Mostra consolida uso dos plásticos dentro e fora do motor

Mesmo sem apresentar novidades tecnológicas na área dos polímeros,exposição reforçou a participação do material em aplicações nobres

S I M O N E    F E R R O

O 21º Salão Internacional do Automóvel, realizado de 12 a 22 de outubro, no Anhembi, em São Paulo, marcou positivamente a indústria nacional do plástico. Embora a mostra não tenha sido palco de novidades tecnológicas nessa área, serviu para consolidar algumas aplicações importantes e reforçar a tendência de crescimento do material, tanto nas partes externas e de acabamento, quanto na região do motor. 

Cuca Jorge

PA conquista cada vez mais 
espaço no motor

As lentes de faróis em policarbonato (PC) são um claro exemplo da mudança de conceito. 
Tornaram-se uma vitrine, ocupando posição de destaque nos modelos com design mais modernos, como no Picasso, primeiro carro da Citroën a ser fabricado no Brasil, ou no novo 206 Coupé Cabriolet, da Peugeot. As duas marcas associadas inauguram em dezembro a fábrica do Rio de Janeiro.

Enquanto o público em geral dedicava-se a apreciar e conhecer melhor os novos motores, os mais atentos observavam a tendência cada vez maior de encobrir, e ao mesmo tempo integrar, fios, cabos e componentes, numa evidente referência ao estilo clean incorporado da Fórmula I. O Gol Turbo, da Volkswagen (VW), demonstrou a eficiência das poliamidas (PA) para atender a essa finalidade, em regiões de temperaturas altas e intensa vibração. A cobertura de motor, introduzida no mercado no final de 1998, também será vista em modelos da General Motors (GM), como o Astra e a Blazer, consolidando mais uma aplicação dos plásticos de engenharia no setor automobilístico.

A principal finalidade do uso das tampas de cobertura, tanto em veículos leves quanto em caminhões, é a proteção da fiação e dutos do sistema de ignição dos motores eletrônicos. Mais sensível e sofisticado, o sistema eletrônico precisa ser isolado das altas temperaturas e de produtos químicos, como óleos de freio e combustível. A Mercedes-Benz emprega desde o ano passado as tampas de cobertura, confeccionadas em PA (Technyl), reforçada com fibra de vidro, nos modelos de caminhões com motores eletrônicos.

O projeto alemão especificava o náilon com 24% de carga mineral e 16% de fibra de vidro. No Brasil, no entanto, o emprego da carga mineral para essa aplicação apresentou manchas. A composição ideal desenvolvida pela Rhodia agregou apenas a fibra de vidro, mantendo o desempenho, com estabilidade dimensional e alta resistência química e mecânica. O molde, desenvolvido no Brasil, também recebeu pequenas alterações de design.

Cuca Jorge Coletores — No salão do automóvel, a Renault expôs o Clio Si 1.6 16 V. Porém, para chamar a atenção sobre as novidades da nova versão mais esportiva, a montadora não se limitou a destacar os itens exclusivos, como aerofólio e freios antitravamento. Ostentou ao lado do carro um cartaz informando tratar-se de modelo equipado com coletor de admissão de gases confeccionado em plástico. A substituição do aço por poliamida nos coletores não é novidade. Os primeiros projetos brasileiros começaram em 1997, efetivaram-se no ano passado e, na opinião do gerente de mercado automobilístico da Rhodia, Dante Carrazza, consolidaram-se a partir de 2000. Novos lançamentos, ainda não divulgados, vão ganhar as ruas a partir dos próximos meses em modelos de praticamente todas as montadoras, incluindo o Gol (VW) e o Palio (Fiat),
Carrazza quer ampliar participação em autopeças

criando uma demanda alta de PA. Os coletores pesam em média 2 kg, pelos cálculos de Carrazza. A Rhodia, segundo ele, investiu alto no desenvolvimento desse mercado. “Trata-se de um importante filão.” De olho no aumento da demanda, a empresa já capacitou-se para ampliar a produção das atuais 20 mil toneladas para 30 mil t/ano de PA 6 e PA 6.6.

Do total produzido, cerca de 40% segue para o mercado automotivo, 30% para eletroeletrônicos, 20% para bens de consumo e 10% para aplicações diversas. Na opinião de Carrazza, os carros nacionais levam em média desde 10 até 12 kg de poliamidas e os plásticos tendem a avançar cada vez mais no reduto dos metais. Estima-se que as montadoras na Europa empreguem de 70 a 100 kg de plástico nos veículos, enquanto nos Estados Unidos a participação dos polímeros vai de 90 a 120 kg e, no Brasil, de 60 a 90 kg.

Cuca Jorge

Coletores de admissão vão criar 
grande demanda de PA

A Rhodia, estima ampliar sua participação no setor automotivo e a contratação de Carrazza, no ano passado, profissional com experiência em empresas de autopeças, como a francesa Valeo, comprova a estratégia. Também a entrada de novas montadoras e o incremento do índice de nacionalização dos carros fazem com que as novidades apresentadas no exterior sejam incorporadas com mais rapidez pelo mercado brasileiro.

 

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