Joinville – Segundo o presidente do Sindicato Patronal da Indústria Mecânica de Joinville e Região (Sindimec) Marcos Stolf o pólo concentra mais de cem ferramentarias de diversos portes e capacidades, atuando no segmento de moldes plásticos de até 10 t. São empresas com média de 20 funcionários que geram aproximadamente dois mil empregos diretos. Caracterizam-se ainda pela falta de especialização, pois atuam em outros mercados, como metal, fundição etc. No total, o Sindimec, que congrega a indústria de transformação mecânica, incluindo as ferramentarias, estima a geração de 10 mil empregos diretos na categoria da base sindical, com faturamentos oscilando entre R$ 30 mil a R$ 1 milhão por mês.

Embora as ferramentarias da região atendam a clientes de todos os segmentos, o pólo tornou-se bastante conhecido pela sua excelência no atendimento aos moldes da construção civil, linha branca e autopeças. “Grande parte da produção segue para São Paulo e Curitiba”, afirma Stolf. O estado, no entanto, abriga clientes importantes, principalmente da construção civil.

Características que, além de atrair investimentos estrangeiros, a exemplo das ferramentarias portuguesas que se instalaram na região (vem PM, edição nº 318, de março de 2001, pág.50), gera expectativas em relação ao fortalecimento dos aglomerados (concentração de empresas interrelacionadas). A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) já manifestou o interesse em auxiliar o desenvolvimento do setor, visando inclusive a captação de recursos junto ao BNDES.

Empresas investem para exportar mais

No último ano, a Miranda Indústria Ltda., fabricante de porta-moldes com sede em Suzano-SP, investiu US$ 1 milhão na modernização do parque industrial. Comprou centros de usinagem CNC e todos os ferramentais para operar o sistema. Além de reforçar a atuação no mercado interno, a empresa, fundada em 1953, prepara-se para desenvolver as exportações de componentes para porta-moldes (colunas, buchas e outros itens), principalmente para a América Latina e México.
Capacitada para fabricar porta-moldes de 150 mm x 150 mm até 490 mm x 650 mm, a Miranda mantém 98% dos itens padronizados em estoque. “Reduzimos o prazo de entrega para no máximo cindo dias úteis”, afirma o gerente comercial Amaury Alves.
Cuca Jorge
Alves: “reduzimos o prazo de entrega”

 

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Fix ampliou a linha de produção
A Polimold, de São Bernardo do Campo-SP, que nos últimos anos reforçou as exportações de porta-moldes, manifolds e sistemas de câmara quente para os Estados Unidos, Austrália, Hong Kong, Taiwan, Cingapura, Espanha, Portugal e Argentina, entre outros países, também pretende ampliar a atuação no mercado mexicano. “Estive recentemente naquele País e detectei grande carência no segmento de moldes e porta-moldes”, avalia o diretor da empresa Alexandre Fix. Segundo ele, 10% da produção da Polimold segue para o mercado externo.

A empresa anunciou recentemente a ampliação da sua linha de componentes e acessórios para porta-moldes, ferramentaria e injeção. São centralizadores, travas de gaveta, parafuso articulável e placa para isolamento térmico (para uso na injetora). O novo catálogo de acessórios e componentes, com os lançamentos de linha completa de acessórios e equipamentos para polimento e desbaste, estará disponível a partir de agosto.

Grande porte – O mercado nacional enfrenta ainda outras restrições. Estima-se que algo em torno de 75% da demanda nacional de ferramentas de grande porte e maior valor agregado sejam fabricadas no exterior, principalmente na Alemanha, Itália, Espanha e Canadá. Outro dado relevante refere-se ao fato de a maior parte das empresas transformadoras com injetoras de até 2.500 t de força de fechamento operarem com moldes importados.

Com poucas empresas capacitadas para confeccionar moldes com mais de 20 t, entre elas a CM (ex-Promold) e as ferramentarias das montadoras General Motors (GM) e Volkswagen, o Brasil tornou-se grande importador de moldes. Até mesmo as companhias estrangeiras, que já há alguns anos começaram a se instalar no País, como noticiou a edição de agosto de 1998 de Plástico Moderno, ainda não debutaram nesse segmento.

Cuca Jorge
Amaral: capacidade foi incrementada
Pioneira, a CM, de Diadema-SP, fez o primeiro molde de pára-choque em 1989 para o Tempra, da Fiat. A empresa que pertence ao grupo italiano Strocchi há dois anos, do qual também faz parte a Comec do Brasil, com sede em Betim-MG, capacitou-se desde então para executar todas as etapas de confecção, desde o projeto elaborado em 3D com sistemas de CAD (computer aided design) ao processamento em máquinas CNC. “Temos condições de fabricar seis moldes de pára-choque e dois de painel de instrumentos por ano”, informa o diretor técnico Osmar do Amaral.

 

A produção será incrementada com a chegada no segundo semestre de duas novas copiadoras CNC, cujos investimentos ultrapassaram US$ 1 milhão. Outro recurso adotado pela CM para aumentar a sua capacidade tem sido, já há alguns anos, o repasse de pequenos serviços a ferramentarias homologadas, principalmente da região Sul. A empresa inovou ainda ao introduzir no mercado nacional os contratos de manutenção de moldes. “Já firmamos três parcerias e aguardamos novos negócios para breve”, afirma o diretor industrial, Giuseppe Mappelli.
Cuca Jorge
Mappelli: pioneirismo em moldes grandes

Entre os trabalhos desenvolvidos pela empresa nos últimos anos destacam-se o do Pálio (Fiat), cujos moldes foram inclusive exportados para a Argentina e Turquia, e, mais recentemente, o do Honda Civic 2001, primeiro projeto da montadora japonesa desenvolvido com ferramentas de grande porte fabricadas no Brasil. “A CM trabalha atualmente nos moldes do pára-choque dianteiro, do painel de instrumentos e grades do Dobló, novo modelo da Fiat”, conta Mappelli.

Montadora — Há quatro anos a ferramentaria da Volkswagen, de São Bernardo do Campo-SP, aceitou o desafio de confeccionar o molde do pára-choque da segunda geração do Gol. A próxima missão é o painel de instrumentos. Fabricar internamente foi a opção encontrada pela montadora para substituir as importações, face à dificuldade de homologar parceiros nacionais. “A iniciativa visou ainda a manutenção da qualidade das peças de superfície externa e do sigilo industrial”, afirma o gerente da ferramentaria Wagner de Souza. Ferramentas de menor porte, no entanto, são terceirizadas.

Uma das maiores e mais completas do Brasil, a ferramentaria da Volkswagen possui ponte rolante com capacidade para 50 t e 13 copiadoras CNC de grande e médio portes, entre outros equipamentos, no total de 52 máquinas. “Emprega 200 profissionais só para o segmento de plástico, incluindo processos auxiliares, como eletroerosão”, informa Souza. Segundo ele, no último ano, o departamento recebeu investimentos da ordem de US$ 7 milhões para a compra de maquinário, incluindo copiadoras de alta velocidade. “Somos pioneiros no uso desse tipo de equipamento no Brasil”, afirma Souza. A verba contemplou ainda outros departamentos da ferramentaria que, além de moldes para o processamento de plástico, fabrica matrizes para a injeção de liga leve, estampos, dispositivos de solda e controle etc.

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