|
PVC
OFERTA ESCASSA DE EDC
ELEVA O CUSTO DA RESINA
E MANTÉM O NÍVEL DE PREÇO
A exemplo das demais resinas, o primeiro semestre deste ano para o mercado de policloreto de vinila (PVC) foi marcado pelas vendas aquecidas no primeiro trimestre, e estagnadas no segundo. As importações caíram 32,45% no período de janeiro a junho deste ano, em relação a 2002, mas mesmo assim as vendas internas despencaram 15,58%. Como resultado, a produção quase empatou nos períodos analisados: 293.300 t em 2003, e 293.498 t em 2002. Só as vendas VIPE e as exportações subiram, 11,13% e 46,84%, nessa ordem, ajudando a reduzir o prejuízo.
|
A mudança no cenário internacional no segundo trimestre do ano refletiu nos preços das resinas, revistos para baixo por conta da relação oferta/demanda: transformação com galpões lotados, e pouco disposta a ir às compras. |
 |
| Guidolin: saída foi reforçar as exportações |
De acordo com o diretor de marketing e desenvolvimento da unidade vinílicos da Braskem Luciano Nitrini Guidolin, o preço spot do PVC na Ásia atingiu patamares da ordem de 720 dólares a tonelada, caindo depois para cerca de 520 dólares. No início de agosto se encontrava na faixa de 580 dólares, por conta de dois fatores: fim dos estoques internacionais e aumento nos custos. Estes últimos foram pressionados porque os intermediários EDC (dicloroetano) e MVC (monocloreto de vinila) estão com a oferta escassa. A partir do craqueamento do EDC se obtém o MVC, monômero necessário à produção do PVC. Segundo o diretor, a dificuldade no suprimento é mundial e afetou os preços das resinas.
Já no mercado brasileiro, a esperada retomada da economia não aconteceu. A transformação ficou com os galpões lotados e o consumo despencou. Lei de oferta e procura, os preços praticados pelos fabricantes brasileiros caíram. Mas não tanto quanto os transformadores esperavam.
Hoje o PVC está cotado no mercado local entre 850 e 900 dólares a tonelada. “No primeiro trimestre do ano os preços do PVC no mercado interno estavam abaixo da resina importada”, pondera Guidolin. Assim como os preços em reais não acompanharam as subidas bruscas do mercado internacional, também não caíram na mesma medida, justifica. Segundo ele, os preços internacionais tendem a subir neste semestre, com o aquecimento da demanda.
Na fase mais aguda do mercado, o consumo estagnado gerou altos estoques na petroquímica. “Nossa saída foi reforçar as exportações”, disse. Em tempos corriqueiros, as exportações mensais representam em torno de 10% da produção da empresa. No primeiro trimestre, a Braskem não exportou quase nada. “Nos ativemos apenas aos contratos regulares, para abastecer o mercado interno.” Já no segundo trimestre, as exportações atingiram quase 20% da produção, o dobro de um período normal.
No cômputo geral, a Braskem produziu 189.338 toneladas de PVC na primeira metade deste ano. No mesmo período, as vendas totais, exportações inclusas, atingiram 190.543 toneladas. Em relação ao mesmo período de 2002, a produção caiu 1%, e as vendas, 7%. Além de toda a conjuntura externa, contribuiu para a baixa o fraco desempenho da construção civil, reduto do PVC.
Hoje, a empresa opera com capacidade instalada da ordem de 475.000 toneladas anuais de PVC, sendo 450.000 do tipo suspensão, produzido nas unidades de Marechal Deodoro-AL e Camaçari-BA, e 25.000 toneladas de emulsão, feita em São Paulo. Mas há projetos de expandir em 15% a capacidade total a partir de 2005, adianta Guidolin.
Aposta nas esquadrias – Além de produtos, com destaque para a resina SP 800, lançada na Brasilplast, para atender em especial o segmento de perfis rígidos, a Braskem está concentrando esforços também no desenvolvimento de mercado das esquadrias de PVC. Para tanto, firmou uma parceria com a Tigre e a Medabil, líderes no segmento. “Hoje apenas 0,5% das esquadrias brasileiras são de PVC, sendo que em alguns países da Europa chega a 40% e nos Estados Unidos até 46%”, compara. Portanto, acredita ele, há muito potencial no País.

Segundo Guidolin, o desenvolvimento das esquadrias está mais acelerado, porque o produto ganhou mais competitividade e atingiu várias faixas de mercado, como hotéis e edifícios comerciais. “A meta é conquistar 10% do mercado em cinco anos, e 15% em dez anos”, ambiciona. O diferencial do produto está no composto e não na resina. “Precisa ter resistência à luz, à intempérie, não deformar, não sofrer alterações na cor.”
Já a resina que mais se destacou neste ano foi a nova variedade de PVC SP 800, primeira produzida pelo processo de polimerização em suspensão na América Latina com peso molecular 61, desenvolvida em especial para o mercado de perfis rígidos. De acordo com o diretor, a resina proporciona ao moldador elevada produtividade, até 15% superior em relação aos produtos disponíveis no mercado, além de conferir melhor acabamento superficial às peças. O excelente balanço entre peso molecular e porosidade das partículas permite também empregá-la na extrusão e calandragem de filmes, laminados rígidos e semi-rígidos, bem como no sopro de frascos e na injeção de conexões, ou até peças técnicas de grande porte.
 |
Os investimentos esperados na área de saneamento não vieram, as instalações prediais declinaram, mas os segmentos de irrigação e agronegócios compensaram os negócios, com bom crescimento, na avaliação de Guidolin. Ele se mostra otimista em relação à segunda metade do ano: “a queda de juros pode refletir na retomada da economia.” |
| Tieghi: juros altos inibiram investimentos |
O diretor comercial da Solvay Indupa Carlos Alberto Tieghi tem uma visão diferente da situação. “Hoje toda a cadeia está em compasso de espera, junho foi muito ruim, a recuperação, se houver, deve vir só no final de 2003”, opina.
Maior mercado para o PVC, a indústria de construção civil parou. “Havia expectativas de liberação de dinheiro por parte do governo para as áreas de infra-estrutura e construção civil, mas esse dinheiro foi investido em pavimentação, estrada”, diz Tieghi. Além disso, os juros altos inibiram investimentos em toda a cadeia produtiva.

“O momento hoje é de impasse, pois a ponta (os consumidores finais) está parada e a terceira geração está no seu limite”, reconhece Tieghi. Em suas contas, a Solvay supre cerca de 38% do mercado brasileiro de PVC. Com capacidade instalada da ordem de 236.000 t/ano, produziu em torno de 93.000 toneladas de janeiro a junho deste ano. Nesse período, o mercado nacional absorveu perto de 260.000 t de resina do tipo suspensão, informa.
A despeito da fase em baixa, a Solvay Indupa aposta no futuro e tem expectativas de aumento na demanda brasileira de PVC nos próximos anos. Tanto é assim que vai investir da ordem de US$ 45 milhões na expansão da capacidade de produção de MVC para 490.000 toneladas anuais, e na de PVC para 478.000 t/ano. O programa prevê operar com essas capacidades até o final de 2005.
|
|