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6 de abril de 2007

Resinas – A feira promete muitas inovações tecnológicas, em meio a debates sobre a reorganização da indústria petroquímica

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    A ala das resinas promete fervilhar nesta edição da Brasilplast. Primeiro, pelas vitrines recheadas de novidades, desenvolvimentos recém-saídos dos reatores e tecnologia de ponta. Depois, pela discussão dos caminhos que a segunda geração petroquímica brasileira planeja seguir no curto e longo prazos. Ainda não muito bem digerido pelo setor, o anúncio da compra da Ipiranga pela Braskem, Petrobrás e Grupo Ultra, em março, será a tônica das conversas e justificativa para acelerar o processo de outras alianças, com propostas para conferir ao mercado equilíbrio e concorrência saudável.
    A reorganização do setor petroquímico traz na pauta de discussões a possível união de participações acionárias na Região Sudeste, envolvendo Petroquímica União (PqU), Suzano e Unipar. Outra possibilidade inclui nessa aglutinação o Comperj, complexo integrado do Rio de Janeiro, e aportes da Petrobrás. Porém, há muitas suposições e poucos fatos.

    Esses assuntos devem acalorar os debates nos corredores e estandes da Brasilplast, opina José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas e co-presidente da Suzano Petroquímica. “Deve-se discutir muito na feira, pois o fato de ter concentração bloqueia a concorrência, que impulsiona a inovação e o desenvolvimento de novos mercados, incita a busca de menores custos e preços competitivos e gera uma corrida das empresas para melhor atendimento aos clientes. Além disso, a cadeia vai até a terceira geração, composta por oito mil empresas que precisam ter opções para escolher seus fornecedores”, declarou.

    A propósito, a Brasilplast promete opções de sobra em resinas derivadas de novas tecnologias e com propriedades que incentivam competitividade e melhor qualidade na transformação. Nesse aspecto, as conversas devem girar em torno da nanotecnologia, biotecnologia, metalocenos e plásticos biodegradáveis, entre outras.

    Os novos produtos tendem a valorizar propriedades como alta transparência, resistência ao impacto e deflexão, características muito apreciadas pela indústria automobilística, uma das maiores demandas da indústria do plástico. “O visitante da feira está ávido por novidades e a feira é uma excelente oportunidade para as empresas mostrarem inovações aos seus clientes e os benefícios que eles terão com os novos produtos”, ressaltou Roriz.

    Sob o ponto de vista dele, o mercado brasileiro amadureceu e hoje conta com empresas de transformação capazes de competir em qualquer lugar do mundo, dispõe de um parque de fabricação de máquinas tecnologicamente bastante avançado, e capacidade de produção de resinas que abrange ampla variedade de tipos.
    Todos os elos da cadeia, porém, precisam olhar para uma nova realidade internacional que começa a se desenhar, comentada pelo presidente do Siresp no início deste ano (ver PM 387, janeiro de 2007, página 8) e ressaltada como um dos temas relevantes a serem discutidos nos corredores do Anhembi.

    Favorecido pelo baixo custo da matéria-prima, o Oriente Médio desponta como forte candidato a concentrar a produção global de resinas, enquanto a alta escala de produção e o baixo custo da mão-de-obra e dos tributos beneficiam a China como centro produtivo de transformados plásticos.

    “Esta feira será uma excelente oportunidade para se discutir e avaliar como poderemos estar mais competitivos perante o novo cenário que coloca Oriente Médio e Ásia com produtos extremamente competitivos nos principais mercados do mundo. A Brasilplast será um bom momento para avaliação e busca de alternativas a fim de que a cadeia do plástico no Brasil continue avançando”, comenta Roriz.

    Salto significativo 
    – Quando a Brasilplast ganhava seus primeiros contornos, em 1986 (a primeira edição da feira ocorreu no fim de junho de 1987), o consumo brasileiro de resinas termoplásticas mal se aproximava de 1,5 milhão de toneladas anuais. Mesmo assim, já àquela época se desenhava um quadro de gargalo na relação oferta/demanda, com capacidade instalada de produção da ordem de 1,6 milhão de t, precipitando diversos investimentos em ampliações.

    Plástico Moderno, Resinas - A feira promete muitas inovações tecnológicas, em meio a debates sobre a reorganização da indústria petroquímica

    Dez anos depois, em 1996, o consumo nacional tinha praticamente dobrado de tamanho, atingindo 2,7 milhões de toneladas. Outros dez anos e mais um pulo extraordinário: a despeito das turbulências domésticas e das influências do mercado externo, o consumo aparente brasileiro das principais commodities atingiu, em 2006, a marca dos 4,1 milhões de toneladas.

    A julgar pelas projeções divulgadas em pesquisa da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o crescimento promete manter ritmo acentuado nos próximos anos. Tendo como base um PIB conservador, estimado em 3,1% ao ano, as previsões são bem otimistas. Indicam que o consumo aparente de resinas termoplásticas no País deve superar as 10 milhões de toneladas em 2015.

    Para que esses números se concretizem, porém, é preciso antes estimular o consumo interno e aumentar o volume brasileiro de plástico per capita, mantido em patamares próximos a 22 kg desde 2000. “Sem resultados bons, não há condições de investir”, lamenta o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, Merheg Cachum.

    Os investimentos injetados na segunda geração petroquímica ao longo dos últimos anos reverteram em uma posição confortável para o parque transformador brasileiro ir às compras, tanto em relação à oferta de resinas em volume como em tecnologia. Em quantidade, a indústria doméstica comporta capacidade produtiva de quase 6 milhões de toneladas anuais de resinas, segundo dados do Siresp, o que posiciona o País como o maior fabricante de resinas da América do Sul.


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