Economia

17 de janeiro de 2008

Região Sul – Consumo de resina em SC pode crescer o dobro da média do mercado nacional

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Plástico Moderno, Região Sul - Consumo de resina em SC pode crescer o dobro da média do mercado nacional

    Albano Schmidt, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado de Santa Catarina

    A terceira geração petroquímica dos três estados do Sul irá crescer com resultados interessantes em 2008. Juntas, processam aproximadamente 1,8 milhão de toneladas. Santa Catarina continuará a percorrer este caminho como o trem de alta velocidade. Se repetir o desempenho dos últimos anos, deverá exibir algo em torno de 14% em incremento no consumo de resinas, em relação ao ano passado, o dobro da média do setor em âmbito nacional. Detentor da segunda maior indústria de terceira geração petroquímica do país, na contagem por estado, SC processa 900 mil toneladas/ano de resinas em média. Aproximadamente 50% do volume transformado se origina de empresas voltadas ao fornecimento de produtos consumidos na construção civil, onde se contabilizam duas empresas com inserção no mercado global, a Tigre e a Amanco, além da Tecnoperfil, atualmente em franco desenvolvimento, todas com sede na região de Joinville, norte catarinense. Na Grande Florianópolis, no sul e no oeste predominam a extrusão de embalagens e descartáveis. Segundo o analista setorial Otávio Carvalho, da consultoria Maxiquim, especializada na coleta de dados e projeção do cenário petroquímico e de plásticos, a expansão agressiva da terceira geração petroquímica em Santa Catarina tira proveito justamente da recuperação da construção civil iniciada em 2006. Por conta desse desempenho, o menor estado em área do sul do país se consolida como líder regional nos processos de transformação de resinas e na contagem per capita (consumo de resina por habitante) como líder nacional disparado ao exibir índices europeus em matéria de consumo de plásticos.

    Em uma palestra realizada em dezembro, para filiados do Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Santa Catarina, técnicos da Maxiquim detalharam o cenário para 2008. Em primeiro lugar, os transformadores brasileiros terão de se preparar para uma situação de oferta mais concentrada nos próximos anos e estar atentos para problemas de oferta de energia e de resinas, pelo menos num curto prazo. Mas, de maneira geral, o ambiente de negócios no Brasil é positivo no médio prazo. No relatório da Maxiquim, a competitividade das empresas está pautada em vantagens tributária e incentivos, usuais no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Políticas agressivas estão em curso em Alagoas, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais, como forma de atrair investimentos. Em 2007, crescimento importante foi verificado em diversos segmentos, tais como a construção civil, embalagens e componentes técnicos. Internamente, o aumento do poder de compra das classes populares e a melhor oferta de crédito a juros menores também poderão influenciar positivamente. Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado de Santa Catarina, Albano Schmidt, o segmento exibe características de pioneirismo combinadas com a vocação empreendedora de sua população. Por conta dessas duas variáveis, produz um crescimento sensivelmente maior em relação às demais regiões.

    Plástico Moderno, Região Sul - Consumo de resina em SC pode crescer o dobro da média do mercado nacional

    Dirceu Galléas, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado do Paraná (Simpep)

    “O setor de plásticos tem inegavelmente se mostrado como um segmento de elevados níveis de potencialidade para o progresso. Comparando-o com o de outros materiais é, sem dúvida, um dos que apresenta maior volume de novas aplicações, tendendo a substituir componentes para baratear custos e melhorar o desempenho, bem como a qualidade”, analisa Schmidt. Em sua opinião, a tendência vem emergindo a passos substanciais, e faz vislumbrar um horizonte promissor. Com isso, os integrantes da cadeia precisam se manter atualizados em todos os processos no campo tecnológico pleno. Do Paraná, vem a queixa. Dirceu Galléas, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado do Paraná (Simpep), até acredita em crescimento, porém com ressalvas. Conforme o líder setorial, 2008 é um ano para se acreditar em resultados positivos. Contudo, Galléas, destila toda sua inconformidade com o aumento de impostos determinado pelo governo no começo do ano, como medida compensatória à extinção da CPMF no Senado. “A política desalinhada da cadeia produtiva, influenciada pelas ingerências governamentais incoerentes, tem servido como obstáculo para que o setor ingresse com maior velocidade no mercado global e ofereça condições de igualdade no campo competitivo internacional”, dispara o presidente do Simpep. Galléas aponta um ambiente de grande preocupação por parte dos transformadores do Paraná diante da carga tributária imposta ao segmento, centralização de fornecimento em dois grupos e monopólio da Petrobras.

    O presidente do Simpep reclama ainda do surgimento de um oligopólio setorial de resinas, também com o descolamento de preços no mercado interno em comparação ao externo. “O Brasil tem o maior custo de polietileno do mundo, fragilizando nosso setor, que oferta mais produtos que a demanda, proporcionando guerra de preços e busca de alternativas nem sempre legais para sobrevivência; outro ponto negativo do setor é a guerra fiscal entre estados, em um setor já prejudicado, onde o lucro está chegando a um limite muito perigoso”, questiona. Galléas prevê que empresas menores poderão encontrar dificuldades para enfrentar a nova realidade da petroquímica nacional. Sem citar nomes, o presidente do Simpep aponta o fechamento de algumas empresas em 2007 e acredita que outras poderão ter o mesmo destino em 2008. “É importante lembrar que setor fraco é setor pobre, portanto, de guarda aberta para ataques externos”, dispara.


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