Impostos demais – Para os especialistas no assunto, outro gargalo da reciclagem de plástico são os impostos. A informalidade prolifera porque a tributação inviabiliza a atividade para pequenas empresas. “Elas não conseguem se pagar”, comenta Silvia Piedrahita Rolim, assessora técnica da Plastivida. “Geralmente quem mói e lava o material vende sem nota porque a carga tributária inviabiliza seu negócio”, admite um reciclador que prefere manter-se anônimo.

Não há qualquer incentivo fiscal para o reaproveitamento do plástico. Ao contrário, reciclar sai caro. O IPI pago pelo plástico reciclado superava o do virgem até 31 de agosto, quando o Governo Federal corrigiu parte da injustiça. Agora ambos devem recolher 5%. Especialista na área, Ana Flores reinvindica isenção total. “Quantas vezes o produto for descartado e reutilizado, tantas vezes será tributado, o que não acontece com o vidro, o alumínio e outros materiais, totalmente isentos”, pondera. Além de incentivar a reciclagem, estender a isenção para o plástico é questão de justiça.

Cuca Jorge

Ana Flores quer isenção de IPI também para o plástico

Cuca Jorge
 

Outro obstáculo é a dificuldade no acesso às linhas de crédito, que até existem, mas privilegiam as empresas de grande porte. “Os agentes financeiros não querem correr qualquer risco”, critica Ana. Até mesmo os financiamentos pelo fundo de aval do BNDES, que arca com 80% do risco em empréstimos até R$ 500 mil, são evitados pelos bancos repassadores. “Uma solução seria cobrar um compulsório e impor multa ao sistema financeiro pelo não repasse comprovado”, sugere.

Silvia: tributação inviabiliza a atividade para os pequenos

Nas estimativas de Ana, a instalação de uma empresa recicladora de 100 toneladas mensais requer investimentos da ordem de R$ 180 mil em equipamentos. Isso se as resinas escolhidas forem as commodities. Para revalorizar o PET, o montante necessário sobe para algo em torno de R$ 260 mil. “Essa resina requer mais cuidados e refino”, explica.

Há 22 anos na área, a Metalúrgica Ricardo oferece equipamentos e presta assessoria para reciclagem de qualquer tipo de plástico. Produz lavadoras, secadoras, aglutinadores, tanques de descontaminação, roscas de transporte, moinhos, extrusoras, esteiras e sacadores de rótulo e tampa (muito útil no caso das garrafas de PET), entre outros.

Reciclador resiste – Pioneira na área, a Plasticora, com fábrica em Itaquaquecetuba-SP, nasceu há 40 anos e sobrevive buscando novas alternativas no mercado. A empresa transforma em grãos perto de 600 t mensais de resíduos plásticos de poliestireno, polipropileno, polietileno e ABS. Suas principais estratégias são concentrar-se no PS, que representa cerca de 65% da produção, e aproveitar o know-how em tingimento da Policolor (outra empresa do grupo situada ao lado do escritório da Plasticora, na Capital) para comercializar reciclados coloridos, informa o diretor João Luiz Jorge Lopes. A capacidade para tingir chega a 300 t mensais. Além disso, a empresa se prepara para obter a homologação ISO 14000. “Seremos a primeira recicladora da América do Sul a obter o certificado”, diz.

Lopes:maior diferencial será p certificado da ISO 14000

Lopes revaloriza cerca de 400 t mensais só de PS, a maior parte de resíduos industriais, isentos de contaminação. Mas como nem sempre dispõe de volume suficiente desse tipo de matéria-prima, também reaproveita copos descartáveis pós-consumo, limpos e reprocessados em Itaquaquecetuba, e tingidos em São Paulo. A aquisição de material pós-consumo já chega a 80 t mensais.

Nas estimativas de Lopes, o País transforma cerca de 4.800 toneladas mensais de copos de poliestireno, das quais cerca de 25% consumidas só em São Paulo. “Menos de 200 t são recicladas, o restante vai para o lixão”, lamenta. A empresa pretende se estruturar para processar também PE e PP pós-uso. Mas esse projeto só deve vingar no segundo semestre de 2001. Hoje, reprocessa apenas resíduos industriais dessas resinas, que somadas ao ABS totalizam cerca de 200 t/mês.

Os principais clientes para o produto revalorizado são indústrias de utilidades domésticas, eletroeletrônicos e calçados, entre outras. Vários aparelhos eletroeletrônicos incorporam peças internas de material reciclado, sem qualquer comprometimento de sua qualidade. O mesmo ocorre com muitos saltos de sapatos. Mas os fabricantes preferem não divulgar porque o reciclado ainda carrega imagem de produto de qualidade inferior.

Instalada há sete anos em Diadema-SP, a Recyclean transforma cerca de 250 t mensais de resíduos em grânulos, dos quais 120 t de polietileno e polipropileno, em geral provenientes da indústria, e 130 t de PET pós-industrial e pós-consumo, neste caso adquirido de pequenas empresas que fazem o pré-tratamento (lavagem e moagem). “A maior dificuldade é encontrar PET de boa qualidade, principalmente o cristal, em razão da falta de coleta seletiva”, informa o diretor Antonio Claudio dos Santos. Ele prefere fornecer as resinas em grãos porque “o processo de extrusão deixa o material mais limpo e com densidade aparente mais uniforme”.

Colorir o plástico reciclado beneficia a Plasticora

 

O polietileno e polipropileno revalorizados pela Recyclean se transformam geralmente em peças injetadas, com diversas aplicações, e também sopradas, como galões para produtos de limpeza e lubrificantes. Já os principais clientes para o PET são os produtores de laminados para termoformagem e a indústria têxtil. Para melhorar o valor agregado do produto, Santos decidiu entrar também no ramo da transformação e produzir os laminados para termoformagem. A nova atividade começa em outubro, com a oferta de material nas espessuras de 0,15 mm a 1,5 mm. Para o diretor, os recicladores entrarem também no ramo da transformação é uma tendência.

NOVO PORTAL REÚNE DADOS DE RECICLAGEM E MEIO AMBIENTE

O novo portal recicláveis.com.br promete ser fonte de informações variadas sobre meio ambiente e reciclagem. De acordo com o idealizador, José Carlos O. Froes, trata-se de mercado muito carente de informações, e as disponíveis, além de dispersas, apresentam pouco conteúdo. “Nossa intenção é reunir e oferecer informações de qualidade, divulgar produtos, serviços, projetos sociais etc.” O cadastramento é gratuito e dá direito à divulgação da principal área de atividade da empresa, além de envio automático de informações atualizadas via e-mail.

O portal trata especificamente de meio ambiente e reciclagem e se subdivide em central de produtos, central de serviços, canal profissional, expediente, mercado, suprimentos e espaço editorial. O primeiro engloba guia de compras de produtos, catálogo de fabricantes de equipamentos e provedores de tecnologias, vitrina eletrônica de equipamentos, e ofertas de produtos usados. A Central de Serviços oferece guia de empresas classificadas por área, além de seções sobre consultores, eventos e educação (cursos ou treinamento). O canal profissional relaciona as ofertas de emprego, estágios e também dispõe de espaço aberto à publicidade.

A menina dos olhos de Freire é o Recicláveis Kids, criado para impulsionar a educação de jovens e desenvolver neles a valorização da reciclagem. O portal inclui ainda uma central de download, com artigos, palestras, workshops, e apresentações sobre meio ambiente e reciclagem. Tem também espaço para debates especializados em diversas áreas.

Na seção mercado, o usuário encontra números do setor, inclusive indicadores econômicos, descrição de programas de coleta e reciclagem de materiais em andamento, e processos usados, entre outras informações etc. Em suprimentos há livros, softwares, vídeos etc., enquanto o espaço editorial se propõe a ser um canal aberto ao usuário, com resumo dos fatos do mês, entre outras informações.

 

 
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