Plástico

20 de abril de 2009

Resinas – Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

Mais artigos por »
Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Sem suspeitar da imensa tempestade que avassalaria a economia do planeta pouco tempo depois, a indústria petroquímica brasileira fez a lição de casa, como dizem os especialistas, e concluiu, no ano passado, o seu processo de consolidação, que conferiu ganhos de escala e maior musculatura competitiva em âmbito global aos fabricantes de resinas termoplásticas. O momento não poderia ter sido melhor. Fortalecida, a cadeia ganhou flexibilidade e fôlego para uma reação rápida perante os reflexos do que supostamente seria uma “marolinha”, mas virou um vagalhão.

    Ainda que favorecido pela desvalorização da moeda brasileira, em dezembro o setor já escoava para o mercado internacional volume acentuado do seu excedente produtivo, gerado pelo forte recuo na demanda doméstica, conseguindo manter o nível de sua capacidade instalada. O patamar de exportação de resinas em setembro era de quase 71 mil toneladas, segundo os dados da Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas (Coplast) da Abiquim. Caiu para cerca de 45 mil t em outubro, subiu para algo em torno de 50 mil t em novembro e deslanchou para 79 mil t em dezembro.

    O processo, necessariamente, contínuo e a larga escala das petroquímicas dificultam o ajuste de produção ante as baixas acentuadas na demanda, como ocorreu com as resinas brasileiras. Despencou mês a mês, após o fatídico setembro. Só deu sinais de recuperação em fevereiro, quando a queda se revelou menos brusca. Na comparação com iguais meses do ano anterior, o consumo recuou 5% em outubro, 19% em novembro, 24% em dezembro e 26% em janeiro, na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp) e também presidente da Quattor, Vítor Mallmann. Em fevereiro, o tombo foi menor: 12%. Ele agora começa a vislumbrar um novo patamar de demanda a partir de março e abril, com um outro nível de atividade econômica, sem a contaminação pela realização de estoques.

    “A crise global e a escassez de crédito provocaram um efeito de forte desestocagem na cadeia do plástico no Brasil e no mundo”, ressalta Luiz de Mendonça, vice-presidente-executivo e responsável pela unidade de polímeros da Braskem.

    As discussões na feira – É um consenso que o tom da feira será dado em torno de como fortalecer todos os elos da cadeia produtiva do plástico. Esse novo patamar de demanda e um novo balizamento de preços, mencionados pelo porta-voz do setor, devem conduzir os debates nos corredores da Brasilplast, uma oportunidade para intensificar a relação entre fornecedores e clientes. O presidente do Siresp acredita que a feira servirá de palco para entabular conversas com a transformação em torno de como superar a crise e criar oportunidades de negócios, e ainda, em como manter toda a cadeia produtiva competitiva e assegurar as exportações dos produtos transformados.

    Plástico Moderno, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    Pensam como Mallmann os principais atores da segunda geração petroquímica, entre eles Mendonça. Na visão do vice-presidente-executivo da Braskem, o tema predominante será o fortalecimento da cadeia brasileira do plástico. Em segundo plano, estará em pauta a competitividade das exportações brasileiras. Além disso, os corredores da Brasilplast também servirão de palco para discussões sobre a sustentabilidade, com foco nos desenvolvimentos “verdes”.

    Plástico Moderno, Rui Chammas, integrante da Coplast e também diretor (do negócio de PE) da Braskem, Resinas - Setor reagiu rápido aos reflexos da crise e já arquiteta saídas para robustecer toda a cadeia

    Chammas: empresários devem sair mais fortalecidos da crise

    Na opinião de Mendonça, assim como a indústria petroquímica buscou a consolidação, a transformação também tem oportunidades em sua reestruturação de operar com maior eficiência e ocupação de suas capacidades. “Pode atender com inovação e serviços os seus clientes no mercado interno, e ser competitiva para aproveitar oportunidades na exportação.”

    Na opinião de Rui Chammas, integrante da Coplast e também diretor (do negócio de PE) da Braskem, os empresários do setor comparecerão a esta Brasilplast com uma visão mais integrada da cadeia, com foco em buscar novidades e diferenciações. “Precisamos sair dessa crise mais fortes do que quando entramos; os empresários devem buscar ações para sair mais fortalecidos”, declara. Ele acredita ser fundamental a discussão entre todos os elos do setor, uma maior proximidade com o transformador, com a Petrobras e com o governo, a fim de tornar a indústria do plástico mais competitiva. “É preciso criar valor, diferenciais que gerem riquezas para a cadeia como um todo.”

    Claro que a crise será o pano de fundo de todas as discussões. “A volatilidade de preços, capital de giro e ações governamentais para aquecer a economia deverão estar em alta durante o evento, que é muito esperado em toda a América Latina”, concordam Jose Manuel Sanchez e Eide Francisco Garcia, o primeiro, gerente da área Product & Marketing para a América Latina da Americas Styrenics, e o segundo, da Product & Marketing de PEAD Slurry/Gas Phase da Dow para a América Latina. A Americas Styrenics é uma joint venture entre a Dow Chemical e a Chevron Phillips, constituída em maio do ano passado. A nova empresa soma a maior produção de poliestireno do hemisfério ocidental.

    Atuante nesse mesmo segmento de mercado, o diretor da divisão de estirênicos para a América do Sul da Basf, Andreas Fleischhauer, participa da feira com expectativas de discussões também mais direcionadas ao seu setor: o impacto da crise nas indústrias, em particular os fabricantes de bens duráveis; as perspectivas para os próximos anos do setor automotivo; além da apresentação de novidades nanotecnológicas pertinentes à área. “Toda crise gera oportunidades de negócio e, afinal, as empresas precisam encontrar opções mais competitivas para sobreviver neste novo ambiente”, avalia.


    Página 1 de 612345...Última »

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *