ADITIVOS DE ÚLTIMA 
GERAÇÃO APRIMORAM
OS TERMOSPLÁSTICOS

NOVOS DESENVOLVIMENTOS GARANTEM MAIOR TRANSPARÊNCIA E LONGEVIDADE AOS POLÍMEROS, MELHORAM A BARREIRA AO OXIGÊNIO E AINDA DESCARTAM SUBSTÂNCIAS CONDENADAS

ROSE DE MORAES

A oferta de aditivos para polímeros ao mercado brasileiro está mais sofisticada em virtude da comercialização de uma nova geração de produtos inovadores, fruto dos desenvolvimentos locais e globais. A vitamina E, potente supressor de radicais livres em humanos, é cada vez mais aplicada como antioxidante natural. 

Em substituição aos fenólicos, ela se integra à produção de filmes poliolefínicos, assegurando maior longevidade aos polímeros. Retardantes à chama à base de aminas modificadas ou formulados a partir de fosfatos orgânicos apresentam-se como promissoras alternativas aos derivados bromados, caídos em desgraça, tal qual os clorados. Sorbitóis, reconhecidos promotores da sensação de frescor em refrigerantes, são intensificados nas aplicações como agentes clarificantes, tornando os plásticos mais transparentes. Um derivado de ferro surge para impor barreira ao oxigênio em embalagens alimentícias. Plastificantes não-ftálicos são preparados para concorrer em desempenho com o até então imbatível dioctil ftalato (DOP). E, assim por diante, as resinas podem contar com vários incrementos, para que possam melhor acompanhar o padrão de qualidade dos produtos.

Na realidade, nesse vasto campo de aplicações reservado aos aditivos, no qual estão inclusas as famílias de estabilizantes, plastificantes, lubrificantes, expansores, modificadores, antioxidantes, absorvedores de UV e outras, não basta conferir às resinas as propriedades necessárias para a competição com outros insumos, como madeira, aço, alumínio, vidro etc., e sim auxiliá-las para que possam superar seus próprios limites, mesmo em situações que envolvam polímero contra polímero.
Tendência atualmente observada no campo das especialidades é que os novos desenvolvimentos cada vez mais se apresentam apropriados às aplicações em nichos de segmentos, privilegiando outros polímeros além do PVC e com atuações muito específicas.

Discussões que se pretendem mais aprofundadas nesse campo também não podem desconsiderar o revés de condicionantes externos, ditados por condutas ambientalistas muitas vezes transformadas em leis e regulamentações, resultando em conjunto de proibições, restrições ou na fixação de prazos para se encontrar alternativas ao uso de uma série de produtos, como os estabilizantes à base de chumbo, plastificantes à base de ftalatos, retardantes à chama derivados do bromo e outros.

Não obstante o clima de inquietude que possa estar sendo gerado entre os transformadores, principalmente sob os aspectos da diversidade de regulamentos e das exportações que, assim, podem submeter manufaturados plásticos brasileiros a “barreiras técnicas”, fornecedores, entre outras empresas com atuação nesse mercado, demonstram ter maturidade suficiente para encarar com certa tranqüilidade o cenário de mudanças, antecipando-se em desenvolver alternativas às linhas tradicionais de produtos, sinalizando para a viabilidade de ocorrer uma pacífica convivência entre o velho e o novo.

Estabilizantes térmicos – Movimentam negócios no País correspondentes aos volumes consumidos e estimados em torno de 15 mil toneladas ao ano. Têm a missão de proteger as resinas termoplásticas contra a degradação causada pelo processamento e podem ser formulados à base de óxido de chumbo, sais de chumbo e seus derivados, como sulfatos, estearatos, fosfitos etc. Também são freqüentemente comercializados na forma de co-precipitados à base de chumbo ou de cálcio-zinco, bário-zinco, estanho, cádmio-zinco etc.

Exceto nos países da América do Norte, onde 99% dos sistemas de estabilização voltados à produção de tubos e conexões em PVC ( o segmento de maior consumo desse aditivo) utilizam estanho, a estabilização feita com chumbo é predominante na América do Sul ( 95%), África (100%), Europa (85%), Oriente Médio (95%), Ásia e Oceania (85%), segundo levantamento efetuado pela Bärlocher do Brasil.

Sob o fogo cruzado das investidas ambientalistas, os mercados de atuação dos estabilizantes, que pareciam estar completamente consolidados, estão constituindo um dos alvos de prováveis mudanças graduais, tendo em vista o surgimento de vários regulamentos de caráter proibitivo ou restritivo ao emprego de estabilizantes à base de chumbo em várias partes do mundo.

Na Dinamarca, por exemplo, a partir de 1° de novembro de 2002, o emprego dessa classe de estabilizantes não será mais tolerado em tubos e conexões, registrou a referida informante paulista. Deliberações promovidas na Holanda e Suécia recomendam a substituição voluntária do chumbo até l° de janeiro de 2002, excluindo das possíveis alternativas a estabilização com estanho, o sistema preferido entre os americanos.

Na Grã-Bretanha, o prazo para a sua substituição em tubos e conexões foi fixado para até 25 de dezembro de 2003. Porturgal, por sua vez, tem feito restrições ao zinco e, assim por diante, o mundo caminha como que em direção à Babel.
A escala de produção mundial, porém, estaria mais suscetível às deliberações que possam ser adotadas em países como Alemanha, Áustria, Espanha, Bélgica, França e Itália, que, por enquanto, não têm apresentado restrições aos estabilizantes à base de chumbo, sendo juntos responsáveis por 80% do consumo do l,8 milhão de toneladas de PVC destinado à produção de tubos e conexões de todo o bloco europeu.

Afora as leis, discussões sem-fim são travadas entre a comunidade técnico-científica sobre até que ponto iria a completa atoxicidade de alguns produtos, compreendendo por isso a necessidade de revisão do conceito dos metais pesados, que, além do chumbo, abrange o mercúrio, o estanho, entre outros elementos temíveis pela ação deletéria ao ecossistema.

Na avaliação de especialistas da Bärlocher, tradicional fornecedor local e mundial de estabilizantes, e que dispõe na Itália de uma das linhas mais completas de produtos à base de estanho, além de cálcio-zinco (Itália, Alemanha e Argentina); derivados de chumbo (Alemanha, Malásia, Peru, Argentina e Brasil); bário-zinco (Itália, EUA, Argentina, Peru e Brasil), a demanda interna por estabilizantes à base de chumbo corresponde a 65% do mercado, atualmente avaliado em torno de 15 mil toneladas/ano. 

Os outros 35% da produção estariam suprindo as demandas por estabilizantes à base de bário-cádmio, bário-zinco, cálcio-zinco e estanho.
“Preferimos até agora importar os estabilizantes à base de cálcio-zinco das unidades da Alemanha e da Argentina, para atender ao mercado nacional, pois, para produzi-los localmente, teríamos de promover investimentos da ordem de US$ 2 milhões, e dependemos das decisões dos líderes de mercado, no sentido de que realmente vão promover a substituição do chumbo”, informou Juan Carlos Melcón, diretor presidente da Bärlocher do Brasil.

Cuca Jorge

Mélcon: Importações para suprir o mercado nacional

Por enquanto, segundo ele, entre as alternativas cogitadas para substituir os estabilizantes à base de chumbo em algumas aplicações termoplásticas estariam o cálcio-zinco ou o estanho. Não se pode ignorar, contudo, a realização de outros estudos, ainda mais avançados, que têm colocado em xeque o zinco, que se ainda não integra a lista negra dos indesejáveis à natureza, vem sendo considerado não-totalmente amigável com a ecologia. Tais considerações sugerem ainda outras possibilidades a serem adotadas, as quais estariam baseadas em novas moléculas orgânicas, que propiciariam, por exemplo, a produção em maior escala de estabilizantes à base de compostos orgânicos e de cálcio, as quais, após vários testes realizados na Europa, têm apresentado, segundo Melcón, bons resultados.

Mercado é livre – Outro grande fornecedor presente nesse mercado é a Chemson do Brasil. Pertencendo a grupo financeiro suíço, a empresa foi criada em 2000 e se originou de divisão da Chemetall, que deixou de atuar no mercado de aditivos para polímeros.

Cerca de 80% da sua produção, implementada na unidade de Rio Claro-SP, concentra-se sobre a linha de estabilizantes destinados ao mercado de plásticos rígidos, oferecendo cobertura aos segmentos de tubos, conexões, perfis, fios e cabos e compostos de PVC, com estabilizantes à base de óxido de chumbo e de sais de chumbo, sendo estes últimos os preferidos dos fabricantes de compostos de PVC e borracha.

Há também co-precipitados à base de chumbo e de cálcio zinco, além de estearatos de cálcio e zinco, que atuam como lubrificantes e co-estabilizantes para o PVC e desmoldantes para resinas, sendo demandados para a fabricação das poliolefinas.

Cuca Jorge Hans Juergen Mitteldorf, diretor geral da Chemson do Brasil, acredita que os co-precipitados à base de cálcio-zinco deverão ser os sucessores dos co-precipitados à base de chumbo. Na opinião do diretor, porém, “será uma migração gradativa que deverá iniciar-se em meados de 2001, a partir da introdução dos estabilizantes à base de cálcio-zinco no segmento de tubos e conexões, a exemplo do que já foi feito no segmento de fios e cabos”.
Mitteldorf: teor de chumbo é controlado pelos fabricantes

Segundo ele acredita, fabricantes e transformadores só não farão uso mais intenso dessa alternativa em razão dos custos bem mais elevados do cálcio-zinco, que se tornou mais difundido no mercado nacional durante os últimos dois anos, tendo como exemplo de aplicação o seu principal mercado até agora, formado por empresas que atuam no segmentos de fios e cabos.

A opção por cálcio-zinco tem, sobretudo, na visão do diretor, uma conotação ecológica, pois, segundo considerou, continua não havendo razão técnica para substituir os estabilizantes à base de chumbo que continuam sendo os mais econômicos e versáteis, e adicionados às resinas com total responsabilidade, no sentido de cumprir as leis, especialmente no que se refere ao teor de chumbo. “Na realidade não pretendemos estimular o emprego de nenhum tipo de aditivo em particular, pois o mercado é livre para decidir se fará uso de um, de outro, ou dos dois, sem qualquer tipo de imposição”, ponderou Mitteldorf.

Afora todas as implicações, o segmento de estabilizantes demonstra ter vários nichos a explorar, pois continua atraindo novos investimentos. Depois de ter recém-lançado a linha de estabilizantes IBZ-363, desenvolvida pela Inbra para laminados, espalmados, injetados e extrudados, e que representa uma evolução em relação à linha IBZ-53, com desempenho similar ao do bário/cádmio, sem a “inconveniente” presença do cádmio, a empresa vem pesquisando uma nova formulação à base de cálcio-zinco, para atuar como substituto ao bário/cádmio e até ao próprio bário/zinco, com o objetivo de “atender às exigências de clientes no segmento de laminados e brinquedos”, informou o gerente de vendas da Inbra, Teodoro Canossa.


 
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