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Poliestireno
RESINA FECHA O SEMESTRE COM TUDO NO VERMELHO
O poliestireno passou por dois momentos opostos em menos de seis meses. Primeiro, os quatro fabricantes brasileiros (Dow, Basf, Innova e Videolar) produziram a todo vapor para suprir o forte aquecimento nas vendas internas e externas nos dois primeiros meses do ano. A alta demanda nessa fase ainda permitiu aos fabricantes fecharem o primeiro trimestre do ano no azul, com produção 37,65% superior ao igual período de 2002. Mas a queda brusca dos meses seguintes desequilibrou todo o semestre.
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O caminho inverso começou a partir de março, quando a demanda desacelerou a ponto de forçar os fabricantes a baixar as produções aos níveis operacionais mínimos. |
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| Bianchi: o mundo todo ficou menos comprador e
os preços cairam muito |
“Houve um momento em que só a planta de alto impacto da Innova estava produzindo em toda a América do Sul”, testemunha o diretor comercial da Innova Marcelo Calil Bianchi. Todas as outras fábricas da região, inclusive a de PS cristal da Innova, interromperam a produção. Contribuiu para essa anomalia, o alto estoque formado na transformação, em conjunção com a queda nos preços internacionais e locais das resinas. Com os galpões cheios, os transformadores não tiveram dúvida em esperar que os preços caíssem ainda mais. Foi a fase mais crítica para as petroquímicas, obrigadas a operar de modo a adequarem a oferta à demanda.
A situação ficou muito feia mesmo para o poliestireno. O levantamento da Abiquim mostra que a resina fechou tudo no vermelho: produção, -20,06%; consumo aparente, -29,79%; vendas internas, -1,23%; importações, -77,12%; e exportações – que poderiam diminuir o prejuízo –, -31,67%.

“Este ano tem sido marcado por fortes variações mensais nos principais indicadores de desempenho do mercado brasileiro de poliestireno”, avaliou o diretor superintendente da Innova Flávio Augusto Lucena Barbosa. Segundo ele, os preços internacionais se mantiveram em patamares elevados e com tendência de alta nos três primeiros meses do ano. “A partir da reversão de tendência de preços no mercado internacional, os preços locais também caíram significativamente”, disse.
Durante a fase aquecida do mercado, quando as exportações eram mais viáveis, a Innova decidiu reduzi-las com a expectativa de aquecimento na demanda interna, informa Marcelo Bianchi. Aconteceu o inverso e a empresa ficou com os estoques cheios. “O mundo todo ficou menos comprador, os preços caíram muito, e as baixas margens inviabilizavam algumas operações”, diz. Como resultado, as exportações da empresa caíram 50% neste semestre em relação ao mesmo período de 2002, compara.

“As vendas da Innova foram muito compatíveis com a queda real da demanda no mercado interno, da ordem de 20%”, diz Bianchi. Bola pra frente, a meta da empresa é fechar o ano com exportações da ordem de 16% a 18% das vendas totais. O desempenho no mercado interno teve como destaque o segmento de refrigeração, na opinião de Barbosa. Esse nicho de mercado saiu-se muito bem nas exportações neste início de ano, puxando a demanda de PS. Só não foi melhor porque as vendas domésticas despencaram com as altas taxas de juros. Mas os descartáveis ainda lideram em termos de volume de vendas.
Há menos de três anos em atividade, a Innova já conquistou cerca de 30% do mercado. A empresa opera um complexo integrado para produção de estireno e poliestireno no Pólo Petroquímico de Triunfo-RS. Durante a Brasilplast, realizada em março deste ano, a empresa anunciou a duplicação da unidade de estireno, com investimentos da ordem de US$ 150 milhões. Com a expansão, a capacidade sobe para 500 mil toneladas anuais e resolve o problema de abastecimento do mercado nacional, hoje obrigado a importar perto de 150 mil toneladas para suprir suas necessidades. Mas só a partir de meados de 2005. Já a unidade de poliestireno tem capacidade para produzir 70 mil de alto impacto e 50 mil do tipo cristal (designação errada, aliás, para uma resina na verdade amorfa). O local também comporta futuras expansões em caso de necessidade.
Na área de desenvolvimento, Barbosa destaca um novo grade para embalagens de elevadas exigências técnicas, destinadas a produtos lácteos. “Temos desenvolvido variações melhoradas dos grades que compõem nosso portfólio.” Segundo ele, os produtos da Innova se diferenciam pelo baixíssimo teor de monômero residual, característica muito importante em aplicações como descartáveis e embalagens para contato com alimentos; além disso, apresentam alto brilho, permitindo seu uso em aplicações antes reservadas a resinas como ABS.
Um grade desenhado sob medida para a indústria de refrigeração, com resistência à gordura e ao ataque químico dos agentes expansores usados no isolamento térmico de geladeiras começa a ganhar um novo mercado. Graças à resistência à gordura, essa resina mostra grande potencial de uso na fabricação de potes de margarina, informa Bianchi.
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Parada obrigatória – Para o presidente da Videolar Lírio Parisotto a situação foi crítica. A planta de 120 mil toneladas/ano instalada em Manaus-AM já operava no mínimo (60% da capacidade) no início do ano, |
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| Parisotto aproveitou a parada para fazer
ajustes na fábrica |
em razão de restrições impostas à empresa, que só pode vender fora da Zona Franca até 30% do produto fabricado, de acordo com imposição do PPB (processo produtivo básico).
A queda brusca na demanda obrigou Parisotto a paralisar toda a produção de poliestireno a partir de abril. Mas como a fábrica de poliestireno da empresa não é integrada, é menos complicado desligá-la, avalia. “Aproveitamos para fazer alguns ajustes necessários nas caldeiras e em outros dispositivos.”

Ainda assim, o executivo considerou bons os meses de janeiro e fevereiro. O retorno à produção no final de junho mantém ainda o mesmo ritmo do início do ano: operação mínima, ou 6.000 toneladas mensais. “O maior problema do mercado brasileiro é o excesso de capacidade instalada aliado à baixa demanda”, pondera Parisotto.
Em sua opinião, o consumo mensal de poliestireno poderia subir cerca de 30% se os produtores de descartáveis respeitassem as novas normas. “Nos últimos cinco anos, a espessura dos copos foi reduzida à metade e muitos produtores ainda não atendem às normas de espessura mínima”, assevera.
A favor da Videolar conta o fato de não depender exclusivamente da petroquímica, considerada por Lírio, apenas um negócio adicional. Segundo ele, a fabricação de suportes de mídia (CD’s, DVD’s, CDR’s, disquetes e outros) sustenta a empresa. “O mercado de DVD tem salvado a lavoura”, brinca. A empresa detém 70% do mercado de DVD’s e vídeo, com produção média de 1,5 milhão/mês só de DVD’s. Também o segmento de disquetes para computadores manteve o bom desempenho. Sua produção mensal chega a 5 milhões de unidades.
Ao longo de 2003, a produção de PS representará em torno de 20% a 25% do faturamento. “Não é o objetivo primeiro da Videolar se tornar líder de mercado nesse segmento, estamos mais interessados em oferecer produto de primeiríssima linha, e atendimento idem”, diz Parisotto.
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