ENCONTRO DO PLÁSTICO

Setor fatura mais e expande produção

fotos: Cuca Jorge

Nem mesmo a disparada nos preços da nafta, insumo básico para a produção de resinas, impediu o bom desempenho da indústria brasileira do plástico neste ano, cujo balanço apresentado no tradicional Encontro Nacional do Plástico, em São Paulo, em sua 17ª edição, apontou expansão de 10,55% no volume de resinas transformadas e 12,4% de acréscimo no montante faturado. De acordo com levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Plático (Abiplast), o setor processou cerca de 3,81 milhões de toneladas neste ano, correspondente a faturamento de US$ 9,93 bilhões. Também a balança comercial deu sinais de recuperação com as exportações 17,8% maiores, equivalentes a US$ 139 milhões, contra importações estáveis, da ordem de US$ 233 milhões.

Na opinião do presidente da Abiplast, Merheg Cachum, esses resultados poderiam ser ainda melhores não fossem as várias dificuldades enfrentadas pelo setor, como os altos juros bancários, os elevados custos da nafta e a sobrecarga tributária, entre outras. “A capacidade de investimento das empresas continua extremamente baixa”, ponderou. Para ele, o crescimento do setor resultou de um esforço da indústria para ocupar melhor a capacidade instalada e diluir custos.

Diferente do passado, quando transformadores e fabricantes de resina, vira-e-mexe, entravam em choque, ora por escassez de produto no mercado interno, ora por alta nos preços etc, os elos da cadeia hoje se entendem, e bem. Tanto é assim que, em seu discurso, Cachum defendeu as petroquímicas, na opinião dele, duramente pressionadas pela alta da nafta. “Nesse particular, a indústria de resinas contou com nossa solidariedade e parceria, para evitar maiores danos para os dois setores.”

Ele ainda mencionou os projetos da transformação no Fórum da Competitividade, compromissada em duplicar a atual capacidade instalada até 2008, com demanda de recursos da ordem de US$ 9,7 bilhões em expansão, renovação do parque industrial, moldes e infra-estrutura.

O presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo (Siresp), Jean Daniel Peter, também considerou bom o desempenho do setor. Em suas estimativas, o consumo aparente de resinas deve fechar o ano com crescimento entre 11% e 12% e a produção total, exceder 4 milhões de toneladas. A indústria petroquímica concluiu um ciclo de investimentos próximos a US$ 2 bilhões, injetados ao longo dos últimos três anos, capacitando-a a produzir perto de 5 milhões de t/ano a partir de 2001.

Solidário a Cachum, Peter também queixou-se de obstáculos como os impostos em cascata, o famoso Custo Brasil, as altas taxas de juros e a lenga-lenga da reforma tributária que não sai. Mas o fator mais preocupante é a questão do preço da nafta. Lembrou o acordo firmado com as centrais petroquímicas até 31 de dezembro, que garante a matéria-prima com valor equivalente ao praticado na Europa. “Ocorre que essa política inviabiliza as exportações brasileiras de resinas e transformados.” Em suas estimativas, haverá 800 mil t de excedentes termoplásticos em 2001 e, com as exportações inviabilizadas, o prejuízo na balança de pagamentos chega a meio bilhão de dólares.

A reunião ainda serviu de palco para homenagear com o Troféu Ministro Dilson Funaro os representantes eleitos em cada segmento como os destaques do ano: Enrico Trifiletti, da Plásticos Metalma (transformação); Maristela Simões de Miranda, da Maqplas (máquinas); e Alexandrino de Alencar, da OPP (resinas).M. A. Sino

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