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MICROPELLETS

Seminário explorou
tecnologia de produção

Para divulgar o conceito de corte imerso em água, a americana Gala, líder na fabricação de sistemas de granulação com esse tipo de know-how, e a BY, sua representante exclusiva no País, promoveram seminário gratuito sobre produção e aplicações de micropellets, com a participação de cerca de 90 profissionais interessados no assunto. Trata-se de um mercado ainda em desenvolvimento, mas bastante promissor por seus benefícios. “Substitui o pó com maior eficiência pois funde mais rápido, reduzindo o tempo de processo”, exemplifica o diretor da BY Marco Antonio Gianesi.

Com diâmetro inferior a 1,5 mm, as resinas no formato de microgrânulos são mais usadas na rotomoldagem (micropellets de PVC substituem o pó), principalmente na Europa e Estados Unidos, mas também encontram larga aplicação na produção de concentrados de cor (já disponíveis no mercado nacional), informou o presidente da Gala David E. Bryan. “Nossos clientes informam que usam menos pigmento quando seus materiais são coloridos com micropellets”, garantiu.

A partir da esquerda: Bryan, Gianesi, Smith e Antonio Azevedo Alves

O potencial dessa nova tecnologia começa a ser explorada também nas indústrias de embalagens expandidas, na decoração de tecidos e pisos de vinil (borrifados no desenho, os microgrânulos aderem por aquecimento), e até na produção de autopeças. “A mistura de PE e PP na forma de micropellets pode ser usada para fazer pára-choques mais resistentes”, disse Bryan.

Aos interessados em produzir micropellets, Bryan ressaltou que a tecnologia praticamente elimina a micronização e facilita o transporte. Além disso, o sistema de imersão em água da Gala “não gera finos, reduz a contaminação cruzada, e portanto, oferece menos riscos à saúde.” Aos usuários dos sistemas peletizadores convencionais da Gala é possível fazer algumas adaptações, como a substituição de matriz e tela, adequando-os à produção de micropellets.

Microgrânulos fundem mais rápido

O gerente da Gala para a América Latina, Donald W. Smith, estima mais de cem equipamentos de sistema de corte imerso em água convencionais em operação no mercado brasileiro. Em sua exposição, ressaltou as principais vantagens desse processo, em comparação aos cortes convencionais. “O sistema fechado oferece mais segurança, com menor contaminação e resfriamento mais rápido do material.” 
M. A. de Sino.

 


SEMINÁRIO
Debate da Abpol integra
indústria e universidade

As comunidades acadêmica e industrial se reuniram no 2º Seminário Brasileiro sobre Avanços em Processamento de Polímeros, realizado pela Associação Brasileira de Polímeros (ABPol) de 6 a 9 de agosto, em São Carlos-SP, para trocar informações tecnológicas com respeito a processamento e transformação de polímeros, envolvendo a participação de convidados estrangeiros de todas as áreas.

Cerca de 150 pessoas ocuparam a sala de exposição do Hotel Anacã para ouvir as palestras de professores e especialistas da indústria, inclusive dos convidados estrangeiros. Mas o ponto alto do encontro ficou por conta dos debates relacionados com a situação atual da indústria brasileira de transformação frente ao mundo globalizado e com as medidas para capacitar tecnologicamente o setor.

Todos concordaram ser necessária ação conjunta da rede constituída pelos fabricantes de equipamentos e resinas, transformadores e universidades para possibilitar um desenvolvimento sustentado. Fernando Nicolosi, diretor da Piovan, do setor de periféricos, lançou a questão da distância que separa a realidade dos meios de acesso à disposição das empresas para obter competitividade. Para ele, em seu ramo de atuação é muito difícil encontrar fornecedores que reúnam todos os requisitos básicos exigidos pela globalização, entre os quais qualidade, preço e prazo de entrega.

Para Nicolosi, realidade foge
às necessidades da indústria

O presidente do Instituto do PVC, Francisco Esmeraldo, destacou os compromissos e desafios da reciclagem, bem como as iniciativas do órgão nesse sentido, como o estudo elaborado em conjunto com acadêmicos da Universidade de São Paulo, e publicado sob o título Reciclagem Mecânica do PVC – Uma oportunidade de negócio (em PM 310, pág. 60), e a criação de um banco de dados relacionando o nome de empresas recicladoras de PVC constantes no endereço www.institutodopvc.org/reciclista.htm.

Os outros participantes do debate, representantes das áreas de resina e de transformação, ressaltaram ainda as dificuldades para a obtenção de financiamentos, indispensáveis à atualização tecnológica, afetando a competitividade da indústria. No entanto, o baixo consumo per capita brasileiro por plástico foi considerado pela maioria como um fator positivo, ou seja oportunidade de expansão no mercado.

Também foi discutido o problema da regionalização ligado à formação de mão-de-obra da área, principalmente do técnico de nível médio, de atuação bastante significativa, que falta em algumas regiões enquanto em outras há em excesso, ressaltaram. Obviamente, a superoferta ocorre nos locais onde há cursos de formação, porque, em geral, esses profissionais procuram colocação em suas próprias cidades.

Pesquisas – Os estudos desenvolvidos nas universidades e apresentados no seminário visavam resolver problemas técnicos da indústria, bem como facilitar o seu trabalho. Foi esse o caso de duas palestras sobre prototipagem rápida, de Jonas de Carvalho, do grupo CAD/CAE da engenharia mecânica da USP, campus de São Carlos, e de Carlos Henrique Ahrens, da Universidade Federal de Santa Catarina; e também, na área de polímeros, as exposições dos professores por Elias Hage Junior e Sebastião Canevarolo, ambos do DEMa/UFSCar.

Carvalho apresentou conceitos, técnicas, aplicações e tendências da prototipagem rápida, processo que auxilia o fabricante a corrigir erros e efetuar modificações no produto ainda em fase de projeto, reduzindo custos e tempo de desenvolvimento, a partir de um protótipo sólido gerado em sistema CAD. A peça-modelo pode ser feita de diversos materiais: resinas plásticas (ABS, epóxi etc), ceras e até mesmo papel.

Já Ahrens focalizou seu estudo na estereolitografia, primeiro processo comercial de prototipagem rápida e dos mais utilizados para obtenção de protótipos ou pequenas séries de peças. O palestrante estudou diferentes aplicações dessa técnica na fabricação de insertos de resina para moldes de injeção.

Canevarolo estuda a degradação do PP durante seu processamento

Especialista na área de blendas poliméricas, Hage apresentou pesquisa voltada para a modificação de polímeros de modo a elevar a tenacidade (resistência ao impacto). O método aplicado consiste na incorporação de borrachas, ou termoplásticos modificados com borrachas, nesses polímeros, de modo a aumentar a capacidade de absorção de energia sob deformação mecânica. A pesquisa contempla tanto os plásticos de engenharia (PA, PET, PBT, polióxido de fenileno) como as resinas poliolefínicas e estirênicas.

Já Canevarolo dedicou-se a avaliar a degradação do polipropileno durante o processamento. O objetivo do pesquisador era determinar a melhor distribuição de tempo de residência da resina dentro da extrusora, possibilitando plastificá-la de modo homogêneo e sem degradá-la.

Ao todo, foram apresentadas 13 palestras, metade das quais de convidados estrangeiros, e mais 11 trabalhos exibidos em painéis. Além disso, a professora Rosario Elida Suman Bretas divulgou o seu livro Reologia de Polímeros Fundidos, escrito junto com Marcos A.D’Avila, ambos pesquisadores do DEMa/UFSCar. “Trata-se de um livro texto específico para estudantes de pós-graduação de engenharia de materiais e de química”, disse Rosario. Segundo ela, a publicação procura mostrar o fenômeno físico por trás de cada equação, de modo a facilitar a compreensão do estudante.
M. A. de Sino 

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