Plástico

9 de abril de 2012

Retardantes de chama – Eventos esportvivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional

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Publicado por: Renata Pachione
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    O custo dita as regras do mercado de retardantes de chama no país. A ideia de incorporar ao plástico uma substância química capaz de retardar a ignição, diminuir a velocidade de queima e a emissão de fumaça dos materiais figura mais como promessa do que uma realidade na indústria nacional. A proposta só traz benefícios, mas nem por isso tem força suficiente para sobrepujar a barreira financeira. A combinação é explosiva: uma legislação falha e até mesmo inexistente em algumas aplicações, uma demanda inconstante e formulações de caráter especial, ou seja, nada baratas.

    Mas, de alguma forma, e respeitando seu próprio ritmo (ora letárgico, é verdade), o setor evolui. O momento é de transição. Há uma grande disposição da indústria para substituir os aditivos halogenados pelos não halogenados; e, além disso, o consumo deve ser impulsionado pela realização da Copa do Mundo no Brasil e dos Jogos Olímpicos, com investimentos no preparo dos espaços públicos e meios de transporte. Além desse possível aquecimento da demanda, os fabricantes também planejam lançamentos que prometem ganhos tecnológicos significativos à indústria.

    Salto tecnológico – Utilizar uma baixa concentração do aditivo, mantendo sua eficiência e sem interferir no desempenho do polímero, é um dos focos atuais da indústria, até porque os não halogenados, apesar de serem considerados uma tendência, apresentam como barreira técnica o fato de necessitarem de uma alta concentração para atingir o desempenho desejado. A Chemtra e a Itatex Especialidades Minerais investem na nanotecnologia para superar justamente essa deficiência.

    A Itatex se empenha no desenvolvimento de materiais nanoestruturados, como as argilas organofílicas. “Esse é o produto com maior conteúdo técnico que nós já desenvolvemos”, aponta Ricardo Aurélio da Costa, assessor técnico da Itatex. Disponível nas versões Itagel 2007 e Itagel 2009, a linha vem com uma nova concepção: as montmorilonitas intercaladas com diferentes sais de amônio quaternário. É a inserção do sal de amônio quaternário que possibilita a formação de nanopartículas in situ, durante o processamento de polímeros. “As nanopartículas, em baixa concentração, conseguem alterar pouco o peso específico do produto, e ainda melhoram as propriedades mecânicas dos termoplásticos”, explica Costa.

    Plástico, Ricardo Aurélio da Costa, assessor técnico da Itatex, Retardantes de chama - Eventos esportvivos ancoram previsões de aumento das vendas no mercado nacional

    Ricardo Aurélio da Costa: investe em argilas com propriedade antichamas

    A novidade está na propriedade antichama da argila organofílica, afinal, ela foi desenvolvida para agir como um modificador reológico para aplicações no mercado de tintas. Até mesmo por seu ineditismo, nenhuma venda do produto se concretizou para este tipo de função. A expectativa é formar um mercado em três anos. “O uso de baixas concentrações de argilas organofílicas em sinergia com alguns compatibilizantes poliméricos específicos tem sido muito promissor como retardantes de chama atóxicos. Mas ainda não as vendemos como antichama; é uma quebra de paradigma”, comenta Costa.

    A Itatex tem capacidade instalada de 30 t/mês de hidróxido de magnésio, e de 50 t/mês de hidróxido de alumínio. A produção se volta para borrachas à base de EPDM, SBR, NBR e NR; já nos termoplásticos, servem aos compostos poliolefínicos, geralmente aplicados a isolamento e capas de fios e cabos. Os produtos também atendem os termofixos, como poliéster insaturado, epóxi e resina fenólica. Um diferencial da empresa é a fabricação de aditivos revestidos. Segundo Costa, dessa forma, facilita-se a dispersão do produto e há melhorias no seu desempenho. Aliás, os antichamas mais vendidos hoje são os revestidos, segundo o assessor.

    A Chemtra também se esforça para reunir numa única formulação baixa concentração, tecnologia ambientalmente correta e eficiência. A empresa irá apresentar ainda neste semestre dois lançamentos desenvolvidos com a nanotecnologia: são retardantes à base de pentoxo de antimônio e uma argila mineral para o mercado de fios e cabos. Sem anunciar muitos detalhes, prometidos para junho, Selena Ignácio de Mendonça, gerente comercial da Chemtra, revela apenas que os produtos resultam da parceria com duas empresas estrangeiras, uma espanhola e outra norte-americana. A companhia se enveredou para o ramo da nanotecnologia há cerca de seis anos. No início os estudos envolviam apenas o pentóxido de antimônio.

    A Chemtra representa e distribui na América do Sul os produtos da ICL-IP, empresa considerada a maior produtora mundial de bromo elementar. Até por esse motivo consegue abastecer a indústria nacional com uma carta extensa de formulações, entre elas com base em magnésio, polifosfato de amônia e cianurato de melamina. “Desde 2007 passamos a ter um portfólio completo”, aponta Selena.


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