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Setor tem tecnologia de ponta e preço
coreano
Para aumentar as exportações e crescer no mercado local, as ferramentarias nacionais adotam
novas estratégias comerciais e de produção
SIMONE FERRO
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Estima-se a existência de aproximadamente 1.200 fabricantes de moldes para o processamento de plástico no Brasil concentrados, em sua maioria, em três pólos: São Paulo, Joinville-SC e Caxias do Sul-RS. Os números globais do setor, no entanto, ainda foram pouco estudados. Entidades representantes do segmento, fundações que analisam indicadores econômicos ou órgãos do governo não possuem estatísticas a respeito dessa indústria. Na tentativa de iniciar esse mapeamento e apontar alternativas capazes de gerar maior competitividade, a Maxiquim Assessoria de Mercado, a pedido do Instituto Nacional do Plástico (INP), Sebrae-SP e Fiesp, realizou extensa pesquisa, concluída no ano passado, cujos resultados constam da Radiografia Nacional da Indústria de Moldes e Ferramentas para a Transformação de Plástico.
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| Cuca Jorge |
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| Segmento de autopeças exige projetos de alta tecnologia |
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| Cuca Jorge |
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| Miquelin ressalta parceria com INP |
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Embora a falta de dados históricos e a estrutura operacional dessas indústrias, marcada pela centralização das atividades, tenham dificultado o estudo, os dados obtidos passam a servir de base para trabalhos futuros e intensificam discussões sobre a necessidade de gerar informações setoriais e criar projetos efetivos visando a capacitação do setor. “É um ponto de partida”, afirma o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e diretor da Jacinto Zimbardi, de Guarulhos-SP, Cláudio Luiz Miquelin.
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O empresário ressalta ainda a parceria com o INP. “O presidente da entidade Merheg Cachum iniciou programa de visita às ferramentarias, a fim de buscar soluções conjuntas para promover o desenvolvimento do setor”, afirma. Cita também ações desenvolvidas em outras instituições, como a Fiesp, na qual atua como diretor da área de crédito. “Analisamos as linhas de financiamento disponíveis a fim de detectarmos eventuais gargalos e falhas que possam ser corrigidas, facilitando o acesso das indústrias de moldes às linha de crédito.”
Esse é, na verdade, um dos pontos críticos apontados na pesquisa. Segundo o texto, mesmo nos momentos favoráveis ao investimento em maquinário, visando a concorrência com produtos importados e o aumento das exportações, as ferramentarias encontram pouco respaldo em bancos e instituições de fomento.
De acordo com a pesquisa, o setor, com valor de produção (VP) estimado em US$ 531 milhões em 1999, apresenta grau de abertura para as importações de 40%. Apesar de contar com um VP 56% superior ao de Portugal, a indústria brasileira exportou em 1997 cerca de US$ 15 milhões, ou seja, 7% das vendas externas daquele país. Considerando a limitação da análise, pode-se afirmar que o Brasil ainda é um grande importador de moldes, principalmente os de maior porte, além de exportar pequena parcela de sua produção, gerando expressivo déficit na balança comercial.
O segmento de embalagens sopradas e injetadas (frascos e tampas) também apresentou considerável índice de importação de moldes da Itália, Portugal, Estados Unidos, Japão e Canadá. Dentro desse contexto, o trabalho traçou diretrizes importantes para o desenvolvimento sustentado da indústria de moldes, como a criação de rede ou aglomerado (cluster) por intermédio de um Pólo de Apoio à Difusão Tecnológica no Segmento Plástico, proposto pela Secretária de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo; e a parceira com escolas técnicas e universidades, visando a capacitação tecnológica. Enquanto as grandes idéias permanecem no papel, iniciativas isoladas demonstram na prática as possibilidades de evolução desse importante setor industrial.
Consórcio — Com base na experiência portuguesa e visando promover as exportações de moldes brasileiros, cinco ferramentarias da região de Joinville-SC (Perfilmold, Tool Machine, Ferramentaria JN, Vama Industrial e Winter Industrial) se uniram para formar o Consórcio de Exportação de Moldes (Moldexport), em operação desde fevereiro de 2000, sob o gerenciamento da Fintrade, empresa especializada em marketing internacional.
A associação segue o modelo administrativo desenvolvido na Itália há mais de 50 anos, no pós-guerra. Já as estratégias operacionais baseiam-se na experiência de Marinha Grande, em Portugal, reconhecido pólo exportador de moldes. “O país exporta aproximadamente 97% da produção, isso o torna grande conhecedor do mercado internacional”, avalia o diretor da Moldexport, Victor Albert Batista da Silva.
Tradicional no ramo, Portugal criou modelo de operações de reconhecida eficiência. Unidas, as ferramentarias distribuem tarefas entre si, formando especialistas em cada etapa de confecção dos moldes. Empresa pré-determinada coordena a produção, sendo responsável ainda pela interface com o cliente. Segundo a pesquisa da Maxiquim, existem em Portugal empresas que fabricam mais de 500 moldes por ano por intermédio da subcontratação de até 70 fornecedores.
O fato de poucas empresas no Brasil terceirizarem os serviços mais simples e padronizados, além da baixa utilização de ferramentas computacionais, influenciam decisivamente no prazo de entrega dos moldes, outro fator considerado crítico pelos transformadores.
A constatação de que o Brasil consegue fornecer moldes de qualidade com preços próximos aos dos coreanos fez com que as ferramentarias de Joinville vislumbrassem o mercado externo, em especial Estados Unidos, Europa, Turquia e Israel. Responsável pela divulgação e vendas, o Moldexport repassa o pedido aos consorciados seguindo critérios que vão desde a especialidade da empresa e a capacitação técnica (porte da ferramenta) até a carga de horas de trabalho (prazo de entrega) e indicação do cliente.
A produção fica a cargo da empresa selecionada, responsável inclusive pela exportação da ferramenta, com o apoio comercial da Moldexport. Com as atividades ainda em fase embrionária, o consórcio vendeu dois moldes de 2 toneladas para os Estados Unidos e Porto Rico. “Foi um teste para os clientes, que já fizeram novas cotações, avaliarem a qualidade das ferramentas e a confiabilidade das operações”, afirma Silva.
Em abril deste ano, projeto desenvolvido pelo consórcio recebeu o aval financeiro do governo federal, por intermédio da Agência de Promoção de Exportação (Apex). Em maio, foi liberada a 1a parcela, de R$ 30 mil, dos R$ 450 mil já aprovados. “O projeto, estimado em R$ 1 milhão, contará com 45% dos recursos provenientes da Apex e 55% das empresas consorciadas”, informa Silva.
Segundo ele, a verba, dividida em nove parcelas de acordo com o fluxo de caixa, contempla iniciativas que visam melhorar a capacidade de exportação, além de alavancar novos negócios.
As ações previstas incluem o intercâmbio com centros de pesquisa e tecnologia de Marinha Grande e outros pólos, além da certificação dos consorciados pela ISO 9000, visitas a clientes no Exterior, remodelação do site (www.moldexport.com.br), elaboração de catálogos comerciais e a participação em feiras internacionais, como a Chicago Plastics USA, de 2 a 4 de outubro. “Teremos um estande de 18 m²”, conta Silva. Já o intercâmbio com as ferramentarias portuguesas para treinamento de mão-de-obra começa em 2002. Projetam ainda a criação de outra empresa, com participação societária das cinco ferramentarias, para fornecer serviços de alta tecnologia. “A iniciativa visa colocar à disposição do consórcio equipamentos sofisticados e de alta produtividade.”
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