Plástico

10 de novembro de 2011

Registros de quatro décadas historiam expansão da indústria do plástico e os avanços conquistados em todos os elos da cadeia

Mais artigos por »
Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Plástico Moderno, Registros de quatro DÉCADAS historiam expansão da indústria do PLÁSTICO e os avanços conquistados em todos os elos da cadeiaNa edição de maio de 1967, na revista Química & Derivados, na época uma publicação da Editora Abril, o então presidente do Sindicato da Indústria do Material Plástico do Estado de São Paulo e diretor presidente da fabricante de brinquedos Trol, Dilson Funaro, calculava o consumo per capita nacional de plástico na casa dos 1,3 kg por habitante. Funaro, que em 1986 se tornaria célebre em todo o país por ser um dos pais do Plano Cruzado, rumoroso pacote econômico proclamado pelo presidente Sarney, mostrava-se otimista em relação ao futuro. Apostava que o consumo per capita do brasileiro poderia chegar a 2,5 kg por ano em 1970. Apesar de quase dobrar o consumo da época, o avanço estimado representava números tímidos. Na Argentina, por exemplo, calculava-se que em 1970 o consumo chegaria a 4 kg por habitante por ano.

    Na mesma edição da Química & Derivados o potencial da indústria do plástico era exaltado por Fuad Buchain, diretor presidente de um importante transformador da época, a fabricante de utensílios domésticos Goyana. “Surpreendente e expressivo foi – e ainda é – o surto de desenvolvimento imprimido à indústria de plásticos no último decênio, graças à introdução, no mercado internacional, de uma vasta gama de novas matérias-primas com qualidades e as mais variadas características, possibilitando a criação de manufaturados de alta e excelente qualidade.”

    O entusiasmo com o potencial de negócios da indústria do plástico chamou a atenção dos dirigentes da Editora Abril. A decisão de lançar publicação especializada se transformou em realidade quatro anos depois. Em 1971, chegou ao mercado aPlásticos & Borracha. A revista surgiu no ano divisa entre o presente e o futuro, no momento histórico em que a indústria petroquímica brasileira passaria a fornecer os insumos necessários para o país desenvolver sua indústria de plástico. Em 1972, estava prevista a entrada em funcionamento da Petroquímica União, a primeira petroquímica de porte do país.

    No editorial do número 1, uma promessa. O veículo nascia para ser uma ponte entre fabricantes de matérias-primas, transformadores e fornecedores de equipamentos, no intercâmbio de interesses comuns. Não só para a divulgação de problemas e suas soluções, mas também para ajudar o setor a assimilar novidades tecnológicas e métodos modernos de organização e marketing aplicados. “Vamos acompanhar o seu sucesso e crescer com ele”, garantia o texto.

    Um pouco de história – A definição é da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim): “Os plásticos são materiais sintéticos produzidos com matérias-primas básicas chamadas de monômeros. Elas são formadas pela união de grandes cadeias moleculares, os polímeros. Do grego, poli, que significa muitos, e mero, partes. Existem polímeros naturais e sintéticos. Os sintéticos são produzidos industrialmente e dão origem aos plásticos. Os polímeros naturais são encontrados em plantas e animais. A madeira, o algodão e o látex são alguns deles.”

    Alguns fatos foram marcantes para o desenvolvimento da indústria do plástico. Os primeiros passos foram dados no século XIX. Em 1838, o francês Victor Regnault polimerizou o cloreto de vinila (PVC). No ano seguinte, o norte-americano Charles Goodyear descobriu a vulcanização da borracha natural. Em 1862, o químico inglês Alexander Parkes criou um material orgânico derivado da celulose. Foi o primeiro que podia ser moldado quando aquecido e permanecer com o formato desejado depois de resfriado. O material foi chamado de parkesina, em homenagem ao seu autor. Não tinha viabilidade comercial.

    Em 1870, o norte-americano John Wesley Hyat registrou a celuloide, feita por meio da combinação de nitrato de celulose e cânfora. Com a descoberta, Hyat venceu um concurso voltado para desenvolver materiais que pudessem ser transformados em bolas de bilhar. Antes, as bolas eram feitas com o marfim extraído dos dentes de elefantes e isso causava constrangimento aos defensores do animal.

    No século seguinte, a indústria ganhou impulso. Em 1907, o norte-americano Leo Hendrik Baekeland sintetiza resinas de fenol-formaldeído, que ficariam conhecidas como baquelite. O material é considerado o primeiro plástico totalmente sintético produzido em escala comercial. Durante as décadas de 20 e 30 os países avançados investiram em uma série de pesquisas úteis para o desenvolvimento futuro das resinas termoplásticas.

    Estados Unidos e Alemanha estudavam a criação de um substituto para as borrachas naturais, cuja demanda crescia de forma impressionante. Em 1928, os Estados Unidos começaram a produzir o PVC, em pequena escala industrial. Em 1939, foi implantada a primeira fábrica de PEBD na Inglaterra. A segunda guerra mundial incentivou estudos para a descoberta de novos materiais. Durante a guerra, a Alemanha chegou à fórmula da borracha sintética.

    Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento feitos nas décadas anteriores resultaram na popularização da tecnologia dos polímeros a partir dos anos 50. Surgem as matérias-primas polipropileno, poliuretano, polietileno linear, poliacetal e policarbonato. Objetos de plástico começam a ser comercializados. Em 1960 são criados os plásticos de engenharia, materiais de alto desempenho.


    Página 1 de 3123

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *