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TRIBUTAÇÃO ESPREME O RECICLADOR E BRECA EXPANSÃO DO SETOR Cobrança de tributos sobre o plástico reciclado e coleta seletiva incipiente freiam pleno desenvolvimento da atividade
Privilegiar a coleta seletiva significa melhorar a qualidade da sucata, pois um dos principais entraves à reciclagem reside no fato de os descartes plásticos se encontrarem contaminados com resíduos orgânicos. Outro problema é a separação dos diferentes tipos de resina, muitas vezes incompatíveis entre si. Por esses motivos, os recicladores prestigiam a matéria-prima separada e limpa. Existe uma padronização com símbolos para facilitar a seleção das principais commodities, porém nem todos os produtos plásticos os apresentam. Algumas resinas são de fácil identificação visual, mas a maioria dos métodos se baseia na observação do material durante a queima (cor da chama, fumaça e odor). Já o problema da contaminação fica bastante reduzido com a prática da coleta seletiva, pois os resíduos orgânicos são acondicionados em separado. Promover a coleta seletiva também significa melhorar as condições de vida dos catadores, retirando-os dos lixões e reconhecendo a coleta como atividade formal. O Cempre calcula a atuação de cerca de 200 mil catadores em todo o País, que extraem do lixo o sustento.
O sistema entra em vigor na segunda semana de outubro e conta com a participação da Plastivida, responsável pelo fornecimento dos kits à população, contendo 5 sacos verdes, informativos do programa Cidade Limpa e do projeto “O lixo no lugar certo”. Se quiser, o cidadão poderá devolver os sacos com o lixo seco aos postos de entrega voluntária (PEV), na forma de contêineres ou pequenos depósitos fixos distribuídos pela cidade.
A disseminação da coleta seletiva ainda minimiza dois outros problemas ambientais causados pelo plástico: seu acúmulo nos lixões e nos aterros. No primeiro caso, preocupa a queima indevida e sem controle, alerta o Cempre. Já nos aterros, além de dificultar a compactação, os plásticos prejudicam a decomposição dos materiais biologicamente degradáveis, “pois criam camadas impermeáveis que afetam as trocas de líquidos e gases gerados no processo de biodegradação da matéria orgânica”, esclarece o Manual de Gerenciamento Integrado, publicado pelo Cempre neste ano. Além disso, aterro é uma forma de disposição, não é reciclagem. Esse sistema foi adotado em vários países da Europa, Estados Unidos e Japão, com equipamentos de elevada tecnologia e controle rígido de emissão de substâncias, sem riscos à saúde ou ao meio ambiente. Só na Europa Ocidental representa 15% da reciclagem de plásticos. A usina de Saint-Queen, em Paris, por exemplo, assegura o suprimento de eletricidade para 70 mil pessoas com 15.400 megaWats/ano. Também é possível reprocessar os plásticos pela reciclagem química, degradando-os em insumos básicos (monômeros). Porém, os altos custos do processo ainda o inviabilizam. Existem poucas plantas do gênero no mundo. Uma delas é a da Veba Oel, na Alemanha. De menor custo, o processo mecânico é dos mais usados para reaproveitar o plástico. Ele efetua a conversão dos descartes industriais ou de pós-consumo em grânulos, reutilizados na produção de outros produtos, de qualidade próxima à obtida com resinas virgens, muito embora o material reciclado ainda carregue a imagem de artigo de qualidade inferior, por puro preconceito. “Uma portaria do ministério público proíbe a fabricação de embalagens com resinas recicladas e o uso em contato com alimentos e medicamentos. No entanto, permite a importação de navios de embalagens, sem conhecimento da origem desse material, que deve ser reciclado para ser vendido a R$ 1,99”, questiona Ana Flores, proprietária da Metalúrgica Ricardo, tradicional fabricante de equipamentos para reciclagem e diretora do Departamento de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ela costuma ilustrar suas palestras com peças produzidas de material reciclado, como tigelas de PET, de aparência bonita e resistente. A favor dos produtos reciclados também conta o fato de boa parte das aparas plásticas serem reutilizadas na própria indústria que as gerou. Em muitos casos, apenas uma fração desse material é repassado para outras empresas transformadoras, ou dedicadas à recuperação, reciclagem ou revenda. Esses descartes da produção pouco perdem de suas propriedades. Além disso, como mostra a pesquisa da Plastivida, 75% dos recicladores se preocupam em adotar algum tipo de controle de qualidade no seu processo, e até obter a certificação ISO. O grande desafio, portanto, diz respeito ao reaproveitamento dos descartes urbanos, gerados em residências e estabelecimentos comerciais. Problema que a coleta seletiva, com a prefeitura e a população engajadas, pode solucionar. |
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