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Apesar disso, as importações foram também maiores em 2000 e os custos de produção cresceram em decorrência da alta do petróleo. “Não foi possível repassar todo o aumento para a cadeia de transformação e acabamos absorvendo quase 14% de defasagem de preços em relação à rentabilidade média histórica do setor”, informou. Talvez esse repasse deixe de ser feito, pois o petróleo recuou para patamar comportado.
O caminho trilhado pela Polibrasil foi o de produzir grades de maior valor e ampliar a escala produtiva, via aumento de capacidade. O exemplo máximo da estratégia da empresa é a ampliação da capacidade da futura fábrica paulista, que passou de 240 mil para 300 mil t/ano. “Essa unidade contará com a mais moderna tecnologia disponível da Basell, que reuniu o melhor da Basf com o da Montell”, afirmou. A nova unidade permitirá a produção de resinas com melhor balanço de qualidade e custo.
O diretor comercial citou a família Clayrell de terpolímeros (propeno, eteno e buteno), que permite aumentar a transparência do PP sem a adição de clarificantes e com ganho em resistência mecânica. “Nas aplicações em que a transparência não seja desejada, a resina permite alto brilho, comparável ao do ABS, podendo ser usada em automóveis, brinquedos e eletroeletrônicos”, comentou. O material será exibido aos visitantes da Brasilplast.
A capacidade adicional teve como primeiro reflexo o atraso na conclusão do projeto, agora previsto para setembro de 2002. A contratação de propeno de refinaria e o desengargalamento da PqU garantem o fornecimento da olefina em quantidade superior à consumida pela fábrica atual, situada na casa das 100 mil t/ano. “As mudanças no projeto, tanto para a nova capacidade quanto para a adoção de nova tecnologia, somadas às turbulências da economia nacional, justificam o atraso do projeto”, comentou.
Roriz espera crescimento de demanda nacional pelo PP da ordem de 10% em 2001, oriunda dos setores automobilístico e de embalagem para alimentos. O rebaixamento das taxas de juros permitirá irrigar o crédito aos consumidores, deslanchando a venda de bens duráveis (carros e eletroeletrônicos), além de incentivar as vendas de ráfia de PP, tanto no mercado interno como na exportação.
Já a fábrica do Rio de Janeiro, em Duque de Caxias-RJ, alimentada por propeno de refinaria, usa tecnologia Lipp-Schak, imbatível para homopolímeros. Completa o quadro a unidade de Camaçari-BA, ativo que aguarda o resultado da reestruturação daquele pólo petroquímico para que os acionistas decidam o seu destino. “A princípio, não está à venda”, disse.
“Por estarmos ligados a uma grande empresa mundial, a Basell, temos acesso ao acervo de polímeros avançados e compósitos que podemos reproduzir na subsidiária Policom (Polibrasil Compostos)”, comentou Roriz. Ele salientou que a empresa já passou por uma reestruturação acionária, que reduziu o número de sócios de cinco para dois (Basell e Suzano).
Novata no polipropileno, a Ipiranga Petroquímica conquista seu lugar no mercado, aproveitando a estrutura comercial criada para os polietilenos. “Estamos começando apenas com os homopolímeros para nos firmarmos no mercado, passando gradativamente para a fabricação dos copolímeros randômicos, aproveitando totalmente a tecnologia Spheripol”, comentou Gonçalves. O bom resultado das vendas, segundo ele, deve-se ao bem-sucedido esforço de pré-marketing.
Investimentos emergentes – As previsões iniciais para 2001 apontam para aumento significativo da demanda por resinas sintéticas no Brasil. Algumas famílias concluíram investimentos recentes, a exemplo das petroquímicas gaúchas, quase sempre dedicadas a polietilenos e polipropilenos, que teriam alguma folga para atender à expansão do mercado doméstico, embora com o sacrifício das exportações. “Mesmo assim, essa folga suporta apenas uns dois anos de crescimento”, comentou o diretor para a área química do grupo Suzano, Armando Guedes
Coelho.
| Os grupos Suzano e Unipar, junto com a Petrobrás, iniciam a construção de cracker de etano na Baixada Fluminense, para 540 mil t/ano de polietilenos de alta densidade e de linear de baixa densidade. O projeto permitirá fazer 60 mil t/ano de PP, aproveitando a olefina gerada no processo. “O gás natural da região permite isso”, explicou Coelho. A conclusão do projeto está prevista para meados de 2004.
A atual disponibilidade de PP é enganosa. Segundo o diretor, o Brasil carece de fontes viáveis para a geração de propeno. “Nos polietilenos a situação é contornada com o uso do gás natural, mas no PP haverá problemas”, disse. As dificuldades de abastecimento devem aparecer dentro de dez anos. Até lá os pequenos desengargalamentos das centrais e, principalmente, o aproveitamento do propeno disponível nas refinarias de petróleo, hoje vendido como componente do gás de cozinha (GLP), sustentam a construção de novas fábricas.
“Quem tiver acesso a esse propeno vai ampliar capacidade”, informou.
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Cuca Jorge
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Coelho: sobra de resinas só dura por dois anos
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