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commodities Neste primeiro semestre do ano, o mercado brasileiro das principais commodities – PEAD, PEBD, PELBD, PP, PS e PVC – oscilou ao sabor da instabilidade política e econômica mundial. O resultado foi um comportamento totalmente atípico, com as vendas superaquecidas em janeiro e fevereiro, despencando a níveis inimagináveis em abril e maio. O medo de uma guerra prolongada, de faltar matéria-prima no mercado, e de alta nos preços impeliu as indústrias de transformação a estocar resinas.
A indústria mundial de plástico também sentiu nessa época os reflexos da pneumonia asiática, que parou a China. Com quase metade de seu consumo importado, principalmente da Coréia, a China funciona como um termômetro nos preços das resinas no mercado global que, super ofertado, começou a sentir uma tendência reversa nos preços.
No País, o anúncio da Petrobrás de que baixaria os preços da nafta coincidiu com momento no qual a transformação ainda não tinha absorvido toda resina estocada. Resultado: o consumo despencou em abril e maio, para mostrar algum sinal de recuperação apenas em junho. O ganho de janeiro e fevereiro perdeu-se ao longo do semestre e a conseqüência foi a queda de 1,69% no consumo aparente, em comparação a igual período do ano passado.
A esperada baixa foi sentida só em maio, quando os valores da nafta encolheram 10%. Mas a transformação, ainda com estoque alto, queria mais. Foi a vez de as petroquímicas ficarem estocadas, sem saídas para escoar os excedentes.
A queda na demanda foi abrupta. Análise do Siresp/Coplast aponta que as vendas ao mercado interno caíram de 222.663 toneladas em março para 150.496 t em abril, e 161.936 t em maio. Para ajustar os estoques às condições do mercado, a maioria dos produtores brasileiros de resinas baixou a produção ao nível operacional mínimo. Algumas unidades chegaram inclusive a interromper as operações. “Mas essas paradas ocorreram no mundo inteiro”, disse Coelho. A situação só começou a se normalizar em meados de junho. Nesse mês, as vendas subiram para 198.990 t.
Representante da indústria de transformação, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico Merheg Cachum reclamou da redução nos preços das resinas, pequena na opinião dele. De acordo com ele, a nafta baixou 10% em abril e 33% em maio, mas os preços das resinas caíram apenas entre 6% e 8% e estabilizaram em junho. “A petroquímica argumenta que o preço do eteno subiu no mercado internacional e estão pagando mais caro por ele, o que é uma incoerência, qual é a vantagem na queda do preço da nafta, afinal?”, questiona. Segundo ele, a indústria de transformação parou. Metade das fábricas de produtos descartáveis interrompeu a produção, as montadoras operam em baixa, e há muitos clientes cancelando pedidos.
E o mercado brasileiro segue o cortejo. Em junho, os moldadores retomaram as compras devagar, favorecendo, também por aqui, a normalização da produção. A petroquímica brasileira também entra em igual ritmo de recomposição dos preços, já a partir de agosto. “O movimento é compatível com os reajustes das matérias-primas da primeira geração petroquímica”, disse Coelho. Os índices devem variar de acordo com a empresa e o produto, informa o Siresp.
Depois de um primeiro semestre com estoques altos e margens reduzidas, os produtores brasileiros de resina acreditam na recuperação do mercado e na possibilidade de acompanhar a média de preços do mercado internacional. “As plantas já voltaram a operar a plena carga e o mercado está apontando muito bom”, disse Coelho. As estimativas otimistas baseiam-se na perspectiva de o governo manter a economia arrumada, a inflação sob controle, o dólar a valores razoáveis, e os juros mais baixos. A expectativa de aprovação por parte do Governo Federal do Export Plastic, programa de incentivo às exportações de manufaturados plásticos (ver PM 338, de dezembro de 2002, pág. 32), também anima o setor. |
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