MERCOPLAST 2000

Carioca cobra pólo gás-químico

Com o objetivo de alanvancar os negócios do setor plástico no Rio de Janeiro, o Mercoplast 2000 – Exposição e Encontro de Negócios, de periodicidade bienal, realizado de 21 a 23 de novembro na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), reuniu cerca de 60 expositores. A meta era atrair visitação diária de 3 mil pessoas e promover negócios da ordem de R$ 50 milhões ao longo do próximo ano, informou o organizador, Gilberto Jaramillo, presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Rio de Janeiro (Simperj). Segundo ele, os objetivos foram cumpridos.

A visitação não foi a esperada, pois o fluxo ficou em cerca de 800 pessoas/dia, mas a previsão de negócios se mantém, na opinião de Jaramillo, pois a maioria das empresas presentes mostrou-se satisfeita com os resultados da exposição. Os comentários dos responsáveis pelos estandes, no entanto, contrariam essa versão. Para eles, a visitação ficou aquém das expectativas, e as possibilidades de gerar negócios, idem, salvo poucas exceções.
Cuca Jorge
Jaramillo: força para impulsionar a indústria de transformação

Outro propósito do evento foi reivindicar do governo ações a fim de desemperrar a implantação do pólo gás-químico, cujo projeto prevê a produção de 515 mil t/a de PEAD/PELBD a partir de eteno de gás natural. “A parcela financiada pelo Eximbank já foi aprovada. Só falta o sinal verde do BNDES”, informou Jaramillo.

Durante a abertura do Mercoplast, o secretário estadual da Secretaria da Indústria Naval, Energia e Petróleo, Wagner Victer, foi direto ao ponto. Cobrou do governo maior agilidade na liberação dessa verba, orçada em US$ 300 milhões. A construção da Rio Polímeros, fábrica de 500 mil m², ao lado da Reduc, deve absorver investimento total da ordem de US$ 900 milhões.
Na opinião de Jaramillo, o pólo gás-químico representa grande oportunidade de recuperação para a indústria de plástico do Rio de Janeiro, que já chegou a empregar cerca de 32 mil pessoas no passado, contra 17 mil na atualidade. Estimado pelo dirigente em torno de 700 empresas, o parque industrial do Rio de Janeiro transformou cerca de 360 mil t de plástico no ano passado e faturou em torno de US$ 1,3 bilhão.

O dirigente situa o Rio de Janeiro como o segundo maior consumidor de resinas do País, com capacidade instalada de 57 mil t/mês, baseado em informações apresentadas por Ana Beatriz Tomás Salles, da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin), durante palestra de abertura do I Seminário de Competitividade da Indústria de Transformação de Plástico, realizado em paralelo ao Mercoplast. O III Encontro Regional de Polímeros, promovido pela Associação Brasileira de Polímeros (ABPol) regional, completou a programação.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Merheg Cachum, também prestigiou o encontro. Seu discurso abordou o grande potencial da indústria brasileira de plástico e dos projetos de expansão até 2008, com programas de investimentos totais da ordem de US$ 17 bilhões, contemplando toda a cadeia produtiva. Só a área de transformação deve responder por US$ 9,7 bilhões desse montante.

Palestras – Pobre em quantidade de participantes (sabe-se lá o porquê, muitos inscritos pagaram e não apareceram), o Seminário de Competitividade e o Encontro de Polímeros foram ricos em qualidade. Gerente de marketing estratégico da GE, de São Paulo, Marcelo Yano identificou as principais oportunidades de crescimento para os plásticos de engenharia.

Além dos desenvolvimentos constantes para a indústria automobilística, Yano vê forte potencial de novas aplicações em máquinas de lavar e geladeiras, por exemplo, graças à preocupação cada vez maior dos fabricantes em diferenciar seus produtos. E o plástico oferece liberdade de design e garante melhor apelo visual.

Com o advento da tecnologia de injeção de parede fina, as resinas especiais também devem ganhar espaço no mercado de telefonia celular, na opinião de Yano. Além disso, a tecnologia aprimorada de produção do policarbonato, com grades de altíssima pureza, possibilitaram a expansão do mercado de áudio (CDs) e agora de vídeo, os famosos DVDs.

Supervisor de vendas da Battenfeld, de São Paulo, Marcos Cardenal tratou das novas técnicas de injeção: a gás (ver PM 314, página 56), multi-componentes, co-injeção (multicamadas que possibitam empregar resina recuperada no miolo), injeção híbrida, e tecnologia de ciclos rápidos e paredes finas. Na opinião do palestrante, as principais tendências do mercado mundial são reduzir ciclos, produzir peças de maior complexidade geométrica e elevar o número de cavidades por molde, diminuir os refugos e também o consumo de energia elétrica.

Desenvolvimento de mercado e novas aplicações foi o tema desenvolvido por Wander Montesso, chefe do departamento de desenvolvimento de mercado da Ipiranga Petroquímica, situada em Triunfo-RS. Ele destacou o grande potencial do PEAD na produção de caixas d’água, cujo mercado total, hoje, abrange entre 2 e 2,5 milhões de unidades, sendo que a demanda de termoplástico para o setor é de apenas 35 mil t/ano.

Outra área destacada pelo representante de Ipiranga são os frascos soprados para a indústria alimentícia, com destaque para o PEAD e o PP. Em suas contas, há um mercado potencial para o PEAD de 150 mil t/a na área de leites pasteurizados e esterilizados e outros 30 mil no segmento de sucos e frutas. No campo do polipropileno, dividido em sopro, extrusão e injeção, as maiores taxas de crescimento se situam na extrusão, com destaque para as fibras cortadas e big bag, ambos com 10% ao ano.

A injeção demonstra mais fôlego na área de móveis e baldes industriais, com crescimentos de 19% e 17%, respectivamente. Só a produção de baldes industriais (para envase de tinta látex) representa um potencial de 11 mil t/a. Outro mercado potencial desconhecido no País mas bem desenvolvido no exterior, a fabricação de carrinhos de supermercado de PEAD ou de PP poupa custo de manutenção.

De acordo com Montesso, os proprietários dos supermercados despendem 41% do valor da compra só com manutenção dos carrinhos metálicos. Além da evidente economia, o plástico oferece maior liberdade de design e facilidade de limpeza. Nos cálculos do palestrante, essa aplicação poderia absorver cerca de 70 mil t/a de resina em cinco anos.

Filial brasileira – O fabricante de injetoras alemão Arbug decidiu investir na proximidade com o cliente e, desde agosto, deixou de ser representada pela Brevet e assumiu o posto de filial brasileira. Para gerenciá-la convidou Alberto Kolm, seu antigo representante. Segundo ele, a idéia da empresa é fazer do País seu Centro de Tecnologia para a América do Sul. Para tanto, prevê investimentos da ordem de US$ 7 milhões no projeto, que contempla a construção de um edifício de 2.700 m² de área em São Paulo, com direito a show room equipado com seis máquinas de última geração e disponibilidade para os clientes testarem seus moldes e desenvolverem tecnologias de processamento. Com inauguração prevista para novembro do próximo ano, o Centro ainda contará com uma sala de treinamento para absorção das novas tecnologias pelos clientes. A meta para o mercado brasileiro é atingir pelo menos 25% de participação em cinco anos.

Recentemente, a Arbug concluiu investimentos da ordem de US$ 85 milhões em expansão da matriz, a fim de elevar a capacidade de tonelagem das injetoras e também o volume de produção. Como resultado, já é possível encomendar máquinas de 400 t de força de fechamento (o limite era 250 t). A ampliação da capacidade instalada, efetivada em setembro, permite hoje à empresa fabricar um equipamento por hora. Mas Kolm avisa: as máquinas só são produzidas sob encomenda, de acordo com as necessidades específicas do cliente. n M. A. Sino 

 
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