| |
|
VAREJO APOSTA NA
INTERNET
PARA MELHORAR SERVIÇOS
Distribuidores de resinas plásticas revêem as estratégias
de
comércio eletrônico e priorizam as ferramentas de relacionamento com
clientes e a redução
de custos operacionais
Depois de um ano de muita especulação,
alguns investimentos e poucos resultados, o uso da Internet no comércio
de resinas plásticas responde por pequeno volume de negócios, tanto nos
sites (ou páginas) dos distribuidores e indústrias petroquímicas,
quanto nos portais independentes, criados e administrados por terceiros,
as famosas empresas “ponto-com”. O fenômeno e-commerce prometeu
varrer as estruturas convencionais de vendas e introduzir nova era no
setor de distribuição, mas, por enquanto, contribui apenas para agilizar
a troca de informações entre compradores e vendedores com relações
comerciais já estabelecidas. O transformador, por sua vez, tenta se
familiarizar com uma série de novos conceitos, como leilão reverso, B2B,
e-commerce, e-procurement, home pages, sites, portal etc.
Experiências isoladas começam a surgir em toda a cadeia do plástico,
alterando a forma de relacionamento entre clientes e fornecedores. Não há,
no entanto, especialista capaz de prever os próximos lances. Muito menos
mensurar a participação da Internet no setor de distribuição. “Não
vai substituir os mecanismos convencionais, como o telemarketing e o
vendedor, mas deve se consolidar como uma ferramenta adicional de fazer
negócios, capaz de agregar uma série de serviços ao cliente”, opina o
gerente nacional de vendas da Ipiranga Comercial Química (ICQ), João
Miguel Thomé Chamma (www. ipiranga.com.br).
O comércio, de um modo geral, acredita no poder de fogo da Internet, não
só como ferramenta de comunicação e marketing, mas também de venda, ao
gerar e concluir negócios, principalmente quando passar a gerenciar de
forma eficiente a estrutura de transporte, armazenagem, assistência técnica
e outros serviços. Mas, isso ainda não ocorre. Nos sites dos
distribuidores de resinas, a maioria de cunho institucional ou de
relacionamento, os clientes obtêm informações sobre os produtos e suas
aplicações, enviam mensagens (ferramentas do tipo call me) e até
agilizam pedidos, manifestando a intenção de compra, ou solicitando a
visita de um vendedor, e ponto final. Todo o resto da negociação se mantém
inalterada, salvo raras exceções.
Já os portais independentes, na maioria dos casos se encarregam de
aproximar compradores de vendedores, deixando a cargo destes últimos toda
a logística, aprovação de crédito, cobrança e outras funções burocráticas
realizadas fora da Internet. Na opinião de Chamma, o B2B (business to
business, negócio entre empresas) ainda não conseguiu transpor três
grandes barreiras: o crédito, a logística e o custo da tecnologia para o
cliente, considerado alto. Soma-se à lista, a precária infra-estrutura
de telecomunicações do País e a inexistência de regras claras e
precisas a respeito da tributação incidente sobre provedores e empresas
comerciais virtuais. “Não se pode prever como e em que momento essas
questões serão resolvidas”, avalia.
Diante desse quadro, o mercado permanece em compasso de espera num clima
de grande expectativa e também de muita desconfiança. O que é natural,
afinal trata-se da introdução de um novo conceito. Contribuem para o
descrédito a desvalorização das companhias virtuais na bolsa eletrônica
Nasdaq (índice que acompanha as empresas de alta tecnologia nos EUA) e a
velocidade com que as “ponto-com” surgem e desaparecem. No início de
setembro, depois de anunciar investimentos pesados, de quase US$ 15 milhões,
o portal Latin Advisor encerrou as atividades em meio a críticas de mau
gerenciamento. Apesar da queda da Nasdaq em abril e a redução nos fundos
disponíveis a empresa continuou contratando e abrindo novos escritórios
em diversos países, segundo informações divulgadas pelo concorrente
Todoplasticos (www.todoplasticos.com). O Latin Advisor entrou em operação
em agosto como fornecedor de conteúdo e previa para dezembro as operações
de e-commerce.
|
Para Laércio Gonçalves, diretor comercial da Activas, de Santo André-SP,
os portais vão passar por um processo de seleção natural. “Poucos vão
sobreviver, assim como ocorreu no setor de distribuição”, avalia.
Embora grande parte dos clientes do varejo não estejam estruturados para
comprar via Internet, ele defende a necessidade de os distribuidores
estarem bem preparados para o momento da transição. “O comércio eletrônico
já é uma realidade.” Fundada há dez anos, a Activas comercializa ABS
(Bayer), PS (Basf), PC (Policarbonatos), PA 11, PA 12, resinas acrílicas
(Atofina) e borracha termoplástica (TPE), além de aguardar homologação
da Polibrasil (PP) para o final de 2000. A empresa já troca informações
pela rede com duas parceiras, Basf e Polibrasil, e, em breve, pretende
encaminhar e concluir pedidos. |
| Chamma: “Internet não substitui o vendedor” |
|
Vendas reais – A Activas inaugurou o site (www.activas.com.br) de
conteúdo e vendas no final do ano passado com a estimativa de efetuar
eletronicamente 15% de seus negócios. “Já alcançamos 7%”, informou
Gonçalves. O internauta recebe senha para acessar a “loja” depois de
preencher cadastro eletrônico e ter o limite de crédito aprovado, o que
demanda, em média, 24 horas após o primeiro contato. “Nos três
primeiros meses de operação recebemos aproximadamente 30 mil visitas.”
Porém, o maior volume de negócios ocorre com clientes ativos.
|
Setor
terá código de ética |
O notado avanço do e-commerce tem
gerado discussões sobre a falta de regulamentação da atividade
no País. Recentemente, o governo federal criou um comitê
encarregado de recomendar padrões, procedimentos técnicos e
operacionais, além de um código de ética para os serviços de
comércio eletrônico. O comitê, com mandato de dois anos, será
composto por integrantes de seis ministérios (Desenvolvimento, Ciência
e Tecnologia, Comunicações, Planejamento, Fazenda e Relações
Exteriores), seis representantes de empresas do setor, um da Agência
Nacional Telecomunicações (Anatel) e um da comunidade científica
brasileira.
Na opinião do diretor do portal Latinplasticos, Rodrigo Palma, a
regulamentação é primordial e depende de um amplo estudo.
“Mesmo nos Estados Unidos, país com mais experiência em operar
e transacionar via Internet, as taxas não estão definidas em
muitos setores. |
| Gonçalves: pedido é confirmado por telefone |
|
A negociação começa no
site, mas a
confirmação do pedido e demais procedimentos seguem pelas vias
tradicionais, geralmente por telefone. “Em breve toda a transação será
pela Internet. O mercado nacional ainda está se capacitando para isso”,
acredita. A empresa investiu cerca de US$ 100 mil entre a construção da
página, aquisição de software, equipamentos e treinamento de pessoal, e
até o final do ano pretende reformular o site. |
Entre os recursos
oferecidos, além do conteúdo informativo, o cliente acessa o técnico,
via e-mail, para tirar dúvidas e resolver problemas. “Somos um
prestador de serviços on line.” Os investimentos contemplam também a
área de telemarketing, o segundo potencial de vendas. O maior volume de
negócios ainda fica nas mãos dos vendedores. Além do site próprio, a
Activas participa de portais independentes (Webb, Latinplasticos e
Todoplastico).
|
|
|