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COMPORTAMENTO ATÍPICO DO MERCADO PROVOCA QUEDA HISTÓRICA NA DEMANDA

As vendas internas despencaram a ponto de obrigar a indústria a baixar a produção a níveis mínimos operacionais

Maria Aparecida de Sino Reto

Neste primeiro semestre do ano, o mercado brasileiro das principais commodities – PEAD, PEBD, PELBD, PP, PS e PVC – oscilou ao sabor da instabilidade política e econômica mundial. O resultado foi um comportamento totalmente atípico, com as vendas superaquecidas em janeiro e fevereiro, despencando a níveis inimagináveis em abril e maio. O medo de uma guerra prolongada, de faltar matéria-prima no mercado, e de alta nos preços impeliu as indústrias de transformação a estocar resinas. 
Daí que as petroquímicas do mundo inteiro produziram a pleno vapor no início do ano. A mesma regra valeu para o mercado brasileiro. A guerra foi curta e deixou todo o mundo com os galpões cheios, o que levou a demanda a enfraquecer a partir de março.

A indústria mundial de plástico também sentiu nessa época os reflexos da pneumonia asiática, que parou a China. Com quase metade de seu consumo importado, principalmente da Coréia, a China funciona como um termômetro nos preços das resinas no mercado global que, super ofertado, começou a sentir uma tendência reversa nos preços.

No País, o anúncio da Petrobrás de que baixaria os preços da nafta coincidiu com momento no qual a transformação ainda não tinha absorvido toda resina estocada. Resultado: o consumo despencou em abril e maio, para mostrar algum sinal de recuperação apenas em junho. O ganho de janeiro e fevereiro perdeu-se ao longo do semestre e a conseqüência foi a queda de 1,69% no consumo aparente, em comparação a igual período do ano passado.

Guerra de preços – No País, os valores das resinas atingiram o ápice em meados de abril, perto de 1.100 dólares a tonelada, recuando um pouco no final do mesmo mês, quando a Petrobrás anunciou queda de preços na nafta, informou o presidente do Sindicato das Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo (Siresp) José Ricardo Roriz Coelho. Então, a transformação suspendeu as compras, aguardando a redução nos preços.
Coelho: paradas na produção ocorreram no mundo inteiro

 A esperada baixa foi sentida só em maio, quando os valores da nafta encolheram 10%. Mas a transformação, ainda com estoque alto, queria mais. Foi a vez de as petroquímicas ficarem estocadas, sem saídas para escoar os excedentes.

A queda na demanda foi abrupta. Análise do Siresp/Coplast aponta que as vendas ao mercado interno caíram de 222.663 toneladas em março para 150.496 t em abril, e 161.936 t em maio. Para ajustar os estoques às condições do mercado, a maioria dos produtores brasileiros de resinas baixou a produção ao nível operacional mínimo. Algumas unidades chegaram inclusive a interromper as operações. “Mas essas paradas ocorreram no mundo inteiro”, disse Coelho. A situação só começou a se normalizar em meados de junho. Nesse mês, as vendas subiram para 198.990 t.

Representante da indústria de transformação, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico Merheg Cachum reclamou da redução nos preços das resinas, pequena na opinião dele. De acordo com ele, a nafta baixou 10% em abril e 33% em maio, mas os preços das resinas caíram apenas entre 6% e 8% e estabilizaram em junho. “A petroquímica argumenta que o preço do eteno subiu no mercado internacional e estão pagando mais caro por ele, o que é uma incoerência, qual é a vantagem na queda do preço da nafta, afinal?”, questiona. Segundo ele, a indústria de transformação parou. Metade das fábricas de produtos descartáveis interrompeu a produção, as montadoras operam em baixa, e há muitos clientes cancelando pedidos.

Na opinião de Coelho, os preços das resinas encolheram o que era possível. “Os preços dos insumos básicos continuam alto, não acompanharam a queda da nafta”, justificou. Em coletiva à imprensa para tratar do fechamento do semestre, o presidente do Siresp anunciou que o cenário internacional se normalizou, sinalizando, inclusive, recomposição de preços.

E o mercado brasileiro segue o cortejo. Em junho, os moldadores retomaram as compras devagar, favorecendo, também por aqui, a normalização da produção. A petroquímica brasileira também entra em igual ritmo de recomposição dos preços, já a partir de agosto. “O movimento é compatível com os reajustes das matérias-primas da primeira geração petroquímica”, disse Coelho. Os índices devem variar de acordo com a empresa e o produto, informa o Siresp.

Depois de um primeiro semestre com estoques altos e margens reduzidas, os produtores brasileiros de resina acreditam na recuperação do mercado e na possibilidade de acompanhar a média de preços do mercado internacional. “As plantas já voltaram a operar a plena carga e o mercado está apontando muito bom”, disse Coelho. As estimativas otimistas baseiam-se na perspectiva de o governo manter a economia arrumada, a inflação sob controle, o dólar a valores razoáveis, e os juros mais baixos. A expectativa de aprovação por parte do Governo Federal do Export Plastic, programa de incentivo às exportações de manufaturados plásticos (ver PM 338, de dezembro de 2002, pág. 32), também anima o setor.

O balanço – No conjunto, as petroquímicas produziram 6,46% mais resinas commodities (PEs, PP, PS, PVC e EVA) de janeiro a junho de 2003, em comparação ao mesmo período de 2002. Levantamento elaborado pelo Coplast/Abiquim e divulgado pelo Siresp aponta produção de 1.791.334 toneladas, contra 1.682.660 t anteriores. Mas as vendas internas caíram 9,31%. Somaram 1.266.615 t de janeiro a junho deste ano, contra 1.396.697 t do ano passado. Já o consumo aparente, que considera a produção somada às importações, menos as exportações, encolheu 1,69%, totalizando 1.616.428 toneladas de janeiro a junho deste ano.

Com os preços internacionais altos, o dólar oscilante e supervalorizado, as importações baixaram 15,15%. Válvula de escape para os excedentes internos, as exportações cresceram 33,46% sobre o período de janeiro a junho do ano passado. Os picos, no entanto, foram maio e junho (ver gráfico), como forma de desova dos altos estoques formados em abril e maio. As exportações saltaram, então, de 43.648 t (abril) para 80.760 t em maio, e 80.616 t em junho. Para se dar uma idéia de como tais quantidades foram atípicas, em maio e junho de 2002 foram exportadas 37.227 t e 38.932 t, respectivamente. O fluxo foi parecido em 2001: 39.445 t e 44.482 t.

Com capacidade instalada superofertada, o poliestireno foi a resina mais prejudicada. Sofreu baixa em tudo. A produção caiu 20,06% e o consumo aparente despencou 29,79%. Nem as exportações salvaram a lavoura. Encolheram 31,67%. A redução drástica na demanda obrigou os produtores a operarem no mínimo, e, em alguns casos, até suspender toda a produção.

Apesar da pequena participação na produção total de resinas, o EVA sobressaiu pelo desempenho invejável nas exportações, com crescimento de 114,71% no período estudado. Respondeu também pelos maiores aumentos percentuais de consumo aparente e produção – 12,99% e 43,21%, nessa ordem –, graças sobretudo ao aumento das exportações de calçados.

Preparada especialmente pela redação de Plástico Moderno para compor esta edição do Anuário Brasileiro do Plástico 2003, a reportagem engloba o desempenho das principais commodities petroquímicas e pode ser conferida nas próximas páginas. Boa leitura. 

RESINAS TERMOPLÁSTICAS


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