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Cresce a Oferta de Resinas no Brasil
Novas capacidades petroquímicas garantem o abastecimento dos transformadores de commodities
plásticas e impedem alta dos preços, porém cresce o medo de medidas oficiais para a contenção das importações
M A R C E L O
F A I R B A N K S
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| Cuca Jorge |
Os transformadores de plásticos no Brasil iniciam o ano tranqüilos, pelo menos em relação ao fornecimento de resinas e insumos químicos. Previsões de especialistas traçam cenários de maior oferta desses materiais na região, além da expectativa quanto à queda das cotações internacionais de petróleo, nafta e gás natural. A conjugação desses fatores coloca a faca e o queijo nas mãos dos compradores de materiais plásticos.
As nuvens sombrias que se acercam dos pólos petroquímicos nacionais, representadas pela recessão americana, que acarretaria a transferência de excedentes para a região, a preços aviltados, podem porém ser afastadas. O governo federal mostra-se preocupado com o déficit na balança comercial e começa a movimentar-se no sentido de estimular as exportações. Caso o movimento não surta os resultados desejados, é plausível a instalação de barreiras às importações, para desgosto dos transformadores locais.
O setor químico brasileiro registrou déficit comercial de US$ 6,5 bilhões em 2000, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). A entidade encaminhou pleitos ao governo no sentido de desonerar investimentos em novas capacidades produtivas, de forma a gerar maior volume de excedentes exportáveis. No entanto, se sobrevier um peíodo de recessão nos EUA, torna-se impossível barrar a invasão de artigos estrangeiros sem uso de medidas oficiais de contenção.
No campo dos polietilenos, a Dow inaugurou no início do ano a fábrica de polietileno linear para 270 mil t/ano em Bahía Blanca, na Argentina, concluindo projeto de investimento de mais de US$ 1 bilhão iniciado há cinco anos, após a privatização do setor petroquímico daquele país. Antes da inauguração da unidade foi preciso levar para lá gás natural rico em etano desde a província de Neuquén, sob os cuidados da Companhia Mega, formada em associação com a YPF (38%) e Petrobrás (34%). Já em Bahía Blanca, o gás natural é fracionado, com o etano enviado à Petroquímica Bahía Blanca (63% Dow, 27% YPF e 10% Itochu) para a produção de eteno em fornalhas recentemente ampliadas e acrescidas de nova unidade para aproximadamente 400 mil t/ano da olefina.
Com a maior disponibilidade de eteno, as unidades de polietileno de alta e baixa densidades da antiga Polisur foram ampliadas, culminando com a inauguração da fábrica nova, específica para a produção do linear das famílias Dowlex e Elite (esta com catalisadores metalocênicos). Antes da partida, a companhia importou produtos para a operação de desenvolvimento de mercado (pré-marketing), com prioridade para o mercado brasileiro.
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“Essas importações produziram algum estrago nos preços do linear no segundo semestre do ano passado”, afirmou Alexandrino Alencar, diretor de marketing da OPP (grupo Odebrecht). A afirmação é confirmada pelas estatísticas da Abiquim publicadas nesta edição, nas quais se verifica crescimento da ordem de 30% das importações dessa resina no ano passado.
Quanto ao aumento da competição a partir da inauguração da nova fábrica na Argentina, Alencar lamenta o fato de a economia vizinha passar por momento difícil, que provoca o encolhimento de quase 5% ao ano do mercado de lá. “O destino óbvio dessas resinas é o mercado brasileiro”, constatou. No entanto, ele afirma não temer a concorrência.
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Cuca Jorge
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Alencar: com oferta maior, PS e PEBDL atraem demanda
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“O projeto deles era viável com gás natural a US$ 3 ou 4 por milhão de BTUs, mas o gás subiu para um patamar próximo a US$ 8 e ainda é preciso computar o frete de Bahía Blanca para o Brasil”, comentou. “Nas condições de Bahía Blanca, ter gás natural a US$ 10/MMBTU corresponde ao custo via nafta quando o petróleo cru esteja a US$ 50 por barril.”
O reforço do concorrente argentino também colocou em alerta a Ipiranga Petroquímica, que inaugurou em 1999, quase ao mesmo tempo que a OPP gaúcha, unidade swing de 130 t/ano de PEAD/PELBD. “Nossa estratégia consiste em ter produtos diferenciados, manter forte aproximação com os clientes, oferecendo-lhes qualidade do material, excelência em serviços e logística impecável”, afirmou Ricardo Gutheil Gonçalves, chefe do departamento de marketing da IPQ. Como exemplo, ele citou a adoção de etiquetas com código de barras em todos paletes e big-bags oriundos de Triunfo-RS. “Isso facilita nossas operações de armazenagem e movimentação de materiais, simplifica a operação de carga e também pode ser aproveitado pelos clientes para gestão de seus estoques”, informou. Também a entrega de produtos foi alterada, com a criação de um pool de quatro empresas selecionadas para entregas aos clientes, que já são informados do frete quando da aquisição dos produtos.
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