Resinas encaram o desafio
de solucionar a questão
do alto preço da nafta


ROSE DE MORAES

"Excedente exportável de resinas poderá chegar a 720 mil t e causar prejuízo de US$ 500 milhões."
Jean Daniel Peter, presidente do Siresp

As indústrias brasileiras de resinas termoplásticas alcançaram resultados muito positivos em 2000, mas continuam contando com a perspectiva de se posicionar de forma mais competitiva no novo milênio, especialmente no tocante à possibilidade de “renegociar” os preços da nafta, cogitada durante o ano todo no setor, por meio da conciliação dos interesses da Petrobrás, centrais petroquímicas, transformadores e produtores.

Enquanto são projetadas tais aspirações, impõe-se ao setor o desafio de viabilizar o escoamento da produção, mantendo-a dimensionada para o crescimento. Mas isso sem poupar esforços envolvendo a busca de novos caminhos a serem trilhados na direção das exportações. Na atual conjuntura em que o ponto de partida para a evolução do setor presume a efetivação de acordos, as vendas externas representam a melhor saída para afastar a ocorrência de uma superoferta de resinas por períodos mais prolongados, cujo desdobramento imediato conduziria a uma indesejável queda de preços no mercado interno, entre outros golpes previstos sobre a rentabilidade. 

Tal panorama reflete diagnósticos sobre o desempenho do setor, tendo por base indicadores de produção, vendas, importações, exportações etc., disponibilizados pelo Siresp, o Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas do Estado de São Paulo, e as posições pragmáticas e articuladas em defesa da competitividade de toda a cadeia, assumidas publicamente pelo presidente da entidade, Jean Daniel Peter.

O Brasil ocupa posição de destaque no cenário internacional. É a sétima potência na produção de resinas. Possui capacidade instalada de 4,4 milhões de toneladas, devendo chegar a 5 milhões de t/ano em 2001, mas não tem contado com contrapartidas internas, “vantagens competitivas no setor petroquímico”, segundo avaliação do presidente do Siresp.

Até a década de 90, foram colhidos os frutos do superávit na balança comercial, mas de 1995 a 1999, a situação mudou de figura, de acordo com diagnóstico efetuado no âmbito do Fórum de Competitividade da Indústria do Plástico, revelando que, nesse período, o déficit na balança comercial somou US$ 600 milhões.

Impulsionadas pelos pujantes cenários da globalização, favoráveis à modernização das indústrias, as petroquímicas brasileiras promoveram expansões com a doce ilusão de atender à crescente demanda do mercado interno. Segundo levantamento efetuado pelo próprio Siresp, só nos últimos três anos foram injetados no setor investimentos em torno de US$ 2 bilhões, montante canalizado para concluir mais um ciclo de desenvolvimento do setor petroquímico brasileiro.

Porém, à semelhança do que se observa em outros setores produtivos da economia, não bastou aos empresários munirem-se da crença inspirada no ideal de construção dos grandes projetos, e de estratégias delineadas em direção a um único caminho, delegando ao mercado a incumbência de absorver a produção, baseada na tese inconteste de haver sempre nos países emergentes significativas parcelas de consumo represado. 

Em síntese, reconhece-se que, embora a estabilidade de preços no decorrer de 2000 tenha beneficiado toda a cadeia, segundo avaliou o próprio Jean Daniel Peter, as indústrias de resinas vivenciaram momentos de pico de ansiedade, gerados por aumentos de custo de matérias-primas, com a nafta elevando-se em 75%, o eteno, em 28%, e as resinas registrando índices de aumento igual a zero, sem que houvesse a possibilidade de recuperar margens. 

“A indefinição em relação aos preços da nafta é fator preocupante, pois o acordo firmado com as centrais petroquímicas até 31 de dezembro de 2000 garante a matéria-prima em valores equivalentes aos praticados na Europa, mas essa política inviabiliza as exportações brasileiras de resinas e transformados para países outros que do Mercosul”, argumentou.

“Os nossos excedentes constituem o nosso grande problema”, continuou Peter, em alusão a fatos pouco alentadores para o setor, como de que, em julho de 2000, o nível de estoques das empresas brasileiras atingia o volume de 240 mil toneladas e de que a balança comercial fecharia deficitária em US$ 33 milhões. 
Sem querer alardear catástrofes ou dar sinais de pessimismo, Peter não descartou a possibilidade de que o pior ainda pode estar por vir, na tentativa de munir de forças os empresários e talvez melhor preparar ânimos, para que possam enfrentar o agravamento da situação em 2001. 

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