MOLDES GAÚCHOS CRIAM COOPERATIVA VIRTUAL

Motivadas por um programa do governo federal, que irá financiar 40 mil máquinas e 80 mil moldes até 2008, nove empresas da região de Caxias do Sul-RG criaram a Virfebras, sigla da Organização Virtual das Ferramentarias do Brasil. Trata-se de uma espécie de cooperativa, ainda em fase de regulamentação, cujo objetivo é aglutinar forças para aumentar a participação dos associados no mercado interno e buscar com maior agressividade o mercado exterior.

“Nós estamos saltando na frente, buscando as novas tecnologias na fabricação de moldes”, assinala o empresário Guiovane Maria da Silva, proprietário da Sildre, uma das afiliadas à Virfebras. “A indústria da nossa região é responsável pelos melhores moldes feitos no Brasil. 
Temos aqui a presença de consultorias importantes como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de Caxias do Sul (UCS), a Sociedade Fraunhofer, da Alemanha, que trabalha para pesos pesados da economia mundial como a Mercedes Benz e Mannesmann e a Escola Técnica de Farroupilha que forma a mão-de-obra”, assegura Guiovane.
Carlos A. Silva
Silva: associação permitirá atender aos grandes pedidos

Ele revela que as nove ferramentarias se reuniram na Virfebras porque não querem mais ficar sozinhas. “Assim somos pequenos. Agora podemos atender a pedidos maiores em grandes volumes, montando moldes de todos os tamanhos. Isso porque a organização funciona como uma grande empresa, dividida em diversas partes. Só que cada parte da grande empresa é, na realidade, uma pequena firma onde cada uma responde por uma parte do projeto”, detalha o cooperado. O resultado é que a partir de agora as nove empresas reunidas na Virfebras começaram a receber um volume maior de encomendas dos transformadores de artefatos plásticos de alta tecnologia, como a indústria de autopeças e começaram a produzir no Brasil alguns modelos de ferramentas de corte e matrizes e de corte progressivo, antes fabricados apenas na Itália. 

Outra vantagem da Virfebras é proporcionar a troca de informações sobre novos processos e tecnologias, comportamento da economia, possibilidades de novos mercados e as alternativas para melhorar a mão-de-obra. Hoje, a região de Caxias do Sul produz 30% dos moldes e matrizes consumidos no Brasil e 70% do material absorvido no Rio Grande do Sul, correspondendo a um faturamento de R$ 50 milhões por ano. As nove empresas reunidas na Virfebras respondem por um faturamento de R$ 15 milhões/ano. 

A questão central para Guiovane é a necessidade de a ferramentaria ser encarada no Brasil como um negócio lucrativo. Ele explica que há mercado reprimido, porque a mão-de-obra qualificada é insuficiente para absorver a necessidade de demanda. “Esse é um problema que precisamos resolver com urgência”, adverte.

Os investimentos em RH são fundamentais. De acordo com o empresário, a Virfebras tem consciência de que está implantada em um dos principais centros de excelência na fabricação de moldes do país, mas precisa aproveitar o seu potencial e corrigir falhas, entre as quais a carência de mão-de-obra qualificada. Para Guiovane, o Brasil só não tem destaque ainda maior na fabricação de moldes porque faltam justamente os recursos humanos para aumentar a produção.

A intenção da Virfebras é expandir o conceito e abrir a organização ao conjunto dos fabricantes de moldes do nordeste gaúcho. No entendimento de Guiovane, o objetivo do projeto é justamente reunir num futuro próximo as cem matrizarias da região de Caxias do Sul na Virfebras. Guiovane Maria da Silva calcula existir hoje no Brasil aproximadamente 300 fundições especializadas em moldes industriais. “Somos um terço de todo o setor nacional e estamos galgando agora o mercado internacional”, aposta o empresário. No curto prazo, a Virfebras quer alçar vôos na Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile, países que já importam alguma coisa do segmento de moldes do Brasil.

Fernando de Castro

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