Moldagem nos componentes – A rotomoldagem também constitui opção de processo para empresas como a Jacto, fabricante de máquinas agrícolas, de Pompéia-SP, que vem substituindo progressivamente, desde 1997, por polietileno rotomoldado a produção dos tanques pulverizadores de defensivos agrícolas acoplados às máquinas, antes confeccionados em poliéster reforçado com fibra de vidro. “Com o novo sistema, conseguimos reduzir custos e aumentar a confiabilidade na estanqueidade dos produtos em relação a vazamentos. No processo original de fabricação eram necessários mais de dois dias de trabalho, consumidos entre as etapas de laminação, fechamento, acabamento e cura, enquanto que, por rotomoldagem, em duas horas confeccionamos o tanque pulverizador”, compara Marco Antonio de Lima Nunes, gerente do departamento de fibra de vidro e rotomoldagem da empresa.

Composta por pulverizadores de 200 litros, 600, 800, 1500, 2000 e 3000 litros, a linha se complementa com caixas de comando eletrônico, direcionadores de ar, proteções, entre outros componentes, os quais deverão estar sendo fabricados integralmente por rotomoldagem até o final de 2001, segundo prevê o gerente, considerando a produção de três máquinas, entre as quais uma McNeal (americana), com diâmetro de esfera de 70 polegadas, e outros dois novos modelos fabricados pela canadense STP, com diâmetros de esfera de 120 e 140 polegadas, envolvendo capacidade operacional total de 110 toneladas/mês.

Expandindo fronteiras – Especializada na fabricação de componentes rotomoldados para máquinas e implementos agrícolas, como tanques combustíveis, pára-lamas, dutos de transmissão para tratores, caixas de sementes e de adubo, tanques de defensivos, entre outros, a Plastipex, empresa do ramo da transformação por rotomoldagem, sediada em São Paulo, já reservou área de 20 mil m² em município paranaense, para ficar bem próxima da New Holland, fabricante de tratores e colheitadeiras, pertencente ao grupo Fiat/Allis, instalada em Curitiba-PR, e da qual é fornecedora exclusiva. 
Caixa de sementes em produção na Plastipex
“A rotomoldagem tem tudo para crescer no Sul do País, mercado de maior concentração de fabricantes de máquinas e implementos agrícolas, pois o polietileno rotomoldado vem substituindo o aço e a fibra de vidro, expandindo-se cada vez mais pelo mercado de tanques para combustível de tratores e colheitadeiras”, considerou Valter Orlando De Vecchi, diretor industrial da empresa.
De Vecchi: aplicações agrícolas aumentam no Sul

Responsável por uma inovação feita para o segmento agrícola, a empresa orgulha-se de ter desenvolvido na sua unidade e centro tecnológico de Gravataí-RS, três anos atrás, o primeiro pára-lama rotomoldado para trator fabricado pela AGCO, de Canoas-RS. “Foi um desafio muito grande”, lembra De Vecchi, “mas os resultados valeram os esforços, pois conseguimos desenvolver uma peça polida, com padrão otimizado de cor e brilho na superfície, em perfeita combinação com as partes metálicas do trator”.

Para o diretor, desafiante na atualidade também é enfrentar os constantes aumentos de matéria-prima, que ocorrem principalmente nos últimos dois anos. Sob esse apecto, ele ensina como é possível atenuar os impactos dos aumentos, sem repassá-los aos clientes: “Só há uma saída: temos que tornar a empresa mais eficiente, promover investimentos no sistema de qualidade, reduzir os desperdícios, os níveis de perda e baixar os custos da não-conformidade”.

E para expandir o foco de negócios além da fronteira agrícola, vem respondendo às demandas para as quais projeta crescimento, viabilizando, por exemplo, a produção de lixeiras para coleta seletiva, paletes, galões para uso nas áreas químicas e farmacêuticas, e atua nos “novíssimos” mercados, representados por piers (flutuadores) rotomoldados em módulos, que permitem a montagem de plataformas fixas ou móveis para ancoragem de barcos. 

Fidelidade em brinquedos – A rotomoldagem ainda pode explorar um vasto campo de aplicações em polietileno, mas é, sem dúvida, o segmento de brinquedos o seu mais tradicional e fiel seguidor, ao fazer uso do PVC em emulsão em bonecas e bolas, mercado de consumo estimado em 6 mil t/ano, mas que, composto com plastificantes, cargas, estabilizantes térmicos e pigmentos, evoluiria para 10 mil t/ano.

Com atuação voltada para a confecção de moldes para a rotomoldagem de brinquedos, a Kichape, de Cajamar-SP, constitui uma das empresas mais tradicionais do setor, operando com três fornos Tornotex, com diâmetros de boca de 630 mm, para o atendimento de ampla carteira de clientes, como a Baby Brinq, Multibrinq, Sideral, Toyster, Grow, Maralex, Cotiplás, entre outros. 

Moldes para rotomoldar brinquedos em PVC, como se sabe, são confeccionados com ligas de cobre. Recebem banho na parte interna de níquel químico e demandam períodos entre oito e quinze dias para que possam ser executados. Segundo Miguel Antonio Galdeano Girotto, sócio-diretor da Kichape, a produção de um molde-mestre requer várias etapas, iniciadas pela confecção da escultura da peça esculpida em cera; sua pintura com purpurina ou tinta prata contatora; e seu banho para a eletrodeposição de cobre, onde a escultura da peça deverá permanecer por um período entre oito a dez dias, para só depois ter início a usinagem, seguindo-se a etapa de forno para a finalização do molde.

O mercado brasileiro conta com dois fornecedores de PVC para rotomoldagem: a Solvay Indupa do Brasil e a Trikem, da Organização Odebrecht. “O PVC Solvic®, produzido pelo processo de polimerização em emulsão”, explica Nilton Valentim, gerente para o PVC no Mercosul da Solvay, “caracteriza-se fundamentalmente, graças às suas propriedades peculiares de granulometria e ausência de porosidade, pela capacidade de formar pastas bastante fluídas com os demais componentes da formulação, permitindo a conformação desejada da peça dentro do molde.”

De acordo com Valentim, produtos altamente plastificados, como bolas de parque, e bolas de combate (dente-de-leite, promocional, marmorizada, confete etc), que se caracterizam por altos percentuais de carga, contam com a oferta da Solvic 374 MB, a primeira resina de emulsão fabricada no País, “representando homopolímero de bastante tradição, com valor K (medida que fornece idéia aproximada do peso molecular do polímero) igual a 74, que confere boa elasticidade e excelentes propriedades mecânicas aos produtos”. Já as bolas para futebol de salão, campo, basquete, voleibol, etc., que “demandam plastissóis mais fluídos, para melhor preencher as cavidades dos moldes, e comportam maiores níveis de carga, paredes mais espessas e valores K mais baixos, para facilitar a gelificação, contam com outra resina homopolímera, a Solvic 367 NK, obtida pela polimerização em microssuspensão, e que também atende ao segmento de produção de bonecas”, informou ele.

O mix de produtos para os transformadores de emulsão envolve, porém, mais duas resinas, a S 372 HA e a S 373 MY, que, empregadas em associação com as duas outras, assumem, segundo Valentim, importância fundamental no segmento de espalmagem.

Considerada a maior produtora de PVC da América Latina, a Trikem canaliza a produção de quatro especialidades para o segmento de brinquedos. “A linha Norvic, em seu atual estágio de evolução, participa do mercado há três anos”, informou Luciano Rodrigues Nunes, gerente de desenvolvimento, produtos e serviços em PVC da empresa. Há duas resinas de PVC homopolímeras de baixa viscosidade, a Norvic® EP1230CF e a Norvic® EP121LE, que, de acordo com Nunes, apresentam boa estabilidade térmica e fácil desaeração, ou seja, baixa formação de bolhas de ar durante a mistura, tendo emprego indicado para a moldagem rotacional de bolas, bonecas e peças técnicas. Representando produto com alta viscosidade, a resina homopolímera Norvic® P72HA é indicada para a fabricação de bolas. “Há ainda um grade especial, indicado para mistura com os demais, que se destina à produção de bonecas e do qual somos os únicos fornecedores”, complementou Nunes. Trata-se do Norvic® S64BA, considerado um blending para plastissol, que reduz a viscosidade, possui reduzida sedimentação, e não decanta a resina.

Para atender os transformadores da rotomoldagem, a Trikem mantém em funcionamento um laboratório totalmente equipado no Centro Técnico de Serviços, instalado junto à planta da Vila Prudente, em São Paulo, onde são preparados compostos e testados quanto ao desempenho os materiais rotomoldados, sem qualquer tipo de custo para os clientes, segundo informou o técnico de produtos Wagner Ormanji.

 
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