ROSCAS

MOLDADOR PREFERE
NOVAS ÀS RETIFICADAS


Afoita por melhor desempenho e
mais competitividade, a indústria
de transformação leva ao desuso
os processos de recuperação


MARIA APARECIDA DE SINO RETO
Fotos: Cuca Jorge

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Geometrias complexas tiram melhor proveito dos equipamentos

As novas variedades de polímeros e a complexidade dos processos de moldagem despertaram o transformador brasileiro para a necessidade de valorizar um bom projeto de rosca e cilindro para as máquinas, indispensável na qualidade da plastificação e dos produtos moldados, com reflexos também na produtividade e competitividade. Por isso, crescem os pedidos de roscas de geometrias mais intricadas, como as do tipo de barreira, enquanto encolhem as solicitações de retificação, um processo vantajoso do ponto de vista financeiro até há poucos anos, mas antiprodutivo e antieconômico em tempos de globalização. Também ganham espaço as peças bimetálicas (revestidas com ligas especiais), de maior custo, porém, de desempenho e durabilidade reconhecidamente superiores.

A principal diferença entre os nitretados e os bimetálicos é a longevidade. Aplicadas nas cristas dos filetes, as ligas especiais no mínimo dobram a vida útil das roscas bimetálicas. Apresentam elevada dureza e temperatura de fusão acima de 1.000ºC, características de suma importância no processamento de resinas reforçadas, aditivadas ou naturalmente abrasivas, como o polietileno de baixa densidade linear.

“Os bimetálicos devem se tornar standard no Brasil, como aconteceu nos Estados Unidos e Europa, pois os preços internacionais já estão próximos dos nitretados”, declara Antonio Azevedo Alves, da BY, representante exclusivo no País da americana Xaloy Inc. Um canhão nitretado custa hoje a metade de um bimetálico, mas a durabilidade deste é no mínimo três vezes maior. “Dependendo do tipo de liga usada no revestimento, pode ser até dez vezes maior.” Nestes casos, a equivalência de preço é de duas vezes e meia à do nitretado.


Alves anuncia novidade para usuários de resinas carregadas

Entre as últimas novidades, a empresa anuncia um tipo de liga que garante ao cilindro vida útil de três anos, independente do material processado. “Para usuários de resina altamente carregada é uma notícia e tanto, pois nestes casos a durabilidade dos canhões é bem menor”, avalia Alves. Em suas estimativas, a BY deve fechar o ano com 220 peças importadas da Xaloy para o mercado brasileiro. De janeiro até o momento, já contabilizou 140. Esse resultado supera o de 1999, quando, prejudicado pelas mudanças no câmbio, o representante vendeu apenas 120 peças, cuja proporção, em geral, é dez cilindros para uma rosca.

A diferença de preço entre os cilindros nitretados e bimetálicos inexiste na homônima Xaloy, do grupo brasileiro Miotto, de São Bernardo do Campo-SP, cuja produção atual atinge cerca de 60 conjuntos mensais. “Só fabricamos bimetálicos”, informa o diretor-presidente Enrico Miotto. Em sua opinião, a receptividade do mercado melhorou bem. Tanto é assim, que a empresa faturou 45% mais no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 1999. “O transformador está procurando mais qualidade”, acredita.


Projeto da Miotto melhora a produtividade do PVC

Já na Wortex, tradicional fabricante de roscas e cilindros de Campinas-SP, os canhões bimetálicos custam no mínimo 50% acima dos nitretados (depende da liga aplicada), mas seu diretor Paolo de Filippis garante oferecer produtos diferenciados, entre os quais canhões ranhurados e roscas bimetálicas com nitretação. “A deposição do bimetálico é feita apenas na crista do filete, no entanto os canais também sofrem atrito e desgaste, e com a nitretação a peça ganha maior vida útil”, assegura.

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Wortex aplica as ligas metálicas com sistema de plasma PTA

Ele ainda ressalta que a ligas bimetálicas são aplicadas pelo sistema de plasma conhecido por PTA, em sua opinião, um dos melhores do gênero. Atualmente, dispõe de 15 variações de ligas, mas compõe formulações especiais a pedido. Na opinião de Filippis, combinar roscas de barreira com misturador e canhão ranhurado proporciona uma super-alimentação da máquina, sinônimo de maior produtividade.