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PM – E quais são as sugestões da Abiplast?
Cachum – Estamos criando um esboço de como deveria ser. Não posso levar uma solução, que será encontrada em conjunto, mas com participação grande do BNDES.
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"Podem ocorrer
fusões entre pequenas empresas, fortalecendo-as em vários
aspectos" |
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PM – O senhor dimensionou o setor de transformação em cerca 5.300 indústrias. Como fica esse quadro em 2008 caso se duplique a capacidade de produção?
Cachum – Não querendo ser pessimista, eu acho que o número talvez até se reduza. Não há necessidade de 5.300 indústrias. Na minha opinião podem ocorrer fusões entre pequenas empresas, transformando-as em de médio porte e fortalecendo-as em vários aspectos, com credibilidade diferente e com poder de crescimento muito maior.
PM – Em suas estimativas, devem sobrar quantas empresas no setor?
Cachum – Eu posso dizer uma coisa: os Estados Unidos transformam um volume exageradamente superior ao do Brasil, com 15 mil indústrias. Então não justifica que tenhamos no País 5.300. Hoje precisamos lutar mais pela qualidade da indústria, o nível de tecnologia, de equipamentos. Não importa ser pequeno, importa ser bom.
PM – Como está a relação da transformação com a segunda geração?
Cachum – Temos uma relação de parceria muito grande. Sem sombra de dúvidas somos o grande parceiro da segunda geração porque somos nós que compramos. A segunda geração existe para fornecer resina para a terceira geração. Não foi criada nem desenvolvida para fornecer para o exterior. Mesmo porque, quando se iniciou a segunda geração, foi com a ajuda da terceira geração comprando até mais caro, isso há muitos anos, para que se pudesse ter a primeira fábrica no País. Nós subsidiamos a existência de fábricas produtoras de resina no Brasil e o objetivo principal da segunda geração é abastecer o mercado brasileiro.
PM – Mas houve uma fase bem conturbada há poucos anos...
Cachum – Essas fases devem existir em todos os setores. Os momentos críticos são imprevisíveis e talvez tenha até havido necessidade. Na minha gestão não houve, mas não critico em absoluto que nas gestões anteriores tenham ocorrido momentos mais difíceis. Nossos presidentes precisavam ter posições diferentes. Entendo como correto hoje a parceria. Esta é a palavra-chave na minha opinião. Relação de parceria é quando é bom para nós e para a segunda geração. Nós queremos a segunda geração forte junto com a terceira geração também forte, pois a cadeia só é forte quando todos os seus elos o são. Se um deles for fraco, a cadeia se rompe.
PM – O senhor mencionou que a indústria de transformação praticamente subsidiou a segunda geração...
Cachum – Isso no passado, quando ainda não existia a segunda geração no País e, para ter um primeiro produtor, os transformadores concordaram em pagar mais caro pela matéria-prima que seria produzida aqui para ajudar a viabilizar essa fábrica.
PM – Mas ainda há poucos anos a indústria de transformação brasileira se queixava de pagar acima do preço praticado no mercado internacional...
Cachum – Essa cultura hoje está mudando e muito. Eu acredito que se aplica ao País o mesmo que ocorre no mundo. Se a resina está com preço baixo no mundo, também está com preço baixo no Brasil. Se o preço sobe no mundo, também sobe no Brasil. É a lei de mercado, não existe outra alternativa. Quem determina preço não é o transformador, nem o produtor de resina. Hoje é a regra que prevalece.
PM – Como os aumentos nos preços da nafta afetaram a indústria de transformação e como está sendo equacionada a questão de repasse de custos para os preços das resinas?
Cachum – Os aumentos da nafta foram um verdadeiro desastre. Nada poderia ter sido mais grave para a transformação do que os aumentos da nafta, que subiu mais de 270% desde o começo do ano passado até o momento, que refletiu no aumento do etileno, do propeno e, por conseqüência, do polietileno, do polipropileno, enfim de todas as resinas. De uma forma ou de outra houve repasses de preços. Apesar de eu ter dito que o nosso setor faturou esse número maravilhoso de bilhões de dólares, não significa que o setor esteja ganhando dinheiro. Pelo contrário, faturamento não é sinônimo de lucro. O que nos interessa, e a qualquer empresa, são os resultados. E esses foram precários.
PM – Como a indústria pode ter faturado mais com resultados ruins?
Cachum – A indústria transformou mais em material e em dinheiro, mas isso não quer dizer que esse volume de transformado em resultado financeiro seja sinônimo de alta lucratividade, porque nosso grande cliente, estou sempre falando em alto volume, são as grandes multinacionais. As negociações com multinacionais são cada vez mais difíceis porque têm-se como parâmetro preços internacionais e, para acompanharmos, diminuimos cada vez mais nossa rentabilidade. Se fala muito em produtividade, mas produtividade não é elástica. Conquista-se com melhores desempenhos de tecnologia e equipamentos, mas requer grandes investimentos e nós ainda temos de ser igual à empresa no exterior. Mas nem sempre somos. No exterior não se tem o custo do dinheiro que existe no Brasil, o que é uma aberração! Isso está no preço. No exterior não se tem a mesma a carga tributária brasileira: 33% do PIB brasileiro refere-se a tributos e contribuições. Então, o governo é nosso sócio no filé mignon, pois ele nunca tem problemas quando o cliente não paga, quando não podemos pagar uma conta de energia elétrica. Ele só ganha. Do meu faturamento, 33% vão para a mão do governo. Claro que temos de pagar, mas um imposto justo e correto. Sem reforma tributária, eu diria que estamos diante de um problema extremamente delicado.
PM – As recentes expansões eliminaram problemas de oferta de resina? Como fica a situação com a duplicação do parque transformador?
Cachum – A duplicação do parque será acompanhada pela duplicação da resina. Na minha opinião, não teremos problemas de abastecimento no País.
PM – E hoje, também não há?
Cachum – Também não. O caso do poliestireno já está solucionado.
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