CHICAGO MOSTRA OS RUMOS DO PLÁSTICO

A tradicional NPE bateu todos os recordes possíveis em sua última edição, de 19 a 23 de junho, e se firmou como feira globalizada

TEXTO E FOTOS DE MARCELO FURTADO

PARTE I

A megafeira de plástico NPE, de Chicago, nos EUA, a segunda maior do mundo no gênero, precedida apenas pela K, de Düsseldorf, na Alemanha, tornou-se também, na última edição, de 19 a 23 de junho, uma verdadeira torre de Babel, atraindo número recorde de visitantes estrangeiros. Segundo balanço da organização, um em cada cinco registros de visitas era de gente de fora dos Estados Unidos, representando um aumento de 43% em comparação com a NPE de 1997 e de 114% com a de 1994.

A internacionalização ganha peso maior quando se consideram os números gerais da feira. Recebendo 90,1 mil visitantes, contra 82 mil em 1997, o percentual de estrangeiros este ano chegou a 19%, acima dos 15% de 1997. Com os três pavilhões do McCormick Place lotados, cerca de 2.014 expositores, contra 1.726 da feira anterior, puderam dividir a atenção dos visitantes. Isso totalizou 106 mil m2 de área ocupada (94 mil m² em 1997) com estandes de fornecedores de máquinas de transformação, equipamentos auxiliares, moldes, resinas e, novidade este ano, de algumas empresas de e-commerce.


Para o chairman da NPE 2000, Vincent Witherup, a globalização da feira não foi casual, mas resultado do empenho da organizadora Society of the Plastics Industry (SPI). Conforme diz, a entidade reforçou o marketing internacional, com anúncios, e a comunicação global através de facilidades no site da NPE na internet, onde era possível se registrar para o evento ou procurar hotéis on-line. Além disso, a SPI, com a cooperação do departamento de comércio norte-americano, criou um centro de negócios na exposição, equipado com tradutores e assessoria técnica para facilitar o relacionamento entre empresas e visitantes.

Foi unanimidade entre vários expositores que já haviam participado de NPEs anteriores a percepção agora de um número bem maior de asiáticos e latinos. “São regiões cujas indústrias de plástico estão crescendo muito mais rapidamente do que nos países ocidentais desenvolvidos”, afirmou Whiterup. No caso dos asiáticos, aliás, era comum ver na saída da feira ônibus fretados levando grupos de coreanos e chineses, entre outros orientais.

 

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Whiterup: mais asiáticos e latinos

Quanto aos latinos, o destaque fica com os brasileiros. Em estimativa informal do diretor da Solvay do Brasil, Almir Abdalla, presente no estande da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) para divulgar a Brasilplast 2001, provavelmente cerca de mil visitantes patrícios tenham dado o ar da graça em Chicago (ver pág.30). “Ao contrário de outras vezes, notamos a participação até de pequenos transformadores”, observou Abdalla.

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O McCormick Place permaneceu com os corredores lotados

O crescente interesse dos estrangeiros não se deve só ao esforço da SPI. Cada vez mais contrabalançando com a K, a NPE se firma como feira global repleta de novidades. Uma pesquisa prévia com a quase totalidade dos expositores revelou que 58% deles pretendiam fazer lançamentos em Chicago. E isso não apenas da maioria de expositores dos Estados Unidos, mas também dos 25% de empresas estrangeiras e das várias subsidiárias americanas de grupos internacionais. Esse percentual, a propósito, também representa outro recorde, um acréscimo de 71% em comparação com a feira anterior.

Elétricas crescem – Embora com novidades presentes em todos os segmentos, como sempre o destaque ficou com as máquinas de transformação. Apenas nos cinco dias de feira, para demonstração, foram injetadas, sopradas ou extrudadas cerca de 360 toneladas de plásticos. No campo das injetoras, destacavam-se o grande número das totalmente elétricas, cada vez maiores, a profusão de híbridas eletro-hidráulicas e o crescente uso de nova tecnologia assistida a gás. Já em extrusoras, além de avanços em cabeçotes e roscas, a atração ficou por conta da extrusão conjunta com fibras de madeira. Em sopro, a profusão das sopradoras elétricas e dos modelos stretch-blow (estiramento-sopro) para PET foram algumas das novidades.

Para começar por ordem de quantidade e novidades, ou seja, pelas injetoras, chamou a atenção a quantidade de novas máquinas totalmente elétricas, com força de fechamento maiores e modelos mais diversos. na NPE 2000 mais de dez companhias mostraram essas máquinas com fechamento exercido por servomotores elétricos.

A principal vantagem das elétricas é não precisar de bombas que operam sem parar, como as unidades hidráulicas, com gasto de energia muito elevado. Por serem acionados apenas quando o fechamento é realizado, os servomotores economizam de 60% a 80% de energia. Além disso, por não possuírem os sistemas auxiliares hidráulicos, reduzem mais de 25% dos ruídos de operação. Ecologicamente corretas, também dispensam óleos hidráulicos e água para resfriamento, eliminando o risco de vazamentos e preocupação com descarte. Por operarem independentes, os motores também permitem melhor controle do fechamento e uma faixa maior de injeção.

Divulgação
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Ultima UN 1550: maior injetora elétrica do mundo
Seria impossível não começar falando da maior injetora totalmente elétrica do mundo, exposta de forma inédita pela afiliada americana da empresa japonesa Ube Machinery, de Southfield, Michigan. Atraindo a atenção não só dos visitantes como dos funcionários da empresa, que impediam fotos mais detalhadas da máquina, a injetora Ultima UN 1550, de 1.400 t de fechamento (por joelhos), estava moldando uma grande estante de compact-discs (CDs) em polipropileno.

Conforme o diretor de vendas da Ube, Ichiro Motoki, uma grande qualidade da máquina elétrica em operação era a facilidade de injetar peças grandes com relativa baixa tonelagem. “Uma peça única desse tamanho (20 polegadas de comprimento por 10 de largura e 35 de altura) só seria possível ser injetada de uma só vez por uma máquina hidráulica de no mínimo 2.000 t de fechamento”, explicou. Para ele, isso foi possível porque as unidades de injeção e fechamento são acionadas por servomotores AC independentes, o que acelera os ciclos e facilita a moldagem.

A linha de injetoras elétricas Ultima é disponível numa faixa de 31 t a 1.400 t de força de fechamento. As de 31 t até 450 t são produzidas pela associada Niigata, no Japão. No estande da Ube ainda havia a segunda maior elétrica do mundo, de 1.000 t, a Ultima UN 1100, operando com um sistema de revestimento do moldado de um estágio denominado Dieprest. Nela, um robô era usado para inserir no molde de peça automotiva um revestimento de não-tecido para logo em seguida ser preenchido por polipropileno, dispensando uma nova etapa, com outros equipamentos e adesivos para fazer a colagem. O Dieprest se baseia em software que controla o fechamento e em sistema de injeção closed-loop controlado por servoválvula.

Divulgação A terceira maior injetora elétrica do mundo foi apresentada pela pioneira no ramo, a americana Ferromatik Milacron. Da linha Powerline, com força de fechamento de 850 t e concebida para placas extra-largas para acomodar moldes grandes e de multicavidades, a modelo 935 estava injetando uma complexa engrenagem em PP reforçado. Silenciosa, a máquina tem nível de ruído de no máximo 68 decibéis.

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Powerline 935: a terceira maior, com força de 850 t

Com unidade de injeção de duplo-estágio, a máquina possui peso de injeção máximo de 4.250 g e pressão máxima de 30.000 psi. Todas as Powerline possuem controle Xtreem que possibilitam conexão em rede e internet e com todas as facilidades de um computador PC. Além da Powerline 935, a empresa expôs as menores 550 (500 t) e 750 (680 t).

A subsidiária japonesa da Milacron, a Milacron Fanuc, também mostrou sua nova série Roboshot de injetoras elétricas com capacidades incrementadas. Trata-se da série “i”, cujo range de força de fechamento foi aumentado de 21% a 150%, disponibilizando-as agora de 15 t até 300 t. Com placas extra-rígidas, a série permite operar com maior força de fechamento sem precisar recorrer a máquinas maiores. E suas grandes colunas também lhe permitem operar com grandes moldes. 

Divulgação

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Milacron Fanuc expôs nova série Roboshot série I

A série Roboshot possui o sistema AI (artificial intelligence), que controla a pressão de injeção e protege com sensores ultra-sensíveis o molde (durante seu fechamento) e a medição.

Outras duas empresas destacavam elétricas maiores: a Toyo, representada pela americana Maruka, de Rockaway, New Jersey, e a filial local da Toshiba, de Illinois. A primeira expandiu sua série Plastar Si para 270 t, levando um modelo para a feira, e a Toshiba mostrou uma nova linha que agora chega a até 350 t (antes a maior era de 100 t). Para o diretor da Maruka, Thomas McKevitt, a grande vantagem das máquinas é a velocidade. “A série Si consegue com um servomotor com bobina de alta densidade ter velocidade de injeção duas vezes mais rápida do que uma similar hidráulica”, diz.

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