Feiras e Eventos

4 de maio de 2007

Resinas especiais – Ingrediente vegetal degrada resina em água, húmus e CO2

Mais artigos por »
Publicado por: Marcio Azevedo
+(reset)-
Compartilhe esta página
    Plástico Moderno, Resinas especiais - Ingrediente vegetal degrada resina em água, húmus e CO2

    Tubete biodegradável plantado junto com a muda não precisa ser removido

    A Basf preparou um estande com ares de choupana ou oca erguida no meio da floresta amazônica para receber seus clientes na Brasilplast. O conceito despertou atenção e pareceu bastante apropriado para remeter o imaginário dos visitantes ao principal lançamento da empresa, o polímero biodegradável Ecobrás, e à sustentabilidade, declamada aos quatro ventos como parte das estratégias de negócios da multinacional alemã.

    O Ecobrás é resultado de uma parceria inédita entre a Basf e a unidade brasileira da Corn Products, fornecedora de ingredientes derivados do milho e de outros cereais e vegetais. O termoplástico é composto pela mistura do Ecoflex, um copoliéster de origem fóssil, biodegradável e produzido em duas fábricas da empresa germânica em solo pátrio, com um polímero vegetal, obtido de milho, que a agroindustrial Corn Products fabrica no País. Conforme as explicações de Letícia da Rocha Mendonça, gerente regional da Basf para estirênicos especiais, a biodegradação do Ecoflex resulta apenas em gás carbônico, água e húmus. Em condições de compostagem, esse processo se completa em algumas semanas.

    Para comprovar a biodegradabilidade e garantir que os produtos da degradação são, de fato, os anunciados pelos produtores de polímeros, há normas na Europa, Japão e Estados Unidos propostas pelos órgãos European Bioplastics, Biodegradable Plastic Society, e Biodegradable Products Institute. Os plásticos aprovados pelos testes desses órgãos, que incluem a análise da quantidade, composição e toxidez do resíduo da degradação, recebem um selo dito verde, que comprova o atendimento às normas.

    Plástico Moderno, Letícia da Rocha Mendonça, gerente regional da Basf, Resinas especiais - Ingrediente vegetal degrada resina em água, húmus e CO2

    Letícia: resina pode ser injetada ou extrudada

    O Ecoflex já conquistou os três selos verdes, mas o Ecobrás, por se tratar de uma mistura, só teve tempo hábil para aprovação pelo Biodegradable Products Institute americano.

    As aprovações segundo as normas européia e japonesa, no entanto, estão em vias de obtenção. Ainda não há normas de garantia da degradabilidade na região da América Latina, mas um grupo de estudos local realiza validações seguindo o preconizado globalmente.  A novidade lançada pela Basf possui características de transformação adequadas à injeção e à extrusão e pode ser processada em fábricas e equipamentos convencionais de PEBD.

    Conforme as informações de Letícia, a aplicação do polímero biodegradável se concentra em filmes, nos mercados do exterior, mas, para o do Brasil, a aplicação potencial destacada foram os tubetes para reflorestamento, em que o material atualmente empregado é o PP.

    Plástico Moderno, José Carlos Belluco, gerente de negócio, Resinas especiais - Ingrediente vegetal degrada resina em água, húmus e CO2

    Belluco: novo PBT atende mercado de paredes finas

    Os tubetes acomodam mudas cultivadas em estufa. Elas precisam ser retiradas das peças plásticas na etapa de plantio, e esse processo de remoção ocasiona muitas perdas. É necessário esterilizar os tubetes antes de seu reúso, mas parte deles pode ser fragilizada pelo calor. O mérito do plástico biodegradável da Basf é permitir que a muda seja plantada junto com o tubete, sem o descarte do último, evitando as etapas de esterilização ou da destinação das peças não-reutilizáveis. Como o material pode ser utilizado na produção de filmes, outra possibilidade de emprego são as embalagens flexíveis, como sacolas.

    Outro destaque no estande com jeitão dos trópicos que a empresa alemã montou foi o PBT Ultradur High Speed, lançado na última edição da K. Esse poliéster termoplástico semicristalino é uma espécie de compósito reforçado com partículas nanométricas, que conferem característica de maior fluidez sem alteração das propriedades mecânicas do polímero – altas rigidez dielétrica, resistência química e estabilidade dimensional, além da reduzida absorção de umidade.

    Mas a grande vantagem do produto é a ampliada facilidade de processamento, que permite economia de 20% a 25% no ciclo de injeção, em relação ao PBT convencional.

    Plástico Moderno, Júlio Henrique Meyer, gerente de vendas, Resinas especiais - Ingrediente vegetal degrada resina em água, húmus e CO2

    Meyer destaca grade de EPS que incorpora grafite

    De acordo com o gerente de negócio José Carlos Belluco, o novo polímero é indicado para a moldagem de peças de paredes finas e moldes de geometria complexa, como conectores utilizados na indústria automobilística. O Ultradur High Speed tem tido bom desempenho de vendas na Europa e está sendo submetido a testes de homologação na América do Sul. Em uma das grandes fabricantes de autopeças instaladas no Brasil, o processo já entrou no estágio final de aprovação.

    Ainda há uma outra vantagem: os transformadores que optarem pela substituição de um sucedâneo convencional pelo novo poliéster podem manter equipamento e processo, precisando apenas ajustar as máquinas para ciclos de produção menores. Outra novidade para o mercado local já avalizada pelo grande sucesso no europeu é o Neopor, um poliestireno expansível com isolamento térmico muito superior ao do Styropor, outro EPS da Basf.

    O polímero apresentado ao público da Brasilplast incorpora partículas de grafite na sua composição. Segundo o gerente de vendas Júlio Henrique Meyer, essas partículas refletem os raios infravermelhos, de modo que o novo EPS absorve menos calor e permite chapas mais finas para o mesmo efeito de isolamento térmico. No Brasil, sem o inverno rigoroso europeu, o principal mercado será o de câmaras frigoríficas. O processo de espumação do Neopor é igual ao do Styropor, e Meyer estima conquistar 40% do volume de EPS consumido na construção civil já em 2008.

    Sabic, do Oriente Médio, leva a GE Plastics

    A General Electric concluiu a venda da GE Plastics, divulgada há alguns meses. O anúncio de que a Saudi Basic Industries Corporation (Sabic) fechou acordo para adquirir a empresa por US$ 11,6 bilhões pôs fim à disputa travada nos últimos meses entre quatro grandes conglomerados interessados nos negócios. A transação está sujeita à aprovação regulatória, com conclusão prevista para o terceiro trimestre deste ano.

    Agora o mercado já sabe quem fica com o tradicional Noryl, o Xenoy, blendas e outros polímeros de engenharia e de alto desempenho da renomada empresa, que decidiu redirecionar seus negócios. “É questão de estratégia. A GE pretende concentrar-se em áreas de tecnologia de ponta, como biotecnologia, tratamento de água e outras, e reduzir negócios de risco, voláteis, como o plástico”, justificou o diretor de marketing América Latina, Edson Simielli.

    Segundo informações da GE, a Sabic é a maior empresa pública no Oriente Médio e uma das dez maiores de manufatura petroquímica. Sediada em Riyadh, Arábia Saudita, a nova proprietária da GE Plastics foi fundada em 1976 e possui duas grandes fábricas na Arábia Saudita (em Al-Jubail e em Yanbu), somando 19 complexos de escala mundial, alguns dos quais joint ventures internacionais (ExxonMobil, Shell e Mitsubishi Chemilcals).

    O anúncio volta o foco para o Oriente Médio e a tendência de a região tornar-se um centro produtor de resinas (assim como a mão-de-obra barata e a produção de escala beneficiam a China como centro produtivo de transformados plásticos). Em recentes negociações, a Sabic adquiriu a divisão petroquímica da DSM na Europa e as operações petroquímicas da Huntsman no Reino Unido. A receita bruta da empresa atingiu US$ 23 bilhões no ano passado, a maior desde a sua fundação.

     

    Leia a reportagem principal:



    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *