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PM – Quais foram os setores que mais contribuíram para esse desempenho?
M.C. – A variação é muito pequena de ano para ano. Filmes e bobinas técnicas representam 45%; as embalagens, 20%; tubos e acessórios, 20%; e outros itens, 15%.
PM – Como está sendo a reação da indústria da transformação para investir no projeto Export Plastic, afinal, será preciso por a mão no bolso para viabilizá-lo.
M.C. – Não, não será preciso por a mão no bolso. Temos hoje uma grande ociosidade no parque industrial brasileiro, tanto na transformação como no setor petroquímico. Hoje, a ociosidade deve ultrapassar 25%. Se utilizarmos essa capacidade ociosa, e em alguns casos até mais, sem grandes investimentos para as fábricas já modernizadas, nós estaremos aptos a exportar sem ter que pôr a mão no bolso.
PM – O projeto prevê parcela de contribuição de 12% por parte da Abiplast para financiar o programa.
M.C. – Sim, é a parte que pagaremos para entrar, mas esse investimento é extremamente baixo, representa apenas cerca de R$ 450,00 por mês para cada empresa, possibilitando sua participação em feiras estrangeiras, com estande, recepcionista, tradutor.
PM – Mas o senhor acredita numa boa receptividade do setor, considerando que o Projeto Prumo, do INP, esbarrou justamente na questão do investimento, muito baixo para os benefícios que oferecia, e ainda assim considerado alto pelos transformadores?
M.C. – O projeto Export Plastic traz resultados financeiros imediatos. Na hora que vai exportar seu produto, utilidades domésticas, por exemplo, a empresa já está ganhando, porque quando o produto está dentro do navio, o dinheiro já está no banco.
PM – Mas para exportar é preciso ter qualidade.
M.C. – Claro, sem dúvida alguma. Qualidade é fundamental para exportar. É lógico que precisaremos investir. Há muitas empresas que já se enquadram, mas há outras que terão de se adequar para serem produtores com alto nível de qualidade.
PM – Mas essas empresas com alto nível de qualidade já não exportando?
M.C. – Sim, mas nós vamos ajudá-las a exportar mais. O nosso objetivo é quadruplicar as exportações brasileiras, é chegar num patamar de US$ 1 bilhão de dólares. Hoje nós temos um déficit de trezentos e pouco milhões.
PM – A intenção é atingir essa meta em quanto tempo?
M.C. – É muito difícil falar em tempo em qualquer lugar do mundo, não só no Brasil, porque estamos em função das oscilações e do nervosismo do mercado mundial.
PM – Mas é preciso ter um planejamento, não?
M.C. – Sem dúvida. Mas para isso teremos que buscar no mercado os nossos novos parceiros. De que forma? Participando das principais feiras do mundo, de utilidades domésticas, de construção civil, e outras. É onde poderemos ser vistos, onde os compradores poderão verificar a qualidade dos produtos, dialogar com o empresário, ver a lista de preços, pegar um catálogo na língua deles. Então, precisamos nos preparar. Exportação é também uma cultura, que nós no Brasil ainda não a temos. Poucas empresas hoje se enquadram no conceito do que realmente é exportar.
PM – Quais as metas da Abiplast para recuperar este ano?
M.C. – É a aprovação do nosso projeto dentro da Apex, para que possamos começar a trabalhar com ele ainda neste ano. Porém, não dá para afirmar que já iremos participar de alguma feira neste ano, porque o tempo é curto. Então vamos programar a participação, por exemplo, para janeiro de 2004, na Houseware, em Chicago, que é uma das maiores feiras de utilidades domésticas do mundo, e assim por diante em outras feiras importantes do mundo. Nossos associados vão determinar as feiras onde pretendem participar, na feira que ele precisa, direcionada aos negócios dele.
PM – Como exportar implica modernização, quais são as propostas da Abiplast para viabilizar a modernização do parque industrial transformador?
M.C. – Continua sendo o Fórum da Competitividade da Indústria do Plástico.
PM – Quais foram os resultados efetivos já obtidos no Fórum e quais são os objetivos no curto prazo?
M.C. – Estamos trabalhando nesse Fórum há mais de quatro anos, grandes promessas, grandes perspectivas. Um projeto de 18 bilhões de dólares, fantástico em volume de investimento, modernização de máquinas, moldes novos, ampliações de fábricas.
PM – Mas até agora, nada...
M.C. – Só que esse nada não é culpa da Abiplast. Esse nada está em função do Governo. A Abiplast não pode criar leis ou mecanismos, ou uma sinergia tal que o associado terá financiamento facilitado.
PM – Quais os itens constantes do Fórum que abririam essas portas?
M.C. – Em primeiro lugar são os financiamentos. Sem sombra de dúvida, a questão do financiamento é o principal item para a modernização do parque industrial brasileiro, que abrirá as portas tanto para o mercado interno como para o externo. A empresa não tem como exportar se não for competitiva. O setor precisa comprar máquinas modernas e produtivas para ser competitivo, inclusive no próprio mercado doméstico.
PM – Como o senhor desenharia a transformação hoje: pontos positivos e aspectos a serem melhorados.
M.C. – Positivo: nós temos uma indústria de plástico, hoje, com empresas altamente qualificadas, já prontinhas para serem grandes exportadores. Negativo: temos grande número de empresas que precisam ser totalmente modernizadas.
PM – Qual o porcentual de empresas prontas para exportar?
M.C. – Eu não tenho o percentual, mas o número é pequeno. A grande maioria das indústrias precisa passar por um processo de modernização para se tornar competitiva.
PM – Qual o número atual da transformação?
M.C. – Hoje nós temos no Brasil cerca de 7.500 empresas.
PM – Qual é a projeção de faturamento do setor para este ano?
M.C. – A meta histórica de crescimento era de 10% ao ano, porém, nos últimos dois anos, esse índice não foi atingido. No ano passado ainda tivemos algum crescimento, mas no ano retrasado houve um decréscimo. Se não houver decréscimo em 2003, eu diria que também não haverá crescimento.
PM – A relação com a segunda geração chegou a ser arranhada com a discussão sobre os aumentos nos preços das resinas?
M.C. – A nossa relação com os produtores de resinas sempre foi muito boa, mas, lógico, se houver aumento que crie dificuldades para a transformação, eu estou aqui para defender o meu setor. O nosso relacionamento é muito bom, de alto nível, com todos os produtores. E o nível de qualidade de material por eles fabricados hoje é compatível com o que se fabrica no mundo.
PM – A segunda geração sinalizou que o mercado internacional mostra fortes tendências de recomposição nos preços das resinas. Como a transformação pretende lidar com essa possibilidade?
M.C. – Se existe uma forte sinalização para aumentar os preços, em minha opinião, os fabricantes estarão dando um tiro nos próprios pés. O mercado brasileiro está parado. Estamos vivendo um momento muito difícil na economia brasileira. As empresas estão operando com ociosidade muito grande. Quem determina preço, no mundo, chama-se mercado. Se o mercado é altamente comprador, vale tudo. Mas no momento acontece exatamente o oposto. As empresas estão paradas. Se aumentarem os preços, o que vai acontecer? Continuarão não comprando. É melhor parar hoje do que quebrar amanhã.
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