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“A indústria brasileira de termoplásticos poderá ter um excedente exportável de, no mínimo, 720 mil toneladas de resinas, podendo incorrer em prejuízo estimado em US$ 500 milhões”, avaliou. “Portanto, ou exportamos, ou será inevitável a paralisação parcial do nosso parque produtivo”, sentenciou. As lamentações que costumam dar o tom às posições e discursos de significativa parcela do empresariado do setor, segundo Peter, são mais que legítimas, devendo-se ainda considerar outros agravantes relacionados com os sistemas produtivos, envolvendo reatores com capacidades operacionais previamente dimensionadas, ou processos nem sempre viabilizando operações mais lentas dentro das fábricas. Outro ponto a ser considerado são as altas escalas dos reatores em operação no País, com capacidade para produzir mais de 250 mil toneladas/ano, fato que, ao invés de constituir motivo de orgulho, acaba se transformando em mais um problema a administrar. Por isso, a questão não é simples, como muitos gostariam que fosse. A paralisação de máquinas, por exemplo, não só acarretaria sérias implicações tecnológicas, diminuiria ritmos de trabalho e traria conseqüências econômicas e sociais, não se tratando de pôr um freio na produção. A indústria de resinas tem capacidade técnica e comercial para exportar, mas falta a política adequada, visando a formação de preços dos insumos empregados na produção dos produtos exportáveis.
Sintetizando, Jean Daniel Peter afirmou: “Se não conseguirmos resolver o problema da matéria-prima, que representa 80% dos nossos custos, não há conversa, não se exporta, não teremos competitividade, e todo o resto será irrelevante.”Não obstante o custo da nafta seja uma questão central para o setor, Jean Daniel Peter nutre a expectativa de que o Fórum de Competividade da Indústria do Plástico, integrado por representantes do setor e promovido junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, possa trazer perspectivas mais favoráveis à alocação de investimentos da ordem de US$ 17,7 bilhões até 2008, para modernização e aumento da capacidade de toda a cadeia produtiva no período, dos quaiis US$ 8,2 bilhões destinados ao setor petroquímico.
Duplo perfil – Segundo dados extraídos do panorama preliminar (janeiro a outubro) e comparativo (1999 versus 2000), divulgado pelo Siresp, sobre o comportamento da produção total e geral de resinas, envolvendo o PEBD, PEBD linear, PEAD, PP, PS, PVC e EVA, tendo por fonte os produtores de resinas, houve aumento no consumo aparente da ordem de 13,35%, com a produção de 2.532.211 toneladas, contra 2.870.211 toneladas. O consumo aparente representa a soma dos volumes relativos à produção nacional e importações, menos as vendas Vipe (Vendas internas para exportação) e as exportações. Como ponto inicial de análise, Jean Daniel Peter observa que o Brasil está sendo palco de um “fenômeno”, pois assume concomitantemente o papel de importador e exportador. “Grandes empresas, em especial a Dow, vêm suprindo o mercado brasileiro com importações, em antecipação à partida da unidade de Baía Blanca, na Argentina, o que faz com que excedentes da produção brasileira sejam deslocados para as exportações”. No período avaliado de 2000 (jan-out), sempre comparado com o de 1999, a produção de PEBD, considerada uma das resinas plásticas mais maduras, e um dos inventos da I Guerra Mundial, aplicado no isolamento de cabos de alta freqüência de radar, segundo complementou Peter, apresentou estabilidade, com tendência à queda (1,98%), conseguindo surpreender a todos pelo volume dobrado das importações: de 21.429 toneladas, elas saltaram para 44.717 toneladas.
O PEBD linear, considerado uma resina jovem, com duas décadas de aplicação, deverá figurar entre as campeãs de crescimento no último balanço setorial. A produção contabilizou percentual de aumento de 39,60% – de 200.101 toneladas (1999), houve uma elevação para 279.345 toneladas (2000). As vendas externas também apresentaram significativo crescimento no período. Das 45.999 toneladas exportadas em 1999, estas se elevaram para 96.561 toneladas em 2000, o que representa 109,92% de aumento. Cerca de 70% do total produzido de PEBD e de PEBD linear segue, segundo avaliação do Siresp, para o mercado de embalagens flexíveis, e sob a ótica do incremento da produção dessas resinas, destacam-se as novas plantas da OPP e da Ipiranga, instaladas no pólo petroquímico de Triunfo-RS. A produção de PEAD cresceu em 23,17% – 603.742 t produzidas em 1999, para as 743.620 t relativas a 2000 – , com correspondente aumento das importações, que saltaram de 29.817 t para 46.594 t –, e bem mais ainda nas exportações, que passaram de 121.744 t (1999) para 209.380 t (2000). A produção de PP também aumentou em l0,89%. De 642.384 t, elevou-se para 712.360 t. No entanto, taxas excepcionais de crescimento (120,14%) foram observadas nas vendas por intermédio do sistema Vipe, envolvendo o PP. Para Jean Daniel Peter, essa é uma prova contundente de que é possível incrementar as exportações, a partir do diálogo entre produtores de PP (resina) e de transformados (ráfia), e que, no caso, resultou na criação de um mercado correspondente a 10 mil toneladas em apenas um ano. Mais suscetível às demandas dos segmentos de bens duráveis e descartáveis, o PS apresentou menores volumes de vendas internas no período em comparação, passando de 131.132 t, em 1999, para 111.628 t, em 2000. Quanto às importações houve significativa elevação, passando de 81.020 t, em 1999, para 117.459, em 2000. Com a produção se mantendo em níveis estáveis, o PVC registrou 0,45% de crescimento, comparando-se as 549.198 t, em 1999, com as 551.656 t, em 2000. Mas, o que mais chama a atenção na análise do comportamento da resina é o aumento das importações – de 56.792 t, em l999, para 100.203 t, em 2000 –, enquanto as vendas externas cairam em 50,74%, ou seja, de 55.911 t, em 1999, para 27.543 t, em 2000.
No caso do EVA, cuja produção envolve escalas bem menores em relação a outras resinas, houve aumento percentual de 27,08%, totalizando 29.830 t, em l999, e 37.909 t, em 2000. Significativo crescimento também foi observado nas vendas internas (28,29%), passando de 25.335, em 1999, para 32.503, em 2000.
Expansão é esperada – O Siresp divulgou dados parciais sobre o desempenho do setor em 2000, envolvendo o período de janeiro a outubro, pois aguarda a apuração definitiva da Abiquim. A Abiplast, no entanto, baseando-se em estudos de mercado, antecipa novas informações. Inclui, na compilação, dados sobre o PET, e chega a estimativas que apontam crescimento na produção das principais commodities de 3,5 milhões de toneladas em 1999 para 3,8 milhões de t e consumo aparente de 3,4 milhões de t para 3,8 milhões de t. Confira outras informações na tabela acima. |
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