especificação, são comercializados com extrema facilidade. Considerados materiais “nobres”, não estão misturados a outros resíduos e não necessitam de etapas de separação e lavagem. Pertencem a um grupo de resíduos dificilmente descartados e que, não raras vezes, sequer saem das empresas transformadoras, sendo reutilizados nas atividades produtivas.
Investidores interessados em ingressar no negócio da reciclagem mecânica de plásticos devem considerar que o mercado de resíduos industriais tem demanda muito superior à oferta, portanto, poderão enfrentar dificuldades na obtenção deste tipo de material.
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Dificuldades da reciclagem mecânica |
- A maior parte dos plásticos pós-consumo é comprada suja (contaminada por resíduos orgânicos), pois poucos municípios possuem coleta seletiva, o que onera custos e, muitas vezes, até torna inviável essa forma de reciclagem.
- Há variação considerável no preço de compra dos materiais a depender, entre outros fatores, da disponibilidade e origem do material.
- Falta de fornecimento contínuo e homogêneo de matéria-prima, outro reflexo da inexistência de sistemas de coleta seletiva.
- A grande maioria dos catadores nunca foi treinada e seus conhecimentos sobre o assunto são adquiridos na prática do dia a dia.
- Existência de intermediários, o que eleva consideravelmente o preço do plástico a ser reciclado.
- Ausência de linhas de financiamento direcionadas às recicladoras.
- Ausência do código de identificação das resinas em muitos produtos plásticos de acordo com a norma ABNT NBR 13.230. Este item dificulta a separação dos diferentes tipos de plásticos, recorrendo-se, dessa forma, às diferenças das características físicas e de degradação térmica, tais como: densidade, comportamento ao calor e/ou teste da chama. Existe tecnologia para separação dos plásticos, porém, com custo muito elevado. É importante salientar que o PET e o PVC não aceitam misturas. Portanto, aqueles que desejam se dedicar à revalorização destas resinas devem ter unidades para uso específico das mesmas.
- Tão importantes e decisivos quanto à coleta seletiva para a tornar viável a reciclagem de quantidades significativas de plásticos são: a criação de mercado consumidor para os produtos reciclados, e o IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados – que acaba “bi-tributando” os reciclados, sendo atualmente de 12%, valor superior ao da própria resina virgem que paga 10% de IPI, resultando praticamente num desestímulo à reciclagem.
- Embora as pessoas estejam predispostas a serem consumidores conscientes e a colaborar com o meio ambiente, as mesmas rejeitam de forma geral produtos reciclados, associando-os a má qualidade. São poucos os produtos fabricados com plásticos reciclados cujo marketing se basea nessa característica.
Apesar de todas as dificuldades anteriormente expostas, existem inúmeros casos de recicladores de plásticos pós-consumo que começaram de forma tímida e hoje operam com boas margens de lucro. Além da persistência, pois o começo, obviamente, é difícil para todos. Outro fator determinante para o sucesso de alguns deles, foi a criatividade para atuar de forma diferenciada, tanto no sistema de obtenção da matéria-prima, quanto no aprimoramento dos fornecedores, ou no tipo de aplicação inovadora para seus produtos. Muitas vezes descarta-se quantidade considerável de matéria-prima, que poderia ser reciclada sem grandes dificuldades, pois não há “solução ou aplicação criativa” para o material.
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Resíduos plásticos pós-consumo – ao contrário dos industriais, tem oferta maior. Por outro lado, o principal gargalo para os recicladores é a obtenção da matéria-prima, já que a maioria das prefeituras não pratica a coleta seletiva e nem possui centrais de triagem de materiais recicláveis, onde os plásticos pós-consumo poderiam ser obtidos.
Para contornar o problema, uma saída seria a realização de acordos de compra com associações de bairro, cooperativas e outras entidades que congreguem catadores, como forma de garantir o fornecimento de quantidades mínimas de plásticos a serem reciclados. A distância entre o fornecedor de matéria-prima do mercado consumidor dos plásticos reciclados é outro item a ser considerado, pois pode tornar economicamente inviável, a reciclagem dos plásticos pós-consumo. Para transpor esse obstáculo, o ideal é que os materiais cheguem à reciclagem prensados ou já moídos.
Características do mercado – Entre os plásticos reciclados por um maior número de recicladores estão o PEBD, PEAD e o PP.
Praticamente metade dos recicladores reciclam de 20 até 50 toneladas/mês. Poucos superam a faixa de 100 t./mês.
Entre as principais aplicações dos plásticos reciclados estão as utilidades domésticas (vassouras, baldes, mangueiras, regadores etc.), sacolas e sacos de lixo.
Os preços dos plásticos pós consumo para reciclagem variam de região para região do País dependendo da oferta, das condições (sujo ou limpo, solto ou enfardado) e da origem (sucateiros, coleta seletiva, catadores, unidades de triagem).
Embora muitos recicladores comercializem plástico reciclado na forma de granulado, a maioria deles vai até a transformação do produto final.
O plástico e o meio ambiente – Por serem extremamente empregados em diferentes setores industriais, os plásticos são muito visíveis. Mas devido a ausência de um sistema eficiente de coleta e limpeza pública ou a falta de educação/conscientização da população, os plásticos aparecem também em locais impróprios, como praças, rios, mares. É um copinho de água atirado pela janela do carro, uma embalagem de salgadinho jogada inadvertidamente ali e, assim, com pequenas atitudes como essas surge a poluição visual.
Curiosamente, a própria população imputa aos plásticos a responsabilidade de estarem jogados em locais inadequados, o que contribui para uma imagem incorreta do material.
Com sistemas eficientes de limpeza urbana, ampliação da coleta seletiva no País e a conscientização da população sobre o significado de seus pequenos gestos, pode-se criar uma cadeia produtiva da indústria da reciclagem, gerar renda, beneficiar pessoas com empregos e deixar nossas cidades mais limpas, já que o plástico é inerte ao meio ambiente.
Obviamente estas considerações não esgotam o assunto da reciclagem, até porque o tema pode ser abordado sobre diferentes enfoques. Espero, porém, ter oferecido alguns elementos para reflexão, do ponto de vista técnico, econômico, social e ambiental.
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