

|
Outra briga que Maristela vai encarar é a questão da isonomia de impostos para a importação de componentes. “Quando importo insumos para minhas máquinas pago taxa superior à que o meu cliente desembolsa para importar a máquina pronta”, reclama. Enquanto a taxa para equipamentos é de 18% (deve cair para 14%, em janeiro de 2001), os componentes chegam a pagar entre 23% e 26%, encarecendo os produtos nacionais. “Fica difícil fabricar equipamentos mais modernos e produtivos para competir com os de fora”, alega Maristela.
Além das taxas de importação, a presidente da Câmara Setorial queixa-se da lentidão da reforma tributária, punindo a indústria nacional numa economia globalizada. De acordo com a presidente do órgão, o brasileiro paga 9,5% a mais de impostos em relação ao concorrente internacional, o qual ainda dispõe de financiamento de longo prazo.
Na lista das barreiras a transpor ainda perdura a antiga questão do financiamento. O quadro deve melhorar um pouco com acordos efetuados entre a Abimaq e alguns agentes financeiros, como Bradesco, Banco do Brasil, HSBC e Nossa Caixa para facilitar o acesso aos recursos do Finame. “O papel da Abimaq é mostrar ao banco que o grande volume de negócios compensa o ganho menor”, informa Maristela. Segundo ela, a estratégia tem funcionado.
Mas nem só dificuldades pesam na balança da Câmara. Também há conquistas e uma das principais delas, na opinião da presidente, foi a assinatura, em 1995, da convenção coletiva sobre prevenção de acidentes que obrigou a indústria a instalar dispositivos de segurança em todas as injetoras para plásticos. Ela também menciona a criação de uma linha especial de financiamento via Finame na qual máquinas usadas entram como parte de pagamento na aquisição de novas. O acordo ainda estabelece o sucateamento dos equipamentos antigos pelas empresas que os recebem. Projetos em andamento visam melhorar a segurança dos moinhos.
Briga equilibrada – Não existe defasagem tecnológica nos equipamentos nacionais para plásticos, na opinião de Maristela. “Podemos participar de qualquer feira no mundo sem fazer feio em nenhuma área”, garante. Segundo ela, todos os segmentos exportam. Em seus cálculos, o volume destinado ao mercado externo varia entre 25% e 40% da produção, com destaque para os setores de filmes flexíveis (extrusoras, corte e solda etc) e injetoras.
Aliás, incentivar as exportações também faz parte das metas da Abimaq. Para tanto, estimula seus associados a participarem de programas de aprimoramento da gestão da qualidade e de certificação de processos como o Programa Abimaq de Excelência (PAE); os orienta a desenvolver a qualidade de seus fornecedores e, ainda, a participar de feiras e congressos internacionais de modo a atualizar os conhecimentos tecnológicos dos produtos do setor.
|
SETORIAL DE PLÁSTICO FECHA O ANO COM BONS RESULTADOS |
|
Renomeado Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria de Plásticos (Csmaip) há cerca de dois anos, o antigo Departamento Nacional de Máquinas e Acessórios para a Indústria de Plásticos foi fundado em 1965 com o papel de defender e encaminhar os pleitos do setor junto às esferas governamentais, bem como favorecer o aprimoramento tecnológico e auxiliar os fabricantes na comercialização de seus produtos nos mercados interno e externo.
Para associar-se, o fabricante deve ter os equipamentos produzidos no Brasil e registrados nos órgãos competentes e ter no mínimo 30% de índice de nacionalização. Precisa, ainda, apresentar contrato social com a última alteração, comprovante de faturamento anual para cálculo das mensalidades e relação de, no mínimo, cinco clientes e três fornecedores. A Abimaq representa hoje 4.500 fabricantes de máquinas, dos quais 139 do setor de plásticos, mas o total de afiliados se restringe a mil, com apenas 49 da indústria do plástico.
Os dados da Csmaip apontam forte concentração dos fabricantes de máquinas e acessórios para plásticos em São Paulo (74%). A segunda posição pertence ao Rio Grande do Sul (7%), seguido do Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais e Espirito Santo.
Em termos de desempenho, o ano de 2000 garantiu bons resultados à maioria dos setores. Graças à forte procura por embalagens de maior valor agregado, deslancharam os negócios de extrusoras, principalmente às destinadas à produção de filmes multicamadas. Também tiveram igual sucesso as máquinas de corte e solda; além de outros tipos de equipamentos voltados para essa área. Também o mercado de injeção reagiu bem, impulsionado pela indústria automobilística.
Já o segmento de sopro penou bastante e ainda não deu sinais de recuperação. Na opinião da presidente, Maristela Simões de Miranda, os negócios fracos devem-se, talvez, ao fato de a indústria de transformação ter investido pesado em sopradoras nos anos anteriores e, marcado pela ociosidade, o ano de 2000 não abriu brechas a novos investimentos. Outra justificativa seria a perda de mercado para os flexíveis, como sucos concentrados, que substituiram frascos de PET por stand up pouch (tipos de sacos plásticos com
base). |
|
|