VAREJO APOSTA NA INTERNET 
PARA MELHORAR SERVIÇOS

Distribuidores de resinas plásticas revêem as estratégias de 
comércio eletrônico e priorizam as ferramentas de relacionamento com clientes e a redução 
de custos operacionais

SIMONE FERRO

Depois de um ano de muita especulação, alguns investimentos e poucos resultados, o uso da Internet no comércio de resinas plásticas responde por pequeno volume de negócios, tanto nos sites (ou páginas) dos distribuidores e indústrias petroquímicas, quanto nos portais independentes, criados e administrados por terceiros, as famosas empresas “ponto-com”. O fenômeno e-commerce prometeu varrer as estruturas convencionais de vendas e introduzir nova era no setor de distribuição, mas, por enquanto, contribui apenas para agilizar a troca de informações entre compradores e vendedores com relações comerciais já estabelecidas. O transformador, por sua vez, tenta se familiarizar com uma série de novos conceitos, como leilão reverso, B2B, e-commerce, e-procurement, home pages, sites, portal etc.

Experiências isoladas começam a surgir em toda a cadeia do plástico, alterando a forma de relacionamento entre clientes e fornecedores. Não há, no entanto, especialista capaz de prever os próximos lances. Muito menos mensurar a participação da Internet no setor de distribuição. “Não vai substituir os mecanismos convencionais, como o telemarketing e o vendedor, mas deve se consolidar como uma ferramenta adicional de fazer negócios, capaz de agregar uma série de serviços ao cliente”, opina o gerente nacional de vendas da Ipiranga Comercial Química (ICQ), João Miguel Thomé Chamma (www. ipiranga.com.br).

O comércio, de um modo geral, acredita no poder de fogo da Internet, não só como ferramenta de comunicação e marketing, mas também de venda, ao gerar e concluir negócios, principalmente quando passar a gerenciar de forma eficiente a estrutura de transporte, armazenagem, assistência técnica e outros serviços. Mas, isso ainda não ocorre. Nos sites dos distribuidores de resinas, a maioria de cunho institucional ou de relacionamento, os clientes obtêm informações sobre os produtos e suas aplicações, enviam mensagens (ferramentas do tipo call me) e até agilizam pedidos, manifestando a intenção de compra, ou solicitando a visita de um vendedor, e ponto final. Todo o resto da negociação se mantém inalterada, salvo raras exceções.

Já os portais independentes, na maioria dos casos se encarregam de aproximar compradores de vendedores, deixando a cargo destes últimos toda a logística, aprovação de crédito, cobrança e outras funções burocráticas realizadas fora da Internet. Na opinião de Chamma, o B2B (business to business, negócio entre empresas) ainda não conseguiu transpor três grandes barreiras: o crédito, a logística e o custo da tecnologia para o cliente, considerado alto. Soma-se à lista, a precária infra-estrutura de telecomunicações do País e a inexistência de regras claras e precisas a respeito da tributação incidente sobre provedores e empresas comerciais virtuais. “Não se pode prever como e em que momento essas questões serão resolvidas”, avalia.

Diante desse quadro, o mercado permanece em compasso de espera num clima de grande expectativa e também de muita desconfiança. O que é natural, afinal trata-se da introdução de um novo conceito. Contribuem para o descrédito a desvalorização das companhias virtuais na bolsa eletrônica Nasdaq (índice que acompanha as empresas de alta tecnologia nos EUA) e a velocidade com que as “ponto-com” surgem e desaparecem. No início de setembro, depois de anunciar investimentos pesados, de quase US$ 15 milhões, o portal Latin Advisor encerrou as atividades em meio a críticas de mau gerenciamento. Apesar da queda da Nasdaq em abril e a redução nos fundos disponíveis a empresa continuou contratando e abrindo novos escritórios em diversos países, segundo informações divulgadas pelo concorrente Todoplasticos (www.todoplasticos.com). O Latin Advisor entrou em operação em agosto como fornecedor de conteúdo e previa para dezembro as operações de e-commerce.

Para Laércio Gonçalves, diretor comercial da Activas, de Santo André-SP, os portais vão passar por um processo de seleção natural. “Poucos vão sobreviver, assim como ocorreu no setor de distribuição”, avalia. Embora grande parte dos clientes do varejo não estejam estruturados para comprar via Internet, ele defende a necessidade de os distribuidores estarem bem preparados para o momento da transição. “O comércio eletrônico já é uma realidade.” Fundada há dez anos, a Activas comercializa ABS (Bayer), PS (Basf), PC (Policarbonatos), PA 11, PA 12, resinas acrílicas (Atofina) e borracha termoplástica (TPE), além de aguardar homologação da Polibrasil (PP) para o final de 2000. A empresa já troca informações pela rede com duas parceiras, Basf e Polibrasil, e, em breve, pretende encaminhar e concluir pedidos.

Chamma: “Internet não substitui o vendedor”

Vendas reais – A Activas inaugurou o site (www.activas.com.br) de conteúdo e vendas no final do ano passado com a estimativa de efetuar eletronicamente 15% de seus negócios. “Já alcançamos 7%”, informou Gonçalves. O internauta recebe senha para acessar a “loja” depois de preencher cadastro eletrônico e ter o limite de crédito aprovado, o que demanda, em média, 24 horas após o primeiro contato. “Nos três primeiros meses de operação recebemos aproximadamente 30 mil visitas.” Porém, o maior volume de negócios ocorre com clientes ativos.

Setor terá código de ética

O notado avanço do e-commerce tem gerado discussões sobre a falta de regulamentação da atividade no País. Recentemente, o governo federal criou um comitê encarregado de recomendar padrões, procedimentos técnicos e operacionais, além de um código de ética para os serviços de comércio eletrônico. O comitê, com mandato de dois anos, será composto por integrantes de seis ministérios (Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Comunicações, Planejamento, Fazenda e Relações Exteriores), seis representantes de empresas do setor, um da Agência Nacional Telecomunicações (Anatel) e um da comunidade científica brasileira.

Na opinião do diretor do portal Latinplasticos, Rodrigo Palma, a regulamentação é primordial e depende de um amplo estudo. “Mesmo nos Estados Unidos, país com mais experiência em operar e transacionar via Internet, as taxas não estão definidas em muitos setores.

Gonçalves: pedido é confirmado por telefone
A negociação começa no site, mas a confirmação do pedido e demais procedimentos seguem pelas vias tradicionais, geralmente por telefone. “Em breve toda a transação será pela Internet. O mercado nacional ainda está se capacitando para isso”, acredita. A empresa investiu cerca de US$ 100 mil entre a construção da página, aquisição de software, equipamentos e treinamento de pessoal, e até o final do ano pretende reformular o site. 

Entre os recursos oferecidos, além do conteúdo informativo, o cliente acessa o técnico, via e-mail, para tirar dúvidas e resolver problemas. “Somos um prestador de serviços on line.” Os investimentos contemplam também a área de telemarketing, o segundo potencial de vendas. O maior volume de negócios ainda fica nas mãos dos vendedores. Além do site próprio, a Activas participa de portais independentes (Webb, Latinplasticos e Todoplastico).

 

 
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