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Plastificantes – Sua produção anual na Europa Ocidental aproxima-se de um milhão de toneladas, constituindo, portanto, a commodity química que detém a liderança entre todos os aditivos empregados em polímeros. Classificam-se em duas grandes categorais: monoméricos e poliméricos.
Estimativas sobre o mercado europeu dão conta de que 85% dos plastificantes correspondem à demanda por ftalatos, 95% da qual sendo canalizada para as aplicações no PVC, na forma de DOP, DINP (diisononil ftalato) e DIDP (diisodecil ftalato), principalmente.
Para dimensionar o mercado brasileiro qualquer inferência sobre o consumo de aditivos deverá considerar, portanto, a demanda correspondente ao PVC, atualmente em torno de 650 mil toneladas ao ano, na proporção de 65% para rígidos e 35% para flexíveis, pois os dados mais abrangentes ainda não são apurados pelo setor.
Assim, o consumo interno do plastificante DOP, considerado o líder entre os ftalatos, chega a ser avaliado em torno de 60 mil toneladas ao ano. Seu emprego, portanto, acabou se generalizando em vários processos de transformação, os quais incluem extrusão, injeção, moldagem rotacional, calandragem, espalmagem, entre outros.
A família dos ftalatos, porém, é bem mais ampla e agrega tantas outras substâncias. Reconhecido como o plastificante com melhores propriedades em baixas temperaturas e compatível com a maior parte das resinas poliméricas, o DIBP (diisobutil ftalato) é indicado para a produção de pigmentos e plastissóis.
Com alto poder de solvatação e solubilidade na maior parte dos solventes orgânicos, óleos e resinas, o DBP (dibutil ftalato) tem emprego assegurado em processos de moagem de pigmentos, resinas de moldagem, “couro artificial” etc.
Apresentando baixa volatilidade, baixa migração e alta resistência elétrica, o DIDP (diisodecil ftalato) tem emprego recomendado para revestimentos de fios e cabos elétricos, filmes calandrados e extrudados, além de componentes de PVC para as indústrias automotiva e de revestimentos.
Indicado na produção de compostos para revestimentos de condutores elétricos em razão de suas características dielétricas, o DINP (diisononil ftalato), de acordo com orientações publicados pelo Instituto do PVC, constitui plastificante que também se aplica à formulação de plastissóis para a indústria automotiva, em virtude também da sua baixa volatilidade.
Por fim o DOA (dioctil adipato), produto com comportamento versátil às baixas temperaturas e pouco volátil nas altas, tem usos consagrados nas aplicações que exigem plásticos sem odor e gosto, integrando-se ainda às formulações de revestimentos de cabos elétricos, peças para a indústria automotiva, embalagens etc.
Plastificantes monoméricos – Nessa categoria situam-se os aditivos de maior emprego mundial e nacional, formulados à base de ftalatos, adipatos, fosfatos, acetatos etc. Há mais de uma centena de formulações disponibilizadas ao mercado nacional pela Ciquine, Elekeiroz, Exxon, Bayer, Petrom, entre outras.
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Tomando por exemplo a Bayer, há mais de uma dezena de formulações disponíveis, entre as quais assumem maior importância as especialidades ftálicas da linha Unimoll, comercializadas em preparados sólidos e líquidos. O Unimoll BB, à base de benzil butil ftalato, segundo o coordenador para a América Latina do departamento de aditivos para polímeros, da Divisão de Produtos Especiais da Bayer S.A., Cláudio Lorena, foi desenvolvido para reduzir a aderência de sujidades em revestimentos de pisos em PVC, enquanto Unimoll 66, à base de di ciclohexil ftalato, atua em plastissóis e adesivos, especialmente no aumento da viscosidade, sendo ainda usado como inibidor de peróxidos. |
Cuca Jorge

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Lorena: consumo sem
restrições para os não ftálicos |
Propriedades especiais também são encontradas entre os plastificantes Mesamoll, à base de éster alquil sulfônico de fenol, pois, embora não sejam ftálicos, são capazes de apresentar gelificação a uma temperatura ao redor de + 117° C, fazendo com que o composto de PVC possa ser processado a temperaturas mais baixas, o que resulta em ganhos de produtividade, em comparação com as commodities ftálicas, e apresenta a vantagem de poder ser empregado sem qualquer tipo de restrição, segundo Cláudio Lorena.
Compatível com ampla variedade de polímeros, incluindo PVC, PU, além de borracha natural, a linha Mesamoll, segundo o fabricante, é capaz de resistir à saponificação, não se degradando em meio alcalino, o que assegura aplicações em mangueiras para bombeamento de concreto e nas operações de limpeza de injetoras.
A demanda pelo produto, segundo ele, intensificou-se na Europa no decorrer de 2000, quando foram deliberadas as restrições ao emprego dos ftalatos pelos seus possíveis efeitos carcinogênicos. Adjacente a isso, a descoberta de alternativas técnicas a esses produtos, apontando quais seriam os seus virtuais sucessores, alimenta várias polêmicas, suscitando a cada dia novas informações e discussões técnicas mais acaloradas.
Um dos instrumentos utilizados pelas empresas e especialistas na tentativa de elucidar algumas dessas questões estariam, segundo Cláudio Lorena, associados aos estudos comparativos envolvendo a migração, segundo os padrões da Norma DIN 53405, cujos resultados poderiam evidenciar diferenças de comportamento entre os vários plastificantes empregados no mundo.
Num dos estudos promovidos pela Bayer, as análises foram feitas a partir da preparação de um filme com 65 partes de PVC e 35 partes de alguns tipos de plastificante. O corpo de prova cortado foi colocado entre papel-filtro e pressionado por um peso padronizado. Após nove dias a uma temperatura de 70° C, a perda de peso do filme de PVC que sofreu a absorção foi de 3,8% para o DOP, 0,8% para o plastificante polimérico do tipo ftalato (Ultramoll PP) e de 0,4% para o plastificante polimérico do tipo adípico (Ultramoll III).
“O plastificante Mesamoll, considerado monomérico, porém, de cadeia mais longa”, afirmou Lorena, “apresentou migração sensivelmente menor que o DOP, permanecendo por maior tempo na película, e revelando migração bem superior à de um plastificante polimérico”. Com tal grau de superioridade técnica, o produto teria suas aplicações asseguradas na área médica, além do credenciamento para uso no segmento de embalagens para produtos alimentícios, em virtude de sua aprovação pelo F.D.A. (Food and Drug Administration), órgão oficial dos EUA e controlador da administração dos alimentos e drogas.
Plastificantes secundários – Entre os mais conhecidos nessa categoria está o óleo de soja epoxidado, cujas aplicações no PVC têm registrado progressivo aumento. Até agora considerado um plastificante secundário, o produto é empregado em laminados para o setor automotivo e móveis e também em perfis, para a construção civil, bem como em mangueiras e em peças para eletrodomésticos. Nos últimos anos vem conquistando maior uso em calçados, podendo, ainda, segundo a expectativa dos produtores, deslanchar em 2001 também na produção de filmes esticáveis.
Para o gerente de vendas da Inbra, Teodoro Canossa, o aumento das vendas registrado neste ano foi atípico. Deve-se a fatores circunstanciais. “O consumo aumentou devido aos custos dos plastificantes monoméricos ftálicos”, atualmente mais elevados em relação ao óleo de soja epoxidado, em percentuais oscilando entre 10% e 15%.
Para Canossa, a demanda poderia ser mantida nesses patamares, se fossem cumpridos à risca alguns pressupostos técnicos, até independentes da variável preço. Assim, todas as formulações em PVC, principalmente nos casos de flexíveis e semi-rígidos, deveriam conter 3 partes por cem de resina (p.c.r.) desse tipo de plastificante, para que o produto final pudesse apresentar boa resistência ao intemperismo.
O gerente da Inbra também adverte que, no caso do óleo de soja epoxidado, os volumes empregados nunca podem exceder aos 20 p.c.r., o que nem sempre é cumprido pelas empresas por questão de praticidade ou custo, sob risco de provocar a indesejada migração.
No entanto, para contornar o problema, a empresa está lançando uma nova formulação desodorizada de óleo de soja epoxidado, desenvolvida para emprego em filmes esticáveis de embalagens que entram em contato direto com os alimentos, sem descartar tantas outras possíveis aplicações recomendadas, como em gaxetas para geladeiras e em produtos de uso hospitalar. Mediante aprovação concedida por laboratório europeu, para total sigilo da nova fórmula, o óleo desodorizado foi classificado como Drapex 6.8 - D, e segue em embalagens plásticas para testes junto a vários transformadores.
Outro produto de destaque em formulações que exigem alta permanência do plastificante no PVC é o óleo de linhaça, também fornecido pela Inbra. “Apesar de ter custo 100% mais caro em relação ao óleo de soja epoxidado, o óleo de linhaça é comercializado ao preço correspondente à metade daquele praticado na venda dos plastificantes poliméricos de cadeia longa”, comparou Teodoro Canossa. Em vários países e há algum tempo, esse óleo tem emprego assegurado em fitas adesivas e em tantas outras situações onde a migração é totalmente indesejada, como no caso dos laminados empregados nas indústrias automotivas.
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