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Polipropileno
Oferta explode em março
enquanto a demanda retrai
O grande marco no mercado de polipropileno neste ano foi a inauguração, no início de março, da nova fábrica de 217 milhões de dólares e 300.000 toneladas ano da Polibrasil. A empreitada conferiu à empresa o posto de liderança na fabricação local da resina e o conforto de operar a maior e mais moderna fábrica de PP da Basell – maior produtor mundial de polipropileno e líder europeu em poliolefinas –, co-proprietária da Polibrasil, junto com o Grupo Suzano.
Com mais de 40% de participação no mercado doméstico e líder latino-americana, a Polibrasil totaliza agora capacidade de 750.000 toneladas anuais de PP – além de 25.000 t/ano de compostos dessa resina –, quantidade equivalente à soma produtiva das fábricas de Camaçari-BA (125.000 t/ano, mais os compostos), Duque de Caxias-RJ (200.000 t/ano) e Mauá-SP, agora com 425.000 t/ano. O diretor superintendente José Ricardo Roriz Coelho faz questão de adicionar à conta as 125.000 t da antiga unidade de Mauá porque, ele garante, não será desativada. Admite, no entanto, que ficará fora de operação. Segundo ele, a estratégia é mantê-la à disposição para reiniciar a produção a qualquer momento que a demanda solicite.
A produção da nova planta não chegou a se beneficiar da alta demanda do primeiro trimestre do ano. Mesmo assim, pegou o final dele. “Foi o melhor primeiro trimestre de toda a história da empresa”, comemora Coelho, sem revelar números. Em contrapartida, as vendas despencaram no segundo trimestre. Na opinião dele, o baixo poder de compra, aliado aos juros altos, deflagrou a redução no consumo dos principais segmentos do mercado: automóveis, eletrodomésticos, embalagens de produtos de maior valor agregado, e outros.
Nessa fase, os estoques na petroquímica ainda permaneciam altos. “Foi o momento o mais crítico de consumo”, disse. A solução foi exportar mais. Mandar mais resina para fora das fronteiras, aliás, é uma das principais pautas da empresa em 2003. “A meta é exportar o dobro do ano passado”, pretende o diretor. Se as previsões se concretizarem, algo em torno de 70.000 toneladas de PP da Polibrasil atravessarão as fronteiras neste ano, com destino, sobretudo, para a América do Sul, Mediterrâneo, Ásia e África. Outra meta da empresa é aumentar sua fatia de mercado para 50%.
Especializada em copolímeros, a nova fábrica iniciou a produção de copolímeros randômicos e de bloco. “As vantagens são a alta produtividade, resistência ao impacto e transparência”, diz Coelho. Com a nova tecnologia, o fabricante espera impulsionar novos mercados. No campo da injeção, por exemplo, o diretor acredita haver grande potencial para baldes, engradados, autopeças, e embalagens para alimentos. As propriedades de elevada transparência e resistência ao impacto ainda abrem possibilidades especiais à resina na área de sopro. Em filmes, favorece em cheio o mercado de BOPP.
Para Coelho, os maiores benefícios da nova tecnologia consistem na transparência e maior produtividade conferida às resinas. “Em alguns casos, eleva de 12% a 15% a produtividade, como no ciclo rápido”, exemplifica. Vale lembrar, ainda, a resistência ao impacto e as propriedades organolépticas dos novos grades de PP.
“Esses produtos são hoje o maior foco, pois conciliam resistência mecânica com transparência, abrindo novos campos de aplicações”, informa Coelho. A nova linha de produção já conta com 27 grades. O universo desses produtos, porém, vai muito além, podendo chegar até 250. “Mas só serão desenvolvidos à medida que o mercado pedir”, deixa claro.
Mais PP – A fim de reconquistar o título de líder do mercado de PP, a Braskem não deixa por menos e anuncia a injeção de US$ 7 milhões na fábrica de Triunfo-RS, para ampliar a capacidade de produção em 100.000 toneladas anuais. À conclusão do processo, prevista para o final do primeiro trimestre de 2004, a empresa somará capacidade de produção anual de 650.000 t de PP. Com a antiga unidade da Polibrasil desativada, equivalente a 125.000 t anuais, a Braskem volta à frente (ver PM 344, junho de 2003, pág. 40).
As exportações compensaram a retração na demanda interna e contribuíram para a empresa fechar as vendas no primeiro semestre com 206.616 toneladas, 7% acima do volume do mesmo período de 2002. A produção também apresentou desempenho 10% superior neste ano, atingindo 210.193 toneladas.
A Braskem lançou vários novos grades de polipropileno neste ano, apresentados ao mercado durante a Brasilplast, em março , com destaque para o RP 47 XP, desenvolvido para atender às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) designadas para a produção de garrafões retornáveis de 20 litros. A resina apresenta resistência ao impacto superior ao material antecessor, boa transparência e resistência à compressão. Suas propriedades também a indicam em outros segmentos de embalagens ou extrusão de chapas.
Outro lançamento consiste no polipropileno H 604 XP, um homopolímero clarificado desenhado para o mercado de sopro de embalagens que requerem elevada transparência, como frascos de produtos de limpeza e água mineral. A resina ainda confere alta resistência ao stress cracking (quebra sob tensão). O novo PP H 604 XP também apresenta resistência ao impacto superior e proporciona maior produtividade ao transformador.
Para o mercado de injeção, a novidade consiste num produto de altíssima rigidez e tenacidade, associadas à boa processabilidade. De acordo com o fabricante, o novo grade designado H 502 HC oferece desempenho similar ao ABS, a custos menores. A resina ainda combina excelente resistência química, propriedades de barreira à umidade e resistência à deformação térmica, indicando-a na produção de sacarias e filmes industriais.
O copolímero heterofásico CP 284 completa a lista de novidades.
Desenhado para o segmento de injeção de baldes industriais e utilidades domésticas, o produto apresenta um balanço diferenciado de propriedades, de acordo com o fabricante: altíssima resistência ao impacto, boa rigidez e fluidez elevada. Como resultado, reduz o ciclo de injeção, elevando a produtividade.
Balanço – O mercado brasileiro de polipropileno conseguiu fechar o período de janeiro a junho com crescimento de 5,13% no consumo aparente. Os transformadores absorveram no período 447.896 t, contra 426.052 t do ano anterior. Vale lembrar a participação das importações, 26,89% acima em relação a igual período em 2002, e que contribuíram para acentuar a queda nas vendas ao mercado doméstico, cravadas em 8,30% no vermelho. Foram 349.211 t internadas, contra 380.839 em igual período anterior. As exportações salvaram a lavoura, com acréscimo de 103,69%. Resta saber se o crescimento na demanda doméstica acompanhará o ritmo da expansão na oferta, ou se o mercado internacional será novamente a principal rota.
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