MOLDADOR PRESTIGIA
CONGRESSO DE JOINVILLE


Quase 400 pessoas lotaram o auditório do Cintec nos três dias do evento, direcionado para indicar soluções aos problemas dos transformadores

Realizado em Joinville-SC, em paralelo à Interplast, o Cintec Plásticos 2000 – Congresso Internacional de Novas Tecnologias lotou o auditório de quase quatrocentos lugares nos três dias do evento – 23 a 25 de agosto –, para ouvir 25 renomados pesquisadores de universidades, instituições de pesquisa e empresas, cujas palestras procuraram indicar soluções aos problemas dos transformadores, apontados em pesquisa que incluiu a Eletrolux, Tigre, Amanco e outras.

Visão Brasil/Luciano Moraes

Transformadores atentam para orientação dos palestrantes

“Em função das respostas, escolhemos os temas representativos das necessidades da indústria de transformação e buscamos os melhores especialistas de cada área para ministrar as palestras”, declarou o coordenador Edmilson Sabadini Pereira, da Sociedade Educacional de Santa Catarina (Sociesc). Para ele, esse foi o grande diferencial em relação a outros congressos.

As conferências abrangeram temas bem variados dentro das áreas de meio ambiente, ensaios, matérias-primas e processo. Na opinião dos congressistas em geral, as apresentações foram boas, com ressalvas para o pouco tempo dedicado a cada tema (40 minutos, em média), impossibilitando a participação do público, embora tivesse ficado por conta do palestrante a decisão de administrar o tempo a seu bel prazer. A maioria, porém, não conseguiu esgotar o tema no tempo previsto.

Entre as palestras mais comentadas pelos congressistas destacaram-se as blendas poliméricas, divulgadas por Elias Hage Jr., docente do Departamento de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (DEMa/UFSCar). O professor explicou em minúcias o significado desses compostos obtidos a partir da mistura de dois ou mais polímeros; mostrou sua importância para a indústria; enumerou as ferramentas necessárias para desenvolvê-las; abordou os aspectos mercadológicos; e ainda tratou das condições requeridas durante a moldagem. As principais pesquisas nesse campo hoje visam a reciclagem ou recuperação dos polímeros, a redução dos custos das matérias-primas, a modificação de plásticos frágeis/quebradiços, a alteração da processabilidade, e ainda a compatibilização de misturas consideradas incompatíveis.

Colega de Hage no DEMa/UFSCar, a professora panamenha Rosário Bretas também foi muito lembrada pela sua Reologia Aplicada ao Processo de Injeção. A palestra despertou tanto interesse que mais de trinta exemplares de seu livro Reologia de Polímeros Fundidos, à venda no local, se esgotaram rapidamente, apesar da carga matemática e das expressões termodinâmicas do conteúdo. Rosário discorreu sobre as propriedades reológicas mais importantes no processo, com destaque para a viscosidade, ressaltando a dependência em relação à taxa de cisalhamento; 

Cuca Jorge

Público elogiou a conferência 
de Hage a respeito das blendas
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a primeira diferença de tensões normais, ou seja, a medida da elasticidade do fundido e das tensões residuais da peça; e o aumento e relação das tensões. Na seqüência, mostrou como medir essas propriedades e as influências na moldagem. A professora ainda ressaltou a importância da simulação do processo, por fornecer as variações na temperatura, pressão, taxa de cisalhamento, entre outros benefícios.

Produtividade é meta – As palestras dos técnicos da indústria também foram bem recebidas porque visaram, na maioria, indicar aos transformadores os instrumentos disponíveis para melhorar o desempenho da produção, associando aumentos de produtividade e qualidade com redução de custo.
Especialista em sistemas de câmara quente, Rainer Holdschmidt, sócio gerente da Brale Ltda., de Pinhais-PR, destacou as vantagens do processo e também mencionou os erros mais freqüentes dos transformadores, orientando como evitá-los. “É preciso controlar a temperatura do manifold e também de cada bico individualmente porque cada um tem sua própria reação”, advertiu. Também alertou para a prática incorreta de elevar a temperatura do manifold para melhorar a fusão da resina. “Dentro do manifold não há movimento, portanto, nem atrito”, explicou.

O primeiro passo para aquisição do sistema, informou, é estudar a viabilidade econômica em relação às necessidades de produção. De investimento elevado, o processo justifica-se em produções de alta escala (acima de 100 mil peças/mês), em casos de peças pequenas com canais muito grandes, ou em projetos viáveis apenas com câmara quente. Rainer ainda teve o cuidado de explicar como são calculados os custos da injeção sem canais.

Bola da vez na área de injeção, a tecnologia de ciclo rápido foi abordada por Paulo Carmo, gerente da Husky, de Jundiaí-SP, com enfoque nas características técnicas das máquinas e moldes específicos para o processo. Com relação aos projetos de moldes, Carmo ressaltou a importância de se considerar parâmetros como padronização, tolerâncias, fluxo do material fundido, alinhamento, robustez, tipo de extração, e câmara quente. “A pressão interna em ciclos rápidos exige moldes bem projetados para evitar problemas na injeção”, alertou. Carmo ainda explanou a respeito dos cuidados necessários nas unidades de injeção, como o uso de roscas bem projetadas, bicos valvulados e acumuladores, estes últimos considerados imprescindíveis no processo.

 
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