TUBOS DE PE AQUECEM MERCADO DE EXTRUSORAS

Fabricantes de extrusoras se beneficiam com o aumento da
demanda de subdutos para gás e telecomunicações e vendem
máquinas de alta tecnologia e maior produtividade

Simone Ferro

Os fabricantes de extrusoras estão otimistas. Em 2000, as vendas cresceram, chegando, em alguns casos, a registrar alta de até 50% quando comparadas a 1999. Parte da reação demanda da modernização do parque industrial, com a substituição de equipamentos obsoletos. Porém, o avanço de novos mercados, como o de tubos de polietileno para telecomunicações e gás, responde pela principal parcela de negócios. No segmento de filmes, a consolidação da coextrusão de múltiplas camadas com barreira movimentou as vendas de equipamentos de alto desempenho e maior valor agregado.

Novos investimentos ampliam uso de tubos de PE

Baseados nos resultados obtidos neste ano, as indústrias de máquinas nacionais e importadas projetam um início de milênio bastante promissor e contam com a Brasilplast 2001 para aquecer ainda mais as vendas. Panorama oposto ao do ano passado, em especial para os equipamentos importados, devido principalmente à desvalorização do real. A acomodação da moeda trouxe alguma estabilidade, mas o aumento do consumo e surgimento de novas aplicações garantiram resultados extremamente favoráveis na avaliação de representantes do setor. A carência do País em infra-estrutura de saneamento básico também impulsiona os investimentos. Calcula-se que apenas 30% da população brasileira tenha acesso a água e esgoto encanados.

Embora com grande potencial de crescimento, o segmento de tubos de policloreto de vinila (PVC) possui capacidade instalada superior à demanda, minando as expectativas dos fabricantes de extrusoras por novos investimentos. “Esse setor investiu muito nos últimos anos e hoje tem um parque industrial bem montado e de alta produção”, afirma o gerente da Ferrostaal, Christoph D. Rieker, responsável pela representação no Brasil das extrusoras para tubos, perfis e chapas da alemã Battenfeld. Já a extrusão de perfis e chapas de PVC permanece em alta. Segundo ele, as extrusoras monorrosca para subdutos de fibra ótica e tubos para gás puxaram as vendas. Embora 1999 tenha marcado o início das privatizações nos segmentos de telecomunicações e gás, os investimentos ganharam fôlego a partir de 2000. 

Cuca Jorge

Rieker: "setor atrai cada vez mais investidores"

Não há valores precisos, muito menos previsões capazes de mensurar a demanda desse mercado no Brasil. Os números variam muito, tornando-se altamente especulativos. Vão de 300 mil a 1 milhão de quilômetros de cabos/ano. Já o setor de petróleo e gás deve consumir investimentos da ordem de 100 bilhões de dólares nos próximos 10 anos, avaliam os especialistas.

Porém, um bom indicativo de que o segmento caminha a passos largos, além de atrair um número cada vez maior de investidores, refere-se ao volume de máquinas comercializadas. De acordo com Rieker, só neste ano foram comercializadas 15 máquinas para a confecção de tubos de polietileno, contra duas unidades em 1999. Alta registrada também pela Imacom, fabricante nacional com sede em São Bernardo do Campo, que vendeu 12 linhas e espera crescer ainda mais em 2001.

Não é para menos pois, de acordo com Rieker, há três anos quatro transformadores atuavam na área. “Hoje são cerca de 30 em todo o Brasil”, estima. O mesmo ocorre com o segmento de gás, disputado durante algum tempo apenas pela Brastubos e Transtubos. Recentemente, tradicionais moldadores como a Tigre, Weebn e Polierg também investiram no novo filão. Segundo Rieker, existem pelo menos mais três empresas em processo de transição. Porém, prefere manter os nomes em sigilo.

A Battenfeld oferece equipamentos com diâmetro de rosca a partir de 30 mm e produção de 50 kg/hora até 120 mm de diâmetro de rosca para 1.200 kg/hora. De outra representada, a Drossbach Maschinenbau, da Alemanha, a Ferrostaal importa as linhas de extrusoras para a confecção de tubos corrugados, outro mercado em crescimento. 

Divulgação

Modelo com rosca co-rotante atende setor de compostos

Destinados à condução de cabos elétricos, drenagem de solos e condução de água, entre outras aplicações, oferecem a mesma estabilidade do tubo liso, porém com 30% menos resina, segundo informações de Rieker. “Trata-se de um mercado novo e de alta tecnologia”, avalia.

Nos últimos cinco anos, a Ferrostaal instalou no País aproximadamente 120 extrusoras, a grande maioria para o processamento de PVC. A empresa representa também a alemã Inoex, fabricante de periféricos, entre eles balanças gravimétricas e medidores de espessura por ultra-som. Da Theysohn, também alemã, revende as extrusoras co-rotantes (duas roscas que giram na mesma direção) destinadas à fabricação de compostos plásticos, masterbatch etc.

Na avaliação de Rieker, o Brasil importa em média 150 extrusoras por ano, para as mais diversas aplicações, incluindo filmes, tubos, chapas e perfis. A divisão de máquinas plásticas da Ferrostaal vendeu no último ano fiscal (junho de 1999 a julho de 2000), mais de 10 milhões de dólares no mundo todo. No Brasil, 90% das vendas ocorre por meio de financiamento próprio com prazos que chegam a cinco anos.

 
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