ROTOMOLDAGEM

A PEQUENA NOTÁVEL
TEM FÔLEGO PARA CRESCER


Aditivações especiais incorporadas aos novos grades
tornam a moldagem rotacional mais eficiente e atrativa

R o s e   d e    M o r a e s

As petroquímicas brasileiras resolveram fortalecer o mercado de resinas para rotomoldagem, de modo a aumentar o leque de especialidades antes que outros competidores venham a fazê-lo, tentando beliscar a pequena fatia em consumo, avaliada em 1% pela Abiplast, mas com grande potencial de crescimento, estimado em 20 mil toneladas, somadas as demandas esperadas para este ano do policloreto de vinila em emulsão às várias formulações em polietileno, considerados os principais polímeros rotomoldados.

A Politeno, líder em polietileno para rotomoldagem, estima ter uma participação de mais de 95% nesse mercado, e promete apresentar no final do ano um novo polietileno linear de média densidade, por enquanto mantido em sigilo absoluto, mas que irá representar o quinto produto a ser disponibilizado desde a sua entrada no segmento, em 1992. A OPP praticamente estréia em rotomoldagem, com o LQ-3535 UV. A Ipiranga Petroquímica reassume os negócios no setor, abandonados oito anos atrás, com a oferta do grade HD 7555 LS-L. E, para incrementar ainda mais a oferta, a Dow Química concebe o Dowlex NG 2429NE, na planta de Baía Blanca, na Argentina.

A moldagem rotacional desfruta de boa fama entre os fornecedores. Para o gerente de desenvolvimento, assistência técnica e logística da Politeno, Marcos Rossatti, representa o segmento que mais cresce em polietileno, e apresenta altos índices de evolução da demanda: 1.500 t, em 1992; 3 mil t, em 1994; 13 mil t, em 1999, podendo superar as 15 mil t até o fechamento deste ano. Caixas d’água, brinquedos, reservatórios e tanques para produtos químicos, componentes para maquinários agrícolas são alguns dos segmentos responsáveis por esse aquecimento. 
Rossati: polietileno faz mercado avançar

Bem conhecidos dos transformadores, os quatro grades até agora oferecidos pela Politeno são em base buteno. Três deles são aditivados contra raios ultravioleta (UV), como o RD-34 U3 e o RC-35 U4, que apresentam índices de fluidez 6,00 e 3,50 e densidades de 0,935 g/cm³ e 0,939 g/cm³, respectivamente, e foram desenvolvidos para aplicações em brinquedos e caixas d’água, sendo apenas o último também específico para tanques. O terceiro produto, ou seja, o RA-34 U3, aditivado anti-UV, apresenta índice de fluidez de 4,20 e densidade de 0,935 g/cm³, tendo emprego direcionado a peças técnicas e tanques. Sem especificação anti-UV, mas apropriado para contêineres, é oferecido o tipo RA-34, com correspondentes índice de fluidez de 4,20 e densidade de 0,935 g/cm³.

Aditivado com antioxidantes e anti-UV, o LQ-3535 UV, desenvolvido pela OPP, tem índice de fluidez correspondente a 4,0 g/10 min. e densidade de 0,935 g/cm³. Classificado como um quadripolímero, ou seja, constituído por quatro matérias-primas, em base buteno/hexeno, e de alta performance, o produto tem aplicações especificadas para caixas d’água, reservatórios em geral, brinquedos, componentes automobilísticos, embalagens de alimentos, entre outros.

Na opinião de Jorge Luiz Mônaco, responsável por novos mercados poliolefínicos da OPP, um dos aspectos mais importantes desse grade é a sua aditivação contra degradação térmica, passível de ocorrer em função dos ciclos prolongados de processo, que podem consumir minutos e até horas. 

Para a Ipiranga Petroquímica, a retomada do mercado de rotomoldagem se dá em virtude do aumento da capacidade produtiva, advinda da partida da planta 4 de PEBDL e PEAD, de Triunfo-RS, que ocorreu em setembro último, e do “amadurecimento” do setor, conforme observou Wander Montesso, chefe do departamento de desenvolvimento de mercado e assistência técnica da empresa. “É importante também considerar as novas gerações de máquinas e equipamentos que deixaram os investimentos em rotomoldagem bem mais atrativos em relação à injeção”, comparou. Sua avaliação leva em conta a produção de caixas d’água injetadas, consumindo algo em torno de US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões, contra US$ 500 mil ou US$ 700 mil, previstos para a aquisição de sistemas de rotomoldagem.

A evolução dos grades para rotomoldagem também é atribuída à nova postura dos transformadores. Para tornarem-se mais competitivos, eles querem avaliar se o produto funciona ou não, conhecer até que ponto atenderá às necessidades, bem como levar a testes os novos produtos. “O desenvolvimento do nosso grade levou em conta muitos aspectos, pois, além de apropriar-se ao segmento alimentício e ser aditivado com estabilizante à luz, ele tem a mais alta densidade do mercado ( 0,947 g/m³), e atinge ao duplo propósito de dar maior resistência à peça, e torná-la mais leve, atendendo os segmentos que atuam com reservatórios de produtos químicos, contentores para líquidos e sólidos, caixas d’água, brinquedos de grande porte, caixas e paletes para movimentação de materiais etc,” afirmou Montesso.

A quarta unidade produtiva de PE, com capacidade para 270 mil t/ano, do complexo da Dow Química, de Baía Blanca, na Argentina, inaugurada em novembro passado, também não deverá dar trégua às aplicações em rotomoldagem do mercado brasileiro. “Nossa resina especial apresenta melhores propriedades graças à nossa tecnologia Insite, que utiliza octeno-1, como comonômero, resultando em melhor desenho molecular e maior resistência mecânica aos materiais rotomoldados”, explicou o gerente comercial Luiz Stortini.

Denominado Dowlex NG 2429NE, esse polietileno especial tem como correspondentes índices de viscosidade (IF) igual a 4,0 e densidade de 0,935, recebendo aditivação anti-UV e aprovação FDA, com aplicações indicadas para tanques em geral, tambores para produtos químicos, contêineres para refrigeração, paletes, bulk contêineres, barcos, caixas d’água, brinquedos, entre outros.

Caixa d’água sem tensão – Não há termo de comparação com os americanos, considerados imbatíveis em rotomoldagem, e responsáveis pelo processamento de cerca de 400 mil toneladas/ano de resinas, pela simples razão de que em boa parte dos países do Primeiro Mundo, o fenômeno “caixa d’água” não existe. Ou seja, o reservatório de água tratada e destinada ao abastecimento não é um bem de consumo usual. 

No Brasil, ao contrário, estima-se a venda anual de mais de três milhões de unidades, observando-se forte tendência no emprego do polietileno em substituição ao fibrocimento que, como se sabe, contém amianto, mineral de uso restrito ou em vias de banimento em várias partes do mundo.

 

Houang: processo conquista o segmento da construção

Assim, o polietileno rotomoldado vem conquistando o segmento da construção, onde não faltam elogios inerentes ao processo: “Caixas d’água fabricadas em polietileno por rotomoldagem estão totalmente isentas de tensões residuais, e livres de linhas ou marcas de soldas, o que resulta em produtos finais estáveis, mais flexíveis e resistentes a impactos, sem riscos de deformação ou rachadura, aos quais estariam sujeitas se fabricadas em polietileno injetado”, comenta Paul Houang, gerente de desenvolvimento de novos produtos da Brasilit, a líder de mercado e pioneira na fabricação de produtos em fibrocimento, que definitivamente entrou para o time da rotomoldagem, ao apresentar na última Feicon, a Feira da Construção, realizada em abril passado, a linha de caixas d’água de 500 litros e mil litros. Comercializados sob a marca Aqualev, os produtos são confeccionados em dupla camada de polietileno aditivado com proteção contra os raios solares. Para facilitar a limpeza, receberam a coloração azul claro na parte interna, e azul escuro, externamente. Outros diferenciais estão nas alças, para ancoragem e transporte; no sistema de fechamento por travas e na tampa rotomoldada na cor preta na parte interna, com a finalidade de propiciar total bloqueio UV, complementando-se com azul escuro, na parte externa.

Fabricados em máquinas do tipo carrossel, da americana Ferry, nas espessuras de parede de 4 mm, os dois modelos da linha pesam 25 quilos e 15 quilos, comportando volumes de mil litros e 500 litros, respectivamente. Para haver comparação, o mesmo produto fabricado em fibrocimento, comportando volume de 500 litros, pesaria 60 quilos.

De acordo com o gerente da Brasilit, o tempo de ciclo de produção de uma unidade de Aqualev é de uma hora. A produtividade, no entanto, sofre variações de acordo com a quantidade de braços disponíveis no carrossel, podendo tornar-se ainda mais flexível, com a colocação de diferentes moldes no mesmo equipamento.

 

Aqualev, a caixa d'agua em PE rotomoldado da Brasilit

Tanques até às alturas – Enquanto a Brasilit experimenta há pouco tempo os benefícios da rotomoldagem, a Alpina Termoplásticos está entre as veteranas do segmento, atuando com esse processo produtivo desde 1971, para atender agroindústrias e os mercados químico, têxtil, alimentício, entre outros, na oferta de uma ampla e diversificada linha de produtos de engenharia, destacando-se tanques de até 36 m³, IBC, Intermediate Bulk Containers, contêineres intermediários para transporte a granel, fabricados em vários tamanhos e formatos para armazenagem e transporte de líquidos perigosos.

Em se tratando da produção dos IBC, a empresa dispõe desde dos modelos com gaiolas externas em aço, até os mais sofisticados, providos de gaiola externa em plástico. “Temos como produto top o Unitainer 1000, um IBC totalmente em plástico, ‘incorrosível’ e com manutenção zero, facilmente lavável e altamente resistente, e que proporciona maior segurança para o meio ambiente e para as pessoas que o manipulam”, informou Roberto Landau Remy, responsável pelo desenvolvimento de negócios da empresa. Outras características do Unitainer 1000 estão relacionadas com a estrutura externa em polímero resistente a choques, perfurações, corrosão, intemperismos e à ação dos raios UV. O contêiner também dispõe de visor de nível com escala para controle do volume do fluído; bocal e tampa com lacre, para impossibilitar a violação do produto; válvula de descarga com trava de segurança para garantir a não-violabilidade; além de contentor interno rotomoldado em polietileno com estabilizante UV e palete incorporado como peça única na estrutura.
Remy: leque de opções de resinas ainda precisa aumentar

De acordo com Remy, a empresa ainda oferece soluções completas e sob medida em engenharia de plásticos, as quais permitem reduções de custo no produto final e até substituições de um conjunto de peças por uma peça única.

Adequada aos segmentos que se utilizam de peças ocas, produzidas sem tensões e sem soldas, a moldagem rotacional, segundo Remy, diferencia-se das demais técnicas de transformação basicamente pela rotação biaxial do molde e pelo uso da resina em pó em lugar de pellets – embora, ele mesmo observe estar havendo ultimamente maior difusão no emprego de pellets, com o propósito de baixar os custos dos produtos. Outra particularidade da rotomoldagem é que a fusão da resina se dá no interior do molde, em lugar de fluir sob pressão, o que isenta a peça rotomoldada de tensões. 

No Brasil, segundo avaliação de Remy, as resinas para rotomoldagem ainda apresentam leque relativamente estreito de aplicações. No entanto, complementou: “Tem-se avançado bastante na fabricação de máquinas e complementos, mas o reduzido número de usuários – estima-se a existência de 50 indústrias operando com rotomoldagem no País– e a discutível qualidade dos materiais e recursos tornam ainda insegura a sua utilização, principalmente quando são especificadas temperaturas de operação mais elevadas para encurtar o ciclo produtivo”, alertou.

 
<<< Volta

Próxima >>>