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Tecnologia no prumo – Lançado com pompa e circunstância há dois anos, durante a Brasilplast’99, o projeto Prumo nasceu com a meta de possibilitar às pequenas e microempresas de transformação de plástico o tão almejado salto tecnológico em tempos de globalização e tinha tudo para ser bem sucedido. O programa funciona com duas unidades móveis equipadas com recursos sofisticados, como instrusmentos de alta precisão, que se deslocam até as empresas, efetuam diagnósticos e apontam soluções. Por todo esse trabalho, o INP cobra apenas R$ 900,00. Mas as solicitações até o momento ficaram muito aquém do esperado. “Eu me pergunto se nós não estamos vendendo um bom projeto de maneira errada”, avalia Alencar.

Uma das dificuldades, admite, consiste em convencer o transformador que o valor pago pela assistência tecnológica é quase simbólico perante os retornos garantidos. Para o presidente do INP, os ganhos da empresa após o diagnóstico pagam rapidamente o investimento. “Esse histórico brasileiro de olhar muito o curto prazo dificulta incutir nas pessoas essa questão tecnológica”, pondera. A fim de sanear os problemas, o programa está sendo revisto em conjunto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Na opinião de Alencar, se trata de um grande projeto e deve ser viabilizado.

O empresário reluta em modernizar a empresa e adequá-la às exigências globais, no entanto, aceita de bom grado os convites para participar como visitante de feiras estrangeiras, onde pode conferir as distâncias tecnológicas que separam a indústria nacional do mercado externo. A comitiva brasileira que voou para Chicago a fim de acompanhar as novidades da NPE surpreendeu no tamanho: um dos maiores grupos de estrangeiros, com quase 3 mil cabeças. Já não mostram a mesma disposição para comparecer nas mostras como expositores. “Os pequenos e médios empresários não perceberam que se trata de uma porta de entrada para eles”, alerta Alencar.

Produtos melhores – Outro aspecto preocupante é o da qualidade das peças plásticas brasileiras. Nesse sentido, o INP se incumbiu de participar da elaboração de normas técnicas destinadas à área de transformação e deve ganhar em breve status de organismo normativo setorial. O novo título confere ao órgão poder de aprovação das normas e, portanto, capacidade para agilizar todo o processo de normatização.

As primeiras normas elaboradas, destinadas a aprumar a produção de cadeiras plásticas, devem ser sacramentadas em breve pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Também já se encontram em estágios avançados os processos de normatização para fios e cabos, sacolas de supermercados e copos descartáveis.

Em paralelo, o INP concentra esforços para atualizar a mão-de-obra já atuante no setor quanto às inovações introduzidas na área, bem como oferecer formação especializada aos jovens frequentadores das escolas técnicas. Os estudos levados a cabo pelo INP detectaram mudança acentuada na qualificação da mão-de-obra nos últimos dez anos. O novo perfil desenhado pela pesquisa aponta para profissionais mais capacitados no campo da informática, por exemplo.

Essas apurações devem agora ser repassadas para a Universidade de São Paulo (USP), encarregada pelo INP de elaborar um diagnóstico de formação e adequação. A busca de parceria se estende também à indústria. “Muitas empresas dispõem de recursos humanos bastante competentes e podem nos ajudar nesse direcionamento”, confia Alencar.

O maior problema diz respeito aos operários mais antigos e relutantes às mudanças. Para resolver o problema, o INP procura parceria nas escolas técnicas, bem municiadas para promover os necessários ajustes. Também os próprios sindicatos dos trabalhadores têm ajudado na questão.

Na opinião de Alencar, o brasileiro descobriu, enfim, que o curto prazo funciona apenas como paliativo e começa a enxergar as situações a médio e longo prazos. Como a meta do INP é fomentar o crescimento do setor, encontra agora terreno mais fértil para agir. O momento é dos mais propícios inclusive porque hoje os elos da cadeia amadureceram e como reconhece o presidente da entidade: “mudamos o perfil, deixamos de bater boca no jornal para construir.”

É isso que as entidades representativas do setor do plástico pretendem deixar claro nesta Brasilplast ao se reunirem todas num só estande. “O espaço tem a conotação de cadeia produtiva, incorporando desde o lado industrial, representantes do governo e instituições tecnológicas”, diz o diretor superintendente do INP, Paulo Dacolina. A feira também será palco de divulgação dos projetos elaborados no Fórum da Competitividade, com investimentos orçados em US$ 18 bilhões para dobrar o tamanho da indústria do plástico no País (ver PM 316, página11).

O INP pretende aproveitar a ocasião para apresentar todos os seus programas, porém deve enfatizar o Prumo, o Isocoop, uma cooperativa de consultores para auxiliar os associados a implementar a gestão de qualidade, e as conquistas na área de normatização. O Prumo deve ser a principal atração, de volta à Brasilplast com sua unidade móvel e depoimento de cerca de 25 empresas beneficiadas pelo programa. n

   ABRE   
EMBALAGENS CONSOMEM 
MAIOR FATIA DO PLÁSTICO

Início de ano. Novo milênio, mas velhas dúvidas: quais serão os rumos da atividade industrial em 2001? Infelizmente, como acontece todo ano, o departamento de “bola de cristal” permanece fechado. Assim, o que tentamos passar aos empresários do setor de embalagens é o feeling fruto de experiências e balanços feitos no ano anterior.

Responsável por cerca de 65% do consumo total de resinas no Brasil, a indústria de embalagem deverá continuar sendo a grande alavanca de negócios do setor em 2001. A justificativa para esta crescente participação é justamente a melhora do poder aquisitivo da população, especialmente das classes C e D, que começaram a consumir itens até então proibidos nos carrinhos de supermercado. Iogurtes e lácteos em geral, doces, produtos de limpeza doméstica e de higiene pessoal hoje já podem ser consumidos sem muita culpa e sem muito comprometimento do bolso.

Outro fator interessante é que, com a crescente invasão das marcas próprias, o segmento de produtos para limpeza doméstica ganhou muita força. E deve ganhar muito mais ano a ano, basta acompanhar sua evolução... Há quatro anos, as marcas próprias não representavam mais do que 2% do movimento do setor de produtos de limpeza doméstica no Brasil. Hoje esse índice de participação está entre 8% e 10%; a previsão é chegar rapidamente aos 12%.

Cuca Jorge

Sérgio Haberfeld, presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), da União Latino-Americana de Embalagem (Ulade) e da World Packaging Organization (WPO).

 

 

Os fabricantes desses produtos também descobriram que a produção da embalagem in house pode ajudar muito na redução de custos. Estima-se que o frasco soprado de um desinfetante represente cerca de 25% dos custos totais do produto final. Este percentual pode cair no caso de uma produção horizontalizada.

Na exportação, a esperança recai sobre a sacaria de ráfia, especialmente junto às indústrias de fertilizantes, responsável pelo consumo de 25% do volume total produzido, e de sal, 8% da participação. O que os fabricantes querem mesmo é abocanhar mercados internacionais, como o norte-americano e o europeu, em regiões onde a agricultura ainda não esteja num estágio muito avançado de mecanização.
Projeções indicam que até o final de 2002 as exportações de sacaria de ráfia deverão participar em 20% nos negócios do setor, contra os atuais 8%. Espaço para crescer, certamente não falta. No ano passado a indústria de ráfia comercializou 110 mil toneladas de material, quando tem capacidade para produzir 150 mil toneladas/ano. As regiões Norte e Nordeste do país concentram 41% desta capacidade num universo de 11 empresas; os 59% restantes estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste, com destaque para 17 indústrias. Do total comercializado em 2000, 6.500 toneladas foram vendidas para o mercado externo, contra apenas 3.345 toneladas exportadas em 1999.

De modo geral, as embalagens flexíveis continuarão a pleno vapor. Neste segmento, os rótulos plásticos, como o sleeve (ou manga) e o auto-adesivo, terão papel fundamental. A tendência internacional de “vestir” o produto com uma roupagem diferenciada e atual já chegou ao País com força total. Vemos desfilando nas prateleiras produtos premium que até dois anos atrás nem poderíamos imaginar que seriam desenvolvidos no Brasil.

Este é justamente o pulo do gato da indústria de embalagem. Ao se inserir no cenário internacional, absorvendo tecnologias e designs, passa a ter competência e condições de disputar, em pé de igualdade, com os concorrentes estrangeiros que invadem nossos pontos de venda. Além, é claro, de garantir ao produto nacional atributos que não o deixarão fazer feio no mercado internacional.


    ABIEF   
FILMES INVESTEM MAIS NO MERCADO EXTERNO

O setor de embalagens plásticas flexíveis engloba cerca 1.000 empresas, com capacidade produtiva de 1,3 milhões de toneladas ao ano. O ano passado foi positivo sob o ponto de vista de resultados. O faturamento de R$ 3,15 bilhoes de 1998 passou para R$ 5,08 bilhões em 1999 e para R$ 6,17 bilhões em 2000. O consumo de resinas cresceu, passando de 1,1 milhão de toneladas em 1998, para 1,2 milhão de toneladas, em 1999, e 1,3 milhões de toneladas em 2000.

No entanto, o setor tem enfretado baixas margens de rentabilidade, elevados custos da nafta, que subiram 75% no último ano, e altos juros bancários. O crescimento deve-se à maior sofisticação das embalagens, investimentos em equipamentos com tecnologia de ponta, e mudança da política cambial.

Acreditamos que o grande desafio para as indústrias consiste em aumentar cada vez mais as exportações, que passaram de US$ 10 milhões, em 1999, para US$ 12 milhões, em 2000.

Cuca Jorge

Israel Sverner, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief)


É assim que temos trabalhado, buscando estimular, facilitar e promover o desenvolvimento do setor, difundir conhecimentos técnicos e defender os interesses junto aos órgãos governamentais e privados. Com ética e seriedade acreditamos no crescimento do setor.

PLÁSTICO GAÚCHO

SINDICATOS DO SUL SE UNEM NA BRASILPLAST


A proximadamente mil profissionais do segmento transformador de plásticos do Rio Grande do Sul, representando 500 companhias, desembarcam em São Paulo na semana da Brasilplast, sob a liderança dos dois sindicatos existentes no Estado, o Sinplast (Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Rio Grande do Sul), de Porto Alegre, e o Sinplas (Sindicato das Indústrias de Plásticos do Nordeste Gaúcho), com sede em Caxias do Sul, berço da manufatura termoplástica em território farroupilha. São empresários, gerências comerciais e técnicas, em busca das últimas novidades em resinas, compostos, blendas, masterbaches, reforços, e no frisson gerado pela tecnologia de ponta embarcada nas máquinas e equipamentos.

O estande institucional do Sinplast será em pool com o governo estadual e reunirá 14 micros, pequenas e médias empresas, apresentando boa amostragem da gama de produtos hoje fabricados no Extremo Sul do Brasil. O Sinplas preferiu permanecer em sua política regionalista, longe dos holofotes oficiais, permitindo que cada associado compareça ao estande apresentando dois modelos de artefatos manufaturados. “A Brasilplast 2001 marca a primeira participação do governo do Rio Grande do Sul em feiras do País. Hoje o executivo imprime um apoio a diversos setores da economia gaúcha e agora apóia a indústria de plásticos, revelando a importância desse segmento para o desenvolvimento regional”, analisa o presidente do Simplast, César Rangel Cordoniz. “Estamos confiantes em relação ao que apresentaremos na feira”, acrescenta o diretor executivo do Sinplas, Luiz Triches, e antecipa: “Aproveitaremos para lançar a Tecnoplast, que será a feira do segmento de plásticos de Caxias do Sul. A feira será realizada ainda no primeiro semestre de 2001 e queremos transformá-la em grande evento nacional.”

Separatismos à parte, os industriais do plástico gaúcho reúnem motivos de sobra para aterrissarem na Brasilplast, envoltos em confiança. Eles não têm dúvida: embora o surgimento da indústria remonte à década de 60 do século passado, a mola propulsora do desenvolvimento tecnológico, do crescimento e da saída dos produtos made in Rio Grande do Sul rumo ao mercado exterior, foram os anos 90. É a partir daí que a evolução de conceitos, capaz de conferir qualidade, confiabilidade e competitividade aos manufaturados, passa a ser traduzida em resultados concretos que projetam para os próximos anos um futuro promissor. Ao alcançar a maioridade, o segmento de plástico registrou crescimento médio de 9,5% nos últimos seis anos.

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