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ROSCAS
Geometrias
complexas Se num primeiro momento, os transformadores brasileiros foram
forçados pela globalização a reduzir custos, ganhar produtividade e também melhorar a
qualidade de seus produtos, hoje, investir em processos modernos de extrusão, que incluem
os filmes de múltiplas camadas e de barreira (ver PM 310, pág. 34), é questão de
sobrevivência, tornando inevitável o uso de roscas de geometrias diferenciadas e mais
complexas. O processamento de materiais avançados, como as resinas halogenadas que oferecem
ótima barreira, requer roscas mais eficientes e com desempenho estável no decorrer do
tempo, constata Mário Mathias, diretor da Uniflon, de São Paulo, representante das
americanas Spirex e Entek. A primeira desenvolve roscas simples para injeção e
extrusão, e a outra, roscas e canhões duplos, além de cabeçotes especiais, tanto para
suas próprias extrusoras como para reposição de outras marcas. Na área de monoroscas,
a Spirex também oferece canhões bimetálicos, bem aceitos no mercado
brasileiro, na opinião de Mathias.
A Entek, representada pela Uniflon desde janeiro deste ano, inaugurou recentemente um
laboratório com a intenção de ampliar a oferta de desenhos de roscas, além dos já
consagrados. A empresa dispõe de peças do tipo co-rotante e contra-rotante, bem como
sistemas turn-key para compostos de plástico e pó de madeira, ou ainda qualquer outra
linha de extrusão.
O desenvolvimento de novas geometrias de roscas simples é feito no centro de pesquisa da
Spirex nos Estados Unidos, onde os engenheiros simulam as condições de operações do
transformador. A empresa também cria softwares de geração de modelos matemáticos,
usados na elaboração de seus projetos e também ofertados a transformadores de extrusão
e injeção.
A Spirex
oferece diversos tipos de perfis de roscas e canhões patenteados, entre os quais as
roscas Melt-Pro e Pulsar. De acordo com a necessidade do usuário, é possível combinar
nessas geometrias diversos tipos de misturadores. Os interessados podem solicitar à
Uniflon o CD-ROM interativo com animação áudio e vídeo, criado para mostrar ao
usuário como atuam os componentes de plastificação, com ênfase, é claro, nos produtos
da Spirex.
O diretor da BY também indica o uso de misturadores nos projetos de roscas, pois, na sua
opinião, possibilitam melhor homogeneização e economia de pigmentos. Ao eliminar
problemas de mistura, o transformador melhora sua produção, pondera Alves. O uso
de roscas com misturadores não aumenta a capacidade da máquina em quilos/hora,
esclarece, porém evita perda de material, com reflexos na produção da empresa.
Segundo ele, existem vários tipos de misturadores e a escolha é feita de acordo com o
tipo de material e processo. É possível projetar roscas inclusive com mais de um
misturador, explica o diretor. Mas cada geometria é específica e reflete as
necessidades do cliente, ressalta Alves. É senso comum, no entanto, querer
conciliar melhor qualidade e maior produtividade num só desenho de rosca, tarefa muito
difícil, na opinião do diretor. Ou se melhora a qualidade do produto ou se aumenta
a produtividade, assevera.
Essa afirmativa, no entanto, vale para mercados mais consolidados, como o americano, cujos
parques transformadores contam com equipamentos de última geração. No caso de muitos
transformadores brasileiros, que operam a mesma rosca há décadas, a simples troca por um
conjunto moderno, de desenho mais apropriado, vai melhorar tanto a qualidade da peça
moldada como elevar a produtividade. É comum substituirmos roscas de 30 anos,
pondera Alves. Para ele, as roscas de geometrias perfeitas há dez anos tornaram-se
antiprodutivas com as novas variedades de polímeros, os quais, por serem mais abrasivos,
desgastam roscas e canhões de perfis inadequados.
Aumenta barreira local Também na opinião de Filippis, o avanço
tecnológico das resinas inviabiliza o uso de roscas de desenhos convencionais. No
entanto, ele indica o uso de misturadores apenas em casos específicos, pois
restringem produção e consomem muita energia. Para ele, o ideal é usar as roscas
de barreira, cujo design garante alto índice de plastificação, homogeneização e
produtividade. As barreiras são os principais meios para tirar o melhor desempenho
da máquina e também melhorar a qualidade do produto final, concorda Miotto.
As roscas de barreira são assim chamadas porque seus filetes, estrategicamente desenhados
e distribuídos, barram os sólidos até sua total fundição, com menores taxas de
cisalhamento e de degradação. Com a máquina plastificando e homogeneizando melhor, o
transformador ganha produtividade e melhora a qualidade das peças acabadas.
| Sempre
recomendo aos clientes, por ocasião das trocas, adotar as roscas de barreira, diz
Filippis. Para ele, esse tipo de geometria, projetado e fabricado pela Wortex, garante à
peça durabilidade cerca de 30% a 40% superior em comparação às convencionais, e ganho
de produção da mesma ordem. De acordo com o diretor, as roscas de barreira já
representam 80% de sua produção, porém ficam praticamente restritas ao processo de
extrusão. Também os usuários de injeção estão começando a adotá-las,
diz. |

Filippis só recomenda roscas de barreira |
A Miotto projeta e produz roscas com até três seções de barreira, informa seu
presidente. Entre os últimos desenvolvimentos, menciona geometria apropriada para
processar PEAD (tubos para fibra ótica e gás), com 75 mm de diâmetro e produção de
300 kg/h. Nossa meta é aumentá-la para 400 kg/h, comenta.
Na opinião de Miotto, processar PVC é mais problemático. As novas formulações
danificam muito as roscas, informa. Aos transformadores de PVC flexível
interessados em melhorar o desempenho e aumentar a produtividade, ele anuncia o
lançamento de novo perfil de rosca de 60 mm e plastificação de 220 kg/h.
| As barreiras
também são os destaques da Davis Standard, conhecida mundialmente por suas extrusoras e
representada no País pela Conemar, de São Paulo. Também atuante no segmento de roscas,
anuncia o lançamento de dois novos desenhos com filetes de barreira para alimentação
lisa ou com ranhuras. De acordo com o fabricante, são projetos inovadores. Tratam-se dos
modelos DSB-V, projetado para melhorar o desempenho de fusão do material e aumentar a
produção; e DSB-VI, de geometria apropriada para extrusão com canhões ranhurados, de
franco crescimento no mercado mundial. |

Roscas da Davis Standard
disponíveis no País
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A rosca DSB-V tem os filetes de barreira de passo variável similar ao da antecessora
(DSB-I), mas incorpora mecanismo especial de fusão. Também o canal de sólidos foi
modificado de modo a melhorar a fusão e a qualidade da mistura. O fabricante atesta que
as avaliações experimentais demonstraram excelente uniformidade de temperatura e fusão,
além de melhor dispersão de aditivos e cor, em larga gama de velocidades de roscas.
Já a geometria denominada DSB-VI incorpora barreira dupla de filetes variáveis,
responsável por melhorar o tempo de fusão do polímero e também garantir mais
estabilidade na pressão e na temperatura de fusão. Para o fabricante, esse conceito de
seção de barreira minimiza o desgaste dentro do ambiente agressivo das extrusoras com
cilindros ranhurados, e também possibilita alta produção em equipamentos de
alimentação em canhões lisos.
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