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MERCADO AQUECIDO ATRAI INVESTIMENTOS

Para acompanhar a evolução da demanda e combater a pirataria, fabricantes nacionais modernizam a produção e atacam a concorrência desleal

S I M O N E    F E R R O


O conceito de periféricos há muito deixou de explicar a verdadeira função de alimentadores, dosadores, secadores e moinhos, entre outros itens, corretamente definidos por equipamentos auxiliares para o processamento do plástico. Convencidos da importância de automatizar a produçãopara ganhar cada vez mais em produtividade e economizar energia, insumos e mão-de-obra, além de reduzir o tempo de ciclo, os transformadores nacionais têm, na medida do possível e de acordo com o vai e vem da economia nacional, investido cada vez mais em soluções integradas de produção.

O potencial de crescimento do setor gera novos investimentos e o constante aprimoramento dos equipamentos fabricados no País. Entre as iniciativas mais importantes, destaca-se a construção da fábrica da italiana Piovan, em Osasco-SP, inaugurada em abril último.

O ano marca também a entrada de outro fabricante estrangeiro no País, a americana Gala, em parceria com a By Engenharia, de São Paulo, anuncia a fabricação local do Sistema de Peletização Imerso em Água, com lançamento previsto para o final de 2000.

Produzir localmente também foi a estratégia adotada pela Rax Service, de Diadema-SP. A empresa retomou a fabricação dos alimentadores, dosadores e secadores/desumidificadores marca Plast-Equip. Na linha de moinhos, tradicionais fabricantes como a Rone, de Osasco-SP, e a Primotécnica, de Mauá-SP, também anunciam novidades. Segundo representantes do setor, o mercado está aquecido, reação observada principalmente nos últimos três meses.

Moinhos – O gerente comercial da Primotécnica, Claudio Moreno estima um crescimento de aproximadamente 30% no volume de vendas. Para ele, 1999 foi um período mais especulativo, embora com relativa melhora no número de unidades comercializadas quando comparado a 1998. “Este ano, os projetos estão sendo concretizados”, avalia. Moreno ressalta ainda o aumento das exportações. “Os moinhos brasileiros estão bastante competitivos, principalmente na América do Sul.”

Cuca Jorge

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Moreno: vendas devem crescer 30%

A empresa exporta para a Argentina, Chile e Bolívia, entre outros países da região, principalmente em decorrência de contatos e negociações encaminhadas em exposições nacionais e estrangeiras. Com 35 anos de existência, a Primotécnica fabrica mais de 50 modelos de moinhos, com capacidades desde 50 kg/hora até 5 mil kg/h, além de aglutinadores (60 kg/h até 500 kg/h) e sistemas de peletização (granuladores) para até 6 mil kg/h. Para a Brasilplast 2001 a empresa reservou novidades importantes, porém prefere ainda não revelar detalhes.

Cuca Jorge

Já o diretor da Rone, Ronaldo Cerri, afirma que em 1999 as vendas de moinhos cresceram 30% em relação ao ano anterior. Os bons resultados no volume comercializado não refletiram na receita com o mesmo impacto. “As margens, cada vez mais espremidas, mantiveram o faturamento estável, com alta de no máximo 10%.” Para 2000, estima crescer entre 30% e 40%, também em unidades.

O motivo de tanto otimismo, pode ser explicado por dois fatores básicos: o reaquecimento do mercado nacional e a queda nas importações. Entre 1997 e 1998, as marcas estrangeiras ficaram com pelo menos 15% da demanda interna. “Atualmente, essa participação é irrisória”, avalia.

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Cerri: piratas são levados à justiça

Piratas — A demanda aquecida gera, no entanto, um grave problema: a pirataria. Indústrias se lançam graças à cópia de produtos consagrados no mercado nacional. A Rone já conseguiu provar duas vezes na justiça o plágio de seus equipamentos e fechar duas fábricas. A empresa possui a patente até 2008 de pormenores importantes dos componentes dos moinhos, como o sistema de abertura e os tipos de fixação da peneira e dos mancais ao bloco de moagem, com externos da carcaça. “São tecnologias desenvolvidas internamente”, declara Cerri.

Atualmente, a empresa enfrenta problema semelhante. “Já entramos em contato com o plagiador para resolvermos a questão amistosamente. Caso a cópia continue no mercado, o caso ficará a cargo da justiça”, conta Cerri que não quis divulgar o nome do fabricante. Na opinião do empresário, sua evasiva visa proteger o setor, principalmente os transformadores e demais clientes. “Temos de lutar de frente com quem
não é idôneo”, defende. Recentemente, a Rone atualizou os modelos de baixa rotação destinados à automação das linhas de produção (moagem de galhos, rebarbas e pequenos frascos e peças).

Toda a série WFA, com modelos de 6, 9 e 12 facas rotativas, passa a operar com 1 faca fixa reversível, com aproveitamento de quatro bordas cortantes (ver PM 309, edição de maio de 2000, pág. 42). “Novos conceitos surgem para atender às exigências do mercado, visando sempre facilitar a operação, aumentar a produtividade e reduzir custos.” Na opinião dele, o moinho brasileiro oferece excelente relação custo/benefício.

“Embora o setor não seja normatizado, como ocorre com as injetoras fabricadas no País e a maioria dos equipamentos estrangeiros, os moinhos têm qualidade e oferecem segurança aos operadores.”

Água gelada – Dos cerca de 120 unidades e sistemas de água gelada, incluindo chillers, comercializados por mês no Brasil, pelo menos 80% seguem para o mercado de plástico. A estimativa é do diretor da Mecalor, János Szegö. “Trata-se de um importante acessório para as empresas comprometidas com o aumento da produtividade e redução do tempo de ciclo.” Os equipamentos resfriam a água empregada nos processos de injeção, sopro e extrusão, além de abastecer com ar gelado as extrusoras de filme (balão). Pelas contas de Szegö, a empresa tem pelo menos 50% do mercado nacional.

Cuca Jorge

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Szegö investiu R$ 100 mil para lanças linha 2000

 

Em 1999, a Mecalor investiu cerca de 100 mil reais no desenvolvimento da linha 2000 de unidades de água gelada, que inclui modelos desde 5 mil até 90 mil kcal/h de capacidade de refrigeração, com opção de condensação a água ou ar. “As novidades incluem diversos avanços tecnológicos, tais como a utilização dos compressores tipo scroll, gabinete de tamanho reduzido pintado a pó com tinta epóxi, motobomba à prova de respingos e proteções elétrica dos motores por disjuntores térmicos.”

A nova central eletrônica, quando interligada a um computador, proporciona facilidade de operação e eficiente diagnóstico de falhas. De acordo com o fabricante, o equipamento é montado sobre rodízios para facilitar a movimentação, tem reservatório de aço inoxidável isolado com poliuretano e tubulação de água em cobre ou aço inoxidável, entre outros detalhes técnicos.

divulgação

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Compressor scroll equipa geladeira

Uma das principais inovações, no entanto, refere-se ao uso dos compressores scroll. “A avançada tecnologia de dois circuitos independentes de refrigeração, com controle de capacidade e revezamento automático dos compressores, garante significativa economia de energia e aumento da vida útil dos componentes”, afirma Szegö. A empresa, certificada pela ISO 9001, criou ainda o Programa de Manutenção Expressa. “Pelo menos 90% dos chamados de assitência técnica devem ser atendidos em 12 horas e ter solução na primeira visita.”