Vendas caem depois de ensaiar recuperação

Igualar os resultados comerciais aos de 2000 é a meta para este ano. Os fabricantes apostam na troca de máquinas obsoletas por modelos mais econômicos

SIMONE FERRO

Depois de iniciar 2001 com as vendas aquecidas, encerrar o período com os mesmos resultados comerciais do ano anterior já seria um excelente negócio, dizem os fabricantes de sopradoras. Tudo indica, no entanto, que o mercado ficará abaixo da meta em no mínimo 10%, revelam as estimativas do gerente nacional de vendas da Bekum e vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMAIP), vinculada à Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Fernando Moraes.
Os primeiros sinais da retração começaram entre junho e julho em decorrência principalmente do racionamento de energia elétrica. Nada, porém, capaz de equiparar a situação à crise vivida pelo setor desde 1996 até 1999, quando foram registrados os piores resultados da história, inclusive em relação às exportações. Pelos cálculos do gerente de marketing e vendas da Pavan Zanetti, de Americana-SP, Newton Zanetti, o volume de máquinas comercializadas caiu em torno de 35% naquele período.
Cuca Jorge
Zanetti: “o ano começou com tendência de alta”

Para reverter a situação, os fabricantes apostam na substituição de equipamentos obsoletos por modelos com reduzido consumo de energia. A recuperação iniciada no ano passado igualou as vendas aos índices alcançados em 1995. “Em 1999 o setor chegou ao fundo do poço”, comenta Zanetti. A reação, no entanto, não atingiu as exportações, em maior volume para a Argentina, maior consumidor das máquinas brasileiras, cujas restrições se acentuaram com a crise econômica daquele país.

A Pavan Zanetti em geral destina 20% da produção para as exportações, mas tem mantido as vendas externas estagnadas em 10%. “A Argentina é o principal mercado para as sopradoras brasileiras”, confirma Zanetti. Embora não existam estatísticas disponíveis, estima-se o mercado atual de sopradoras em bem próximo das 200 unidades/ano, excluindo os modelos para o processamento de polietileno tereftalato (PET), números esses que já foram superiores a 300 máquinas/ano.

Entre os fabricantes nacionais de equipamentos de sopro por extrusão contínua destacam-se a Bekum, SIG, Tecnoinjet, Pavan Zanetti, J.A.C., Brastec (antiga A&R) e Deutec, entre outras de menor porte. Disputam o mercado ainda companhias estrangeiras com subsidiária ou representação comercial no País. Com cerca de 1.800 sopradoras vendidas no País, a Pavan Zanetti figura entre os três maiores fabricantes nacionais. A indústria sediada no interior de São Paulo registrou 22% de queda nas vendas já no primeiro semestre deste ano.

Entre os mercados que mais se destacaram no ano passado, Zanetti cita o de água mineral, sucos, higiene e limpeza e de produtos farmacêuticos. “O ano começou aquecido com tendência de alta, porém o volume de vendas seguramente cairá.” A empresa fabrica três séries de máquinas: a linha HDL, de sopro por baixo (cabeça perdida) e extrusão contínua, para frascos de até 5 litros, e de acumulação, para frascos de 10 a 200 l; a linha Bimatic (sopro por cima), de extrusão contínua, para até 6 litros; e a HMS, até 10 litros; além de dois modelos de injetoras. Na última Brasilplast, a Pavan Zanetti apresentou nova versão da série Bimatic: o modelo BMT 3.6D equipado com duas extrusoras (60 e 50 mm), para sopro de frascos em duas camadas, e o BMT 6.0S, com estação para sopro de frascos monocamadas até 6 litros (Ver PM nº 317, de fevereiro de 2001, pág. 128).

De acordo com o gerente nacional de vendas da Bekum Fernando Moraes, o ano também começou bem, mas logo no início do segundo semestre já apresentou sinais de retração, ameaçando por em risco a meta de repetir o resultado alcançado no ano passado, quando a empresa colocou no mercado 52 máquinas. “Não dá para fazer projeções”, avalia. Em geral, a Bekum exporta 25% da produção para a América do Sul e Ásia.

O mais recente lançamento da empresa, a sopradora BM 704 DS de extrusão contínua, foi apresentado na Brasilplast. A máquina, projetada para altas produções (ciclos de 8,7 segundos), comporta até 16 cavidades de 500 ml, tendo como principal alvo as embalagens para produtos de limpeza.

PP biorientado – Além das linhas de extrusão contínua, a Bekum atua nos segmentos de acumulação e estiramento-sopro para PET e polipropileno (PP), mediante importação de máquinas da matriz alemã. No 11º Simpósio sobre Tecnologia de Plásticos Brasil-Alemanha, realizado em 15 e 16 de agosto, em São Paulo, a empresa divulgou a tecnologia de sopro para PP biorientado. O processo, desenvolvido em dois estágios (injeção de pré-forma e sopro com estiramento), foi apresentado pela primeira vez na K´92, em Düsseldorf, Alemanha, sendo, desde então, testado em alguns países como substituto do PET e do policloreto de vinila (PVC) para o envase de água sem gás, entre outras aplicações, incluindo potes de boca larga.

De acordo com Moraes, trata-se de um mercado em potencial também no Brasil em razão da oferta e preço do PP, ambos mais atraentes quando comparados aos do PET. Além disso, o processo permite transformar preforma leitosa em frasco transparente biorientado, devido à morfologia semi-cristalina do PP, característica nova para produtos moldados com esse tipo de resina. “A sopradora modelo RBU processa preformas de PET e PP na mesma instalação de maneira econômica”, afirmou o gerente de produção para novas tecnologias da Bekum alemã, Hartmut Heyn.
Cuca Jorge
Moraes não arrisca novas projeções

 

Cuca Jorge
Nova série Bimatic foi apresentada na Brasilplast’2001
Em sua palestra, Heyn explicou a necessidade de alterar apenas os parâmetros de temperatura para reverter a produção de uma resina para outra. Ressaltou ainda a redução no consumo de ar comprimido no processamento de PP. “A temperatura de estiramento mais favorável para o PP necessita de uma pressão de sopro entre 18 e 25 bar, enquanto o PET demanda de 25 a 40 bar.”

 

Entre as características da máquina, citou o amplo espectro de produção ao soprar frascos desde 200 até 5 mil ml, o sistema de programação de preformas e a capacidade para altas produções. “Com quatro cavidades, a -445 produz até 3.600 frascos de PP/hora e até 4.300 frascos de PET/hora.” De acordo com o fabricante, a hidráulica proporcional para os principais movimentos reduz os tempos mortos e garante ciclos abaixo de 4 segundos para o PP. A máquina é dotada ainda de comando por microcomputador que permite armazenar parâmetros específicos para cada artigo, garantindo a repetibilidade no início da produção, e controle de temperatura da superfície das preformas que faz a compensação automática em caso de alteração da temperatura do ambiente.
Divulgação
Na RBU, preformas de PP viram frascos transparentes

 

Segundo Heyn, o PP biorientado está sendo testado em embalagens para produtos farmacêuticos, cosméticos, laticínios e água sem gás, entre outros itens na Europa, Coréia, Paquistão e Colômbia. Para exemplificar, expôs frascos de água mineral produzidos na Colômbia para o engarrafador Brisa. De acordo com ele, os frascos podem ser utilizados para enchimento a quente (até perto dos 90 ºC) e uma série de processos de esterilização e pasteurização devido a seu alto grau de rigidez em temperatura elevadas. “Torna-se necessário, no entanto, observar os requisitos especiais de design de preforma e do artigo final para minimizar tensões”, explica. Entre as características do produto final, citou a relação favorável entre resistência e espessura de parede que permite a fabricação de frascos de baixo peso.
Cuca Jorge

 

Cuca Jorge
Lopes quer vender 30 sopradoras este ano
Lançamento – Depois de assumir a fabricação das sopradoras Exact Line em maio do ano passado, pela saída da Semeraro do mercado, a Tecnoinjet, de São Paulo, reconhecida pela sua atuação em retroffiting, investiu em nova série de máquinas. Na Brasilplast, apresentou Tecnoblow 6D, modelo de dupla estação para frascos desde 0,11 até 10 litros. “A aceitação foi excelente”, confirma o diretor comercial Antonio M. S. P. Lopes. Para aproveitar a boa maré, a empresa anuncia o lançamento do modelo com mesa simples, a Tecnoblow 6S, para outubro.

A nova série é dotada de sistema de retirada de frascos com pinça superior pneumática e de garras para a retirada do soprado da máscara de rebarbação. O sistema de fechamento, montado sobre guias lineares horizontais, proporciona baixíssimo coeficiente de atrito e aumenta a vida útil do equipamento. Seus movimentos de deslocamento, abertura e fechamento são controlados por válvula hidráulica proporcional. A lubrificação automática é centralizada e o controle de espessura de parison é feito em 152 pontos. Além disso, a Tecnoblow 6S armazena 20 diferentes conjuntos de parâmetros para a produção de diversos tipos de frascos. O acionamento da extrusora é alimentado por motor de corrente alternada e inversor de freqüência. A nova máquina possui sistema de supervisão dos movimentos; além de força de fechamento de 8,5 toneladas, rebarbação automática dos frascos na máquina e saída lateral (posição vertical) por meio de unidade de retirada e esteira transportadora. Segundo Lopes, o equipamento possui capacidade de plastificação de até 190 kg/hora de polietileno de alta densidade e velocidade de produção de 400 ciclos/hora.

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