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RETOMADA ECONÔMICA ANIMA AS LIDERANÇAS DO SETOR

A primeira Brasilplast do novo milênio promete dias auspiciosos para a indústria de transformação de plástico, a começar pela iniciativa inédita das entidades de classe em compartilhar o mesmo espaço na feira. Oito edições e muitas picuinhas depois, Abiplast, Abiquim, Abimaq, Siresp e outras instituições, além de representantes do governo, reúnem-se num só estande a fim de consolidar a união de todos os elos da cadeia produtiva. Enfim aliaram-se no propósito único de explorar o grande potencial brasileiro na área de plástico e expandir a atuação no mercado internacional. O projeto, arquitetado em conjunto com o governo e batizado de Fórum da Competitividade da Indústria do Plástico será o mote dessas instituições na feira.

Aproveitando a ocasião, Plástico Moderno convidou os líderes dos principais segmentos da transformação para expressar suas impressões a respeito do desempenho de cada área ao longo de 2000 e das expectativas para esse início de século. Nas páginas a seguir, imprimem expectativas alentadoras. A maioria dos depoimentos registra a retomada das atividades, crescimento e modernização. Esse clima de otimismo promete resultar numa das melhores Brasilplast dos últimos tempos.

A análise da transformação ainda inclui reportagens com os principais feitos do Instituto Nacional do Plástico, da Plastivida e da Abepet. Também radiografa a força da indústria de transformação gaúcha, uma das mais promissoras na Região Sul do País.

    ABIPLAST   
ASSOCIAÇÕES JUNTAM FORÇAS PARA CRESCER

A Brasilplast é a terceira mais importante feira do material plástico do mundo. Por isto, não existe nenhum local mais apropriado para se mostrar ao Brasil e ao mundo o que é a nossa indústria do plástico. É o que vamos fazer. Nossa primeira providência foi modificar a localização das entidades institucionais que, nas versões anteriores, ficavam confinadas e isoladas em ambientes separados. Abiplast, INP, Abiquim, Siresp e Abimaq procuravam mostrar o que fazem de forma individual, assim como o BNDES, a Finep e órgãos e representações do Governo ficavam igualmente separados. É claro que isto terminava por minimizar os esforços e dispersar as atenções.

Nesta versão da Brasilplast resolvemos inovar. Aproveitando a sinergia do Fórum da Competitividade da Indústria do Plástico, resolvemos juntar toda a mostra institucional em um só local. Assim, em torno de um amplo espaço de estar, as entidades vão demonstrar, de forma integrada, tudo o que são e o que estão fazendo.

Cuca Jorge

Merheg Cachum, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast)

A Abiquim e o Siresp enfatizam sua preocupação com a preservação da natureza, exibindo as ações do Plastivida, do Fórum de Atuação Responsável e as parcerias com escolas e entidades beneficentes.
O INP, agindo no campo da tecnologia, vai mostrar o sucesso do seu Projeto Prumo, o seu empenho no desenvolvimento de normas técnicas, suas ações no plano do ensino e do treinamento especializado destinado ao aperfeiçoamento da indústria do Plástico.

A Abiplast, por sua vez, estará mostrando a realidade do Fórum de Competitividade da Indústria do Plástico, lançado em 18 de agosto do ano passado, sob a orientação e coordenação do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e Comercio Exterior e com o apoio decidido do Ministério de Ciência e Tecnologia.

O diagnóstico da indústria de transformação do plástico começou por levantar o mercado existente e projetá-lo para um futuro imediato, de oito anos. Isto identificou um crescimento constante da indústria nos últimos dez anos, a uma taxa superior a 9,5% ao ano. Assim, as projeções feitas, mesmo com uma previsão pessimista de crescimento de 2% para o PIB no período, o mercado da transformação vai continuar crescendo a uma taxa média projetada de 8% ao ano. O consumo aparente praticamente dobrará até 2008, passando das 3,459 milhões de toneladas consumidas em 1999, para mais de 6,880 milhões de toneladas naquele ano. Isto somente para o mercado interno, já que existe uma previsão de mais 20% desse total destinado às exportações de resinas.

Isso deverá exigir investimentos pesados na cadeia do plástico: cerca de US$ 8,8 bilhões para o aumento da oferta de resinas; US$ 9,5 bilhões para máquinas, moldes e instalações da indústria de transformação, o que significará, na prática, quase dobrar o volume do parque industrial hoje existente.

Ora, para investimentos desse porte será preciso uma vontade política muito firme, por parte do Governo. E é exatamente isso que o Fórum vai mostrar na Brasilplast. O Ministério do Desenvolvimento estará presente através da Secretaria do Desenvolvimento da Produção, responsável pela coordenação geral do Fórum; da STI, Secretaria de Tecnologia Industrial, assim como outros Ministérios.

De forma decisiva, o BNDES estará mostrando todas as suas linhas de crédito e, principalmente, os novos sistemas de financiamento destinados às micro e pequenas empresas, que serão coordenados pela Abiplast. Esta será, certamente, a melhor e mais importante para a indústria do plástico.

O Ministério da Ciência e da Tecnologia vai mostrar o seu trabalho e todos os projetos que vem incentivando para desenvolvimento de tecnologia. Da mesma forma, a Finep estará disponibilizando suas linhas de financiamento para projetos específicos, principalmente para desenvolvimento tecnológico e para desenvolvimento de pessoal.

A vontade política do Governo fica evidente. E a Abiplast estará demonstrando a sua vontade e decisão de participar coordenando as ações no âmbito empresarial, para que isto se torne uma realidade. Nesse sentido, a Abiplast criou a Estratégia Competitiva da Indústria do Plástico, uma organização da sociedade civil que deverá ser um agente financeiro do BNDES, e encabeça uma série de ações como a organização de aglomerados (clusters), cuja meta é fortalecer a união de micros e pequenas empresas desenvolvendo o conceito da solidariedade; a instituição de prêmios para estimular o design, o desenvolvimento tecnológico, os novos processos de produção; a coordenação de um programa sustentado de renovação e modernização do parque de máquinas para plástico; a melhoria das condições de segurança no local de trabalho, com objetivo de prevenir acidentes do trabalho; e o exercício do controle social através de uma forte parceria com as Centrais Sindicais.

Por isto, nada melhor que uma vitrine internacional como a Brasilplast para mostrar ao Brasil e ao mundo a pujança da nossa indústria de transformação do plástico, tanto quanto ela já o é hoje e tanto quanto será amanhã, até 2008.

   I N P   
INSTITUTO PROMOVE AVANÇO TECNOLÓGICO

O Instituto Nacional do Plástico (INP), órgão representativo da classe, completa doze anos neste início de milênio com a agenda repleta de desafios. Acelerar o processo de modernização das indústrias, formar e adequar a mão-de-obra já atuante, estabelecer normas técnicas para elevar a qualidade dos produtos nacionais e ainda desenvolver novos mercados são compromissos emergentes. A adoção de tais medidas promete boas perspectivas para o setor nesta nova era.

Otimista, Alexandrino de Alencar, presidente da entidade, acredita no crescimento da indústria brasileira do plástico acima de 10% em 2001. Sua previsão ganha consistência ao analisar três fatores: primeiro, forte tendência de aumento da massa salarial do consumidor; segundo, maior oferta de produtos; e, terceiro, maior produtividade do setor, conquistada com a renovação do parque industrial.

Ele exemplifica o caso do poliestireno, resina com um dos maiores índices de crescimento em 2000, graças à entrada em operação da nova fábrica da Innova em Triunfo, Rio Grande do Sul. Em 2001 a oferta da resina será ainda maior a partir da nova unidade da Dow, na Argentina, diz. Para ele, a maior disponibilidade de resinas funciona como forte indutor de crescimento do mercado.

O terceiro maior movimento, considerado o principal por Alencar, é o ganho de produtividade obtido pelo setor com a renovação do parque de máquinas e uso de novas tecnologias, responsável por facilitar a difusão do plástico em novos mercados, inclusive como substituto de outros materiais.

Entre as várias iniciativas para expandir a atuação do plástico em 2000, a área agroindustrial mostrou maior vigor e permanece no topo da lista também em 2001. Embora recheada de aspectos críticos, representa ampla oportunidade de expansão, sustentada por inúmeros benefícios, muitos deles já constatados pelos agricultores. O plástico propicia vantagens no cultivo, na irrigação e em vários outros itens. “Acho que é um dos segmentos do plástico que mais cresceu”, acredita Alencar.

Durante o workshop específico para a agroindústria, realizado pelo INP no final de 2000, foram divulgados os resultados do estudo encomendado pelo órgão para dimensionar o potencial de mercado, identificando oportunidades de expansão na demanda de plástico para o setor, cujo volume absorvido, da ordem de 110 mil t em 1999, ainda é considerado muito baixo. Só para citar um exemplo de benefício para o agricultor, basta mencionar dados constantes da pesquisa indicando que o cultivo sob estufas plásticas chega a gerar ganhos de produtividade de 500% na produção de pimentões e rendimento cerca de 50% superior no caso de flores.

No entanto, não basta apenas incentivar novos negócios. Também é preciso induzir a indústria a implantar novas tecnologias e, por conseqüência ganhar mais produtividade e competitividade. É necessário ainda muní-las de normas técnicas, como garantia no padrão de qualidade, e disponibilizar pessoal com formação apropriada.

Portanto, as principais diretrizes do INP para os próximos anos consistem em sedimentar os projetos em andamento para alavancar o plástico, acelerar o ritmo das elaborações de normas técnicas a fim de impor melhor qualidade aos produtos acabados, e intensificar o trabalho de formação e adequação de mão-de-obra.

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