PROCESSO REDUZ CICLO
E CONSUMO DE RESINA


Artigo explica passo-a-passo a tecnologia de injeção auxiliada por gás, empregada desde o início dos anos 70 para a moldagem de peças ocas com grandes vantagens econômicas

MARCOS CARDENAL

A injeção auxiliada por gás é um processo relativamente novo, cada vez mais popular nas indústrias de injeção de plásticos. Este artigo pretende contribuir com informações sobre esse sistema e incentivar transformadores e projetistas de moldes a conhecer os benefícios técnicos e econômicos que a injeção auxiliada por gás pode oferecer.

O processo foi registrado pela primeira vez no inicio dos anos 70, no qual descrevia a fabricação de saltos de sapatos femininos, utilizando injeção de gás com pinos similares ao processo de sopro convencional.

A intenção inicial era poder moldar peças de paredes grossas sem imperfeições na superfície, melhorando assim a qualidade. Porém uma série de outras vantagens foram constatadas, principalmente de ordem econômica, como os tempos de ciclo e o consumo de matéria prima reduzidos drasticamente devido ao interior oco da peça. Contudo, a injeção auxiliada por gás só ganhou impulso comercial nos anos 80, com rápido desenvolvimento nos últimos 5 anos.

Princípio de funcionamento – O processo começa com a injeção de uma quantidade de resina, variável entre 40% e 90% do volume da cavidade, conforme a geometria da peça. Em seguida é introduzido o gás nitrogênio através do canal de injeção ou de agulhas posicionadas no centro da resina quente.

Como a resina em contato com a parede do molde está se solidificando, o gás consegue “empurrar” apenas o material quente em estado pastoso no centro da cavidade, de modo a completar o restante da área de enchimento do molde.

A pressão do gás no interior da cavidade forçando o plástico contra a parede interna do molde, tendo a mesma pressão em todos os pontos, resulta no recalque ideal, pois toda contração do material plástico é compensada pelo gás, eliminando “os rechupes “ e diminuindo o tempo de resfriamento.

Após o tempo de resfriamento, o gás sai da cavidade e, portanto, a peça não fica pressurizada.

Vantagens do sistema – A fabricação de peças com vãos ocos oferecem vantagens particulares conforme a forma geométrica da peça. Para finalidade de estudos e para avaliar estas vantagens, dividimos as peças moldadas em três grupos:

1) Peças de formato tubular
2) Peças de formato plano
3) Peças problemáticas na injeção convencional

Formato tubular – Neste grupo estão as peças com formato de hastes, alças ou cabos. Nestes casos, a injeção auxiliada a gás apresenta diversas vantagens, principalmente de ordem econômica: redução do tempo de ciclo em até 50%; redução no peso da peça em até 50%; eliminação da marcas de superfície (rechupes); e baixas tensões internas.
Formato plano – Este grupo inclui peças como tampos de mesa, frontais de equipamentos eletroeletrônicos, enfim, peças de grandes áreas projetadas. Nestes casos, a força de fechamento é alta e as peças tendem a se deformar devido às tensões internas.

Aqui a injeção auxiliada a gás oferece vantagens especiais, com a possibilidade de inserir nervuras de reforço que conduzem o fluxo de gás ao longo de toda a peça, melhorando a resistência física, reduzindo as tensões e praticamente eliminando as “chupagens”. Geralmente não há redução de peso, porém o processo apresenta outras vantagens significativas, como redução da força de fechamento em até 50%; melhor resistência física; eliminação das deformações de superfície (rechupes); e redução das tensões internas.

 
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