PRFV RECONQUISTA ESPAÇO
E EXIBE METAS AMBICIOSAS
PARA O INÍCIO DO MILÊNIO



SIMONE FERRO

"Faz parte de estratégia reforçar a participação em feiras setoriais no Brasil e no Exterior"

José Alaor Alves, Presidente da Associação de Materiais Plásticos Compostos (Asplar)

O ano 2000 vai ficar na história da indústria nacional de compósitos. Os últimos 12 meses do século XX marcaram a volta da exposição exclusiva do setor, suspensa há 12 anos e registraram o aumento de 5% no consumo de plástico reforçado com fibra de vidro (PRFV), totalizando 130 mil toneladas e uma receita de R$ 700 milhões provenientes da venda de produtos acabados. Também consolidaram aplicações importantes, como as caixas d’água, principais concorrentes dos reservatórios de fibrocimento; acompanharam o avanço de processos produtivos mais eficientes e econômicos como o RTM (resin transfer molding) de baixa pressão (RTM Ligth); e o surgimento de novos mercados, como os tanques de combustível 100% plástico. Na verdade, os cinco exemplos citados representam muito pouco perto do que o setor conquistou na última década, mas dão uma pequena mostra do seu potencial de crescimento e da versatilidade do material, com mais de 40 mil aplicações registradas no mundo inteiro.

Não é para menos que o presidente da Associação de Materiais Plásticos Compostos (Asplar), José Alaor Alves, prevê um início de século com muito trabalho. Entre as metas da entidade para ampliar e divulgar a ação dos compósitos estão a participação em feiras nacionais e no exterior, a criação de normas de qualidade, a promoção de palestras técnicas e o intercâmbio com outros países, onde o PRFV possui maior penetração. Promete ainda cutucar feras mais poderosas, como as indústrias de fibrocimento, favorecidas por uma série de incentivos fiscais que os materiais compostos também passam a reivindicar.

De acordo com números divulgados pela entidade, o setor compõe-se de mais de 2.500 empresas e gera 100 mil empregos diretos. Desse total, 66% são transformadores; 15%, empresas que empregam peças de PRFV em seus produtos finais; 10%, prestadores de serviços; 5% correspondem aos fabricantes de resinas, produtos auxiliares e equipamentos; e 4%, distribuidores e revendedores de insumos e máquinas.

Entre os principais segmentos de atuação destacam-se o da construção civil, transportes, eletroeletrônicos, esporte, lazer, autopeças etc. O consumo de PRFV deve crescer 5% em 2001, valor ainda aquém do seu potencial e extremamente distante da demanda registrada em outros países. Enquanto o consumo per capita brasileiro é de aproximadamente 0,5 kg, a média americana fica em 12 kg; a japonesa, 7; e a européia, 6 kg.

A principal diferença, no entanto , refere-se às tecnologias empregadas. Dos mais de 1.600 fabricantes de peças de plástico reforçado em atividade no País, 74% empregam processos artesanais, como o spray up (56%) e hand lay up (18%). Apenas 6% usam o RTM, 1% BMC (bulk molding compound) e 1% o SMC (sheet molding compound). No exterior, os processos manuais, empregados em pequena escala, estão condenados devido à alta emissão de estireno. Ajudar a reverter esse quadro no Brasil é uma das missões da Asplar. Para isso, a entidade se engajou em várias frentes de trabalho que visam desde a divulgação do material em universidades à ampliação dos serviços de assistência técnica ao transformador.

De acordo com a entidade, 65% dos transformadores se concentram em São Paulo, com grande variedade de produtos, entre eles tubos, autopeças, reservatórios, tanques etc. Outros pólos de produção encontram-se em Caxias do Sul-RS e Joinville-SC, principalmente para atender ao segmento automotivo. Belo Horizonte-MG destaca-se na fabricação de tubos, revestimentos e autopeças e no Rio de Janeiro se instalaram as duas maiores indústrias de pultrusão do País, a Cogumelo e PCR.

Reforço institucional — De acordo com Alves, apresentar o material e mostrar suas vantagens torna-se imprescindível para promover o desenvolvimento do setor. Já estão programadas para este ano jornadas técnicas a serem divulgadas após confirmação de datas. A entidade também se coloca à disposição das instituições de ensino, empresas e associações de classe para ministrar palestras. “Muitos engenheiros e arquitetos saem da universidade sem conhecer os materiais compostos e suas aplicações”, justifica Alaor.

Além disso negocia a sua inclusão na Brasilplast 2001, iniciativa inédita na história da associação. “Faz parte da estratégia reforçar a participação em feiras setoriais no Brasil e exterior.” Em abril de 2000, além de levar 35 associados para a JEC, em Paris, França, maior exposição do setor de materiais compostos do mundo, a Asplar também participou como expositora. “No total, a comitiva compunha-se de 70 brasileiros.” Este ano, pretende repetir a dose.

Segundo Alves, a entidade intensificou a troca de informações entre a indústria nacional e os empresários estrangeiros. Participou de reuniões com o Sindicato dos Fabricantes de Materiais Compostos da França e conseguiu firmar acordo com o Ministério da Indústria e Comércio daquele país visando o intercâmbio tecnológico, formação e treinamento de mão-de-obra. Em maio, integra o Fórum de Inovação, em Porto Alegre, evento realizado em parceria com o consulado francês.


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