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6 de abril de 2007

Resinas – Petroquímica – Incorporações redesenham a indústria

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Publicado por: Plastico Moderno
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    * Texto de Marcelo Fairbanks e Fernando Cibelli de Castro (RS)

    Um vento forte entrou pelo Rio Grande do Sul a varrer a petroquímica nacional. A compra dos ativos e operações do Grupo Ipiranga por Petrobrás, Braskem e Grupo Ultra desencadeou uma série de conversações entre os vários interessados na atividade petroquímica brasileira, tendo por objetivo engendrar novo panorama de negócios. No meio desse “furacão”, muitas informações circulam com velocidade, mas ainda sobram especulações enquanto rareiam os fatos.

    De concreto, a aquisição consolida a posição da Braskem como principal player petroquímico do Hemisfério Sul, com o controle de duas das três centrais petroquímicas brasileiras e de seus downstreams. É a pá de cal no fragmentado modelo tripartite (governo, iniciativa privada e sócio estrangeiro), criado na década de 70, e a consagração do modelo integrado, com as vantagens da verticalização. A negociação ainda depende da aprovação de órgãos oficiais, mas não se esperam problemas.

    Plástico Moderno, Resinas - Petroquímica - Incorporações redesenham a indústria

    Grubisich (esq.) Gabrielli (centro) e Wongtschowski celebram acordo

    A alegação mais forte dos compradores, pelo menos na área de resinas termoplásticas, é a existência de concorrentes de porte, como a Rio Polímeros e a Suzano Petroquímica, além das importações de polietilenos argentinos (Dow).

    As especulações têm por alvo os efeitos futuros do domínio baiano e gaúcho da Braskem e o papel a ser desenvolvido pela poderosa Petrobrás no setor, sempre a invocar o fantasma da estatização, que se supunha exorcizado. Desatado o nó baiano e, agora, o gaúcho das participações acionárias cruzadas na primeira e segunda geração, chegou a vez de simplificar o complexo quadro de players na petroquímica paulista, a mais antiga do País. Discute-se qual o perfil ideal para a atividade, mais ou menos concentrado.

    Há três correntes principais em avaliação. A primeira seria elevar ao máximo a integração petroquímica, unindo todos os esforços, em especial nas principais commodities termoplásticas, em uma única companhia, que teria amplo destaque no cenário mundial. Ao que se comenta, essa idéia pode ser vista como natimorta. No passado recente, o governo federal encomendou estudos de consultores empresariais que foram enfaticamente contrários à formação de monopólios privados. Resta saber se um monopólio estatal seria tolerável.

    A segunda hipótese, de ampla aceitação, contempla a formação de um duopólio concorrencial. Nesse caso, Sul e Nordeste já estão consolidados na Braskem, sendo necessário formar a sua antípoda com base nos ativos paulistas e fluminenses, nos quais os principais atores são os grupos Unipar e Suzano, além da onipresente Petrobrás. Seria a “Petroquímica Sudeste”, denominação corrente desse ente hipotético. Aqui a dificuldade maior é a acomodação de todos os interesses envolvidos. A Petroquímica União, central de matérias-primas de Santo André-SP, tem por principal acionista a Unipar, mas o controle é compartilhado com a Dow Química, Petrobrás e Suzano, com posições relevantes em poder da Oxiteno, Unigel e da Sociedade dos Empregados da Petroquímica (SEP). A composição acionária da segunda geração é menos complexa, sem cruzamentos, porém sem integração. Na Rio Polímeros, a situação é mais fácil, bastando colocar na mesma sala Suzano, Unipar e Petrobrás/BNDES, que operam conjuntamente o cracker de etano de gás natural e a produtora de polietilenos.
    Além de definir qual a abrangência dessa Petroquímica Sudeste, ainda há a dificuldade de avaliar todos os ativos, alguns deles depreciados ao longo de três décadas de operação e abaixo da escala mundial. Também é preciso criar um ambiente de confiança mútua e identidade de propósitos, muito difícil de ser alcançado a curto prazo. Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobrás, declarou publicamente que o modelo e os sócios dessa companhia seriam definidos em seis meses (até setembro, portanto), prazo considerado impraticável até mesmo por interessados mais afoitos.

    Nessa hipótese, a atuação da Petrobrás será, com certeza, determinante. A aquisição gaúcha contou com aporte de US$ 1,3 bilhão da estatal, em troca da rede de postos de abastecimento nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte do País, longe de ser o filé mignon da Ipiranga, que ficou com o Grupo Ultra. A estatal ganhou maior participação na Copesul, na qual terá perto de 40% do capital votante. Também terá 40% da produtora de resinas denominada Ipiranga Petroquímica. Os players do Sudeste esperam atitude também benevolente por parte da estatal. Ao mesmo tempo, temem que ela simplesmente opte por intensificar suas relações com a Braskem, da qual já possui 9,81% do capital votante, desinteressando-se dos negócios do Sudeste, que correriam o risco de ficar à míngua, sem adicionais de nafta ou gases de refino para ampliações.

    Essa posição é reforçada pela existência de um projeto de refinaria petroquímica e downstreams, com base nos óleos pesados extraídos na Bacia de Campos, hoje vendidos ao exterior com preço muito abaixo da cotação do Brent. Chamado Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), o projeto tem por sócios Petrobrás, BNDES e Ultra, e um custo total estimado em US$ 8,3 bilhões. Comenta-se no mercado que a estatal teria interesse em colocar o Comperj no âmbito da Petroquímica Sudeste, repartindo o investimento e seus riscos com um número maior de sócios. Ocorre que, para estes, seria mais interessante que a tal refinaria (descrita sumariamente como um mega FCC) ficasse com a Petrobrás, apenas. Os demais sócios assumiriam os investimentos na segunda geração, estimados entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões.


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