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NOVA FIBRA DE VIDRO REFORÇA POLIAMIDAS
A Saint-Gobain Vetrotex apresentou ao mercado nacional a nova geração de fibra de vidro para reforço de poliamidas (PA), código EC 10 4,5 983 – fio picado fabricado com vidro tipo E em processo contínuo, com 4,5 mm de comprimento e 10 µm de diâmetro nominal. Lançamento mundial, em uso na Europa e Estados Unidos há aproximadamente 6 meses, o produto já foi homologado junto às principais componedoras no exterior, tais como Du Pont, Rhodia, GE, Radici e Bayer, e respondeu por 60% das vendas da empresa na Europa no primeiro semestre do ano.
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O novo fio chega, segundo o fabricante, para transpor as limitações técnicas dos atuais grades P335 (standard) e 955, principalmente em relação a má interação com agentes desmoldantes. “Não apresenta perdas mecânicas em formulações com estearatos”, afirmou o gerente comercial para a América do Sul Ricardo Barrieu no evento de lançamento, promovido na sede da Vetrotex, em São Paulo, no dia 20 de setembro.
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| Cuca Jorge |
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| Barrieu: sem perdas com estearatos |
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Segundo o fabricante, o 983 destina-se à fabricação, por extrusão, de granulados de poliamida reforçada, tendo suas características de processamento aprimoradas, tais como elevada integridade dos fios, pequena quantidade de fios finos, ótima fluidez, fácil dispersão e baixa absorção de torque na extrusora, garantindo vazão mais alta e menor viscosidade, além de compostos com alto conteúdo de vidro sem paradas na produção. Barrieu ressaltou ainda as características mecânicas desenvolvidas de acordo com as especificações das normas ISO (ASTM). “Apresenta ótima resistência à tensão, ao impacto e hidrolítica”, afirmou.
Enfocou também os avanços obtidos em relação à coloração: “Produz peças coloridas com menor influência do amarelo, ou seja, garante cores mais claras no produto final quando comparada ao fio 955.” Porém, sem superar os resultados da fibra standard, P335, nesse aspecto e também em relação ao acabamento superficial. O grade 955, lançado na década de 90, surgiu para atender o avanço do mercado de PA em peças sob o capô, em especial as carcaças de radiadores, pois oferece resistência ao envelhecimento térmico em soluções de MEG, além de melhores propriedades mecânicas. Mas, não atende a todas as aplicações, sendo usado num universo mais restrito.
Sendo assim, a empresa passou a fabricar dois tipos de fios para atender a todo o segmento de PA. Com passar dos anos, o 955 também apresentou limitações devido aos avanços de processamento, com extrusoras de alto torque e vazão que surgiram no mercado. “O 983 foi desenvolvido para suprimir as desvantagens dos produtos anteriores e tornar-se gradativamente o único contra-tipo para reforço de poliamida”, explica Barrieu. O produto será comercializado em sacos de 25 kg.
A linha de reforços para termoplástico com produção local inclui o grade 986 para polipropileno (PP). Para termofixos, possui mais de 30 formulações diferentes fornecidos em roving, roving direto, mantas, tecidos e fios picados. Para outros plásticos de engenharia de alta performance, oferece grades importados. “Todos podem ser produzidos no Brasil caso haja demanda.”
Novo forno — Embora a produção nacional da Saint-Gobain Vetrotex esteja paralisada desde agosto, devido à reconstrução do forno na fábrica de Capivari-SP, a empresa tem fornecido a nova geração de fios para testes e homologações. “Produzimos o material antes da parada programada para manter o estoque local. Trabalhamos no desenvolvimento da nova geração de fios no Brasil desde o início do ano”, diz Barrieu. Quando a produção da empresa for retomada, em 30 de outubro, os três tipos serão produzidos. Porém, até abril de 2002, os antigos grades serão descontinuados.” Com relação ao preço, a empresa garante manter o mesmo valor. “Não haverá incremento apesar do custo superior.”
A parada também não prejudicou o abastecimento de fibras para outros mercados, como o de termofixos, aplicação de maior volume responsável pelo consumo de pelo menos 70% do total produzido. “Nos preparamos para parar e manter o fornecimento”, afirmou o diretor da empresa André Paes Leme Canguçu. Instalada no País desde 1992, a Saint-Gobain Vetrotex investiu US$ 26 milhões na reconstrução do forno e na atualização tecnológica de produção da fibra de vidro. A obra resultará na duplicação da capacidade produtiva. “Nos preparamos para os próximos dez anos”, avalia, sem revelar os números da ampliação e as estimativas de mercado.
Canguçu admite, no entanto, a intenção de ampliar a participação da empresa no Brasil que disputa o mercado com outro produtor local, a Owens Corning, de Rio Claro-SP. Segundo ele, a capacidade produtiva do antigo forno limitava a expansão. “O investimento demonstra a confiança da empresa no mercado local e na competitividade do produto brasileiro.” A fábrica de Capivari, responsável pelo abastecimento da América do Sul, passou a atender também o México, suprido até então pela planta americana. “As exportações fazem parte do dia-a-dia da fábrica, porém o mercado brasileiro por si só justifica o investimento efetuado.” A Saint-Gobain Vetrotex estima a demanda nacional de fibra de vidro em 30 mil toneladas/ano.
Simone Ferro
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