Plástico

20 de abril de 2009

Resinas – Distribuição – Bens de consumo salvaguardam o mercado varejista de resinas, que prevê ano de bons negócios

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Publicado por: Simone Ferro
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    Com 90% das vendas voltadas para as indústrias de bens de consumo, o setor brasileiro de distribuição de resinas plásticas pretende crescer entre 5% e 6% em 2009. “Temos razões para acreditar que a demanda nesse nicho de mercado vai continuar importante. Se essa perspectiva se confirmar, a distribuição poderá crescer e ter um ano bom, se comparada aos demais setores”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast), Wilson Donizetti Cataldi, reeleito para o biênio 2009/2010. A Brasilplast, de 4 a 8 de maio, em São Paulo, pode ser uma forte aliada para impulsionar os negócios e ajudar a distribuição a conquistar suas metas.

    O varejo nacional movimentou aproximadamente 600 mil toneladas em 2008, algo em torno de 12% do consumo aparente. A participação dos distribuidores oficiais alcança 78% desse total, ou seja, 470 mil t, enquanto as revendas e importadores fornecem as 130 mil t restantes. Esses números, estimados pela Adirplast, traçam o perfil de um segmento em pleno processo de consolidação e crescimento, a exemplo do setor que representa.

    O foco nos micro e pequenos transformadores, que compram entre duas e três toneladas por pedido e atuam, em sua maioria, na produção de bens de consumo, coloca a distribuição numa posição um pouco mais confortável perante a crise econômica mundial e os fornecedores da indústria de bens duráveis, a mais afetada. “Além disso, o perfil do transformador atendido pela distribuição é totalmente voltado para o mercado interno, onde houve menor retração quando comparado ao externo”, afirma o diretor da Fortymil, Ricardo G. Mason.

    Plástico Moderno, Wilson Donizetti Cataldi, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas (Adirplast), Resinas - Distribuição - Bens de consumo salvaguardam o mercado varejista de resinas, que prevê ano de bons negócios

    Cataldi: a distribuição criou uma identidade nacional

    Dessa opinião compartilha o gerente da unidade de negócios da quantiQ, Fabiano Bianchi. “Os principais segmentos de mercado da distribuição são bastante vinculados a bens de consumo não-duráveis, que tiveram menor queda. Considerando-se a atual conjuntura de crise, o setor da distribuição de resinas plásticas está numa situação melhor que outros mercados industriais.”

    Nos Estados Unidos e Europa, os distribuidores movimentam entre 15% e 20% do consumo aparente de resinas plásticas. “O índice nacional já foi mais baixo que os atuais 12%. Na minha percepção, as petroquímicas devem focar seu trabalho nos médios e grandes clientes, deixando que a rede de distribuição, hoje mais profissional e estruturada, atenda os micro e pequenos transformadores. Esse é o desejável. Mas ainda não acontece no Brasil”, lamenta Cataldi.

    A Adirplast possui 17 associados, todos distribuidores oficiais da petroquímica, que juntos faturaram 2,5 bilhões de reais no ano passado. Em 2007, o faturamento bruto foi de 2,1 bilhões de reais, com aproximadamente 460 mil t negociadas. “O volume de vendas de 2008 ficou bem próximo do ano anterior. Porém, a alta dos preços impulsionou a receita.” De acordo com Cataldi, o mercado é disputado ainda por outras 20 ou 30 revendas e traders. “Desse universo fazem parte empresas que trabalham na obscuridade, com atuação muito distinta da distribuição, buscando oportunidades isoladas e resultados no curto prazo.”

    Elos fortalecidos – Fundada em 2006, a Adirplast ajudou a construir a identidade da distribuição nacional. Criou um banco de dados estatísticos e ganhou maior representatividade nos últimos dois anos. Cataldi entende que um setor se forma quando existem informações sobre ele e quando se discute e se melhora 90% dos assuntos que são comuns aos representantes dessa classe. A associação tem trabalhado muito nesse sentido.

    Os associados participam de palestras regulares sobre questões diversas, desde o uso da Nota Fiscal Eletrônica, que entrou em vigor no dia 1° de abril, às tendências de preço do mercado internacional e política fiscal. “Desde o início sabíamos que seria necessário criar uma boa base de dados, transmitir cultura e informação aos distribuidores e garantir ao transformador um serviço cada vez mais linear e confiável. A associação avançou bastante nessa direção”, comemora o seu presidente.

    Entre as metas para os próximos dois anos consta a aproximação com os transformadores por intermédio de suas entidades de classe. “Vamos orientar as ações da distribuição para atender às necessidades e expectativas do moldador. Isso cria identidade para o negócio e todo mundo ganha.”

    Cataldi ressalta ainda o reconhecimento que a Adirplast recebeu por parte da segunda geração petroquímica, e a importância da consolidação daquele setor para o fortalecimento de toda a cadeia. “A indústria petroquímica brasileira está alinhada às tendências mundiais. A consolidação ocorreu de forma coerente, e hoje o país tem dois players, a Quattor e a Braskem, com musculatura para enfrentar a concorrência internacional.”

    Para o dirigente da Adirplast, a distribuição deve seguir o mesmo rumo. Dessa opinião compartilha o gerente-comercial de polímeros da Unipar, Jaime Utrera. “O relacionamento entre as petroquímicas e seus distribuidores tende a evoluir à medida que as definições e objetivos ficarem totalmente transparentes”, afirma.

    Utrera acredita, no entanto, que a consolidação da distribuição ainda demandará um tempo. “De um lado, temos os parceiros oficiais e do outro, os revendedores e importadores. Com este cenário, deveremos demorar algum tempo para efetivar a consolidação”, lamenta.

    Marcelo e Marcos Prando, diretores da Replas, já observam a redução no número de distribuidores. “Em torno de cinco para cada petroquímica. E, no futuro, o mercado poderá ser ainda menor”, diz Marcos.


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