Tecnologia Ambiental

23 de março de 2010

Refrigeração – Setor se empenha na busca de fluidos mais amigos do ambiente

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Publicado por: Plastico Moderno
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    Depois de erradicar a produção dos clorofluorcarbonos (CFCs), o desafio das indústrias do setor tem sido o de oferecer substitutos eficientes e competitivos para os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs). Menos agressivos à camada de ozônio, os HCFCs surgiram como opção aos CFCs, mas estão com os seus dias, ou melhor, anos contados.

    As restrições atingem diretamente os importadores de substâncias HCFCs, que trabalham com cotas desde 2009, e também os usuários de fluidos refrigerantes, entre eles os fabricantes de chillers, destinados a resfriar água e demais fluidos empregados na moldagem de resinas plásticas.

    Atinge também os fabricantes de componentes para essas máquinas. Em média, os resfriadores têm dez anos de vida útil, e podem demandar a troca do gás refrigerante durante esse período. Por isso, os equipamentos precisam de sistemas que permitam e até simplifiquem a substituição dos fluidos, quando necessário. Além da eficiência, o custo e a disponibilidade dos componentes no mercado nacional também pesam na decisão das indústrias do setor no momento de definir o refrigerante a ser adotado, e talvez representem um dos principais gargalos.

    Afinal, os fluidos devem atender às características de operação dos compressores. A compatibilidade evita perdas de eficiência e o consumo excessivo de energia elétrica, duas questões tão relevantes para o debate ambiental quanto a eliminação dos clorados.

    O diretor-industrial da Refrisat, Carlos Pereira, exemplifica bem essa situação. Segundo ele, a empresa está capacitada a atualizar a totalidade da sua linha de produtos, mas, por limitações de disponibilidade de componentes entre os fornecedores mundiais, ainda não é possível a fabricação rápida de alguns modelos ou com a mesma agilidade dos modelos atuais. Muitas vezes essa é uma linha de corte, fazendo com que alguns clientes optem por equipamentos abastecidos por HCFCs, em razão da facilidade de estoque e manutenção de peças.

    O R-22 ainda é o HCFC mais empregado pela indústria nacional de chillers. Seu índice de degradação da camada de ozônio é vinte vezes menor que o do CFC R-12, mas possui alto poder de aquecimento global. A contribuição dos gases refrigerantes para o efeito estufa se tornou outro parâmetro importante na avaliação do desempenho dos fluidos e equipamentos, e um dos temas debatidos entre cientistas, especialistas do setor e ambientalistas. “O R-22, principal alternativa na substituição dos CFCs, por apresentar boas propriedades técnicas foi amplamente utilizado”, afirma o gerente de negócios da DuPont Fluorquímicos para a América Latina, Maurício Xavier
    Na avaliação de Xavier, aos poucos o mercado está tomando consciência da necessidade de substituir o R-22 por outros fluidos “ambientalmente aceitáveis”, segundo definiu. Nessa categoria estão enquadrados os hidrocarbonetos, CO2, assim como os halogenados compostos por hidrofluorcarbonos (HFCs).

    A procura por substitutos eficientes aos refrigerantes clorados ganhou força com a assinatura do Protocolo de Montreal, em 1987. Desde então, surgiram novas promessas intituladas ecológicas, como os HFCs já citados. O R-134a faz parte dessa categoria, que substitui o R-12 em geladeiras; e o R-404a, alternativa para o R-502, mais utilizado em freezers.

    Plástico Moderno, Ricardo Prado, Vice-presidente da Piovan, Refrigeração - Setor se empenha na busca de fluidos mais amigos do ambiente

    Para Prado, tempo de vida dos HCFCs depende das indústrias de componentes

    Na indústria de chillers, destacam-se algumas opções como o R-407c, R-410 e o R-134a. “Basicamente, todo o mercado utiliza R-22 porque ainda há dificuldades de disponibilidade imediata de componentes importados específicos para R-407c ou R-410. Além disso, preço e desempenho também pesam na decisão”, explica o vice-presidente para a América Latina da Piovan, Ricardo Prado.

    Na avaliação de Prado, a exemplo do que ocorreu na extinção do R-12, o tempo de vida dos HCFCs, em especial o R-22, depende muito das indústrias de componentes. “Se uma quantidade expressiva de fabricantes oferecer componentes para o R-410 haverá maior interesse neste fluido, ocasionando redução dos seus preços e aumento dos custos do R-22.” A Piovan utiliza o R-407c e R-22 nos equipamentos de produção local, e o R-407c, R-410 e R-134 nos importados.

    O R-407c é uma mistura de três fluidos refrigerantes à base de HFC. “Foi desenvolvido para a substituição do R-22, em equipamentos novos de média e alta temperatura de expansão. Também pode ser uma opção para retrofit”, diz Xavier. Outra opção para a substituição do HCFC e retrofit em resfriadores com condensação a água e expansão direta é o R-422D.

    Entre as vantagens, Xavier cita menor temperatura de descarga, possibilitando o aumento da vida útil do compressor; não oferece potencial de degradação da camada de ozônio e permite a utilização contínua do equipamento existente. “Além disso, não são tóxicos nem inflamáveis.”
    Segundo Xavier, um fator relevante na seleção do produto ideal é a facilidade de substituição proporcionada pelo mesmo.

    Plástico Moderno, Refrigeração - Setor se empenha na busca de fluidos mais amigos do ambiente

    Segundo ele, alguns substitutos exigem a modificação do projeto dos equipamentos ou mesmo a utilização de uma nova tecnologia, ao passo que outros fluidos, como os halogenados, permitem uma substituição mais simples com base na tecnologia existente. “Alguns produtos desta categoria permitem que seja realizado retrofit com praticamente nenhuma modificação do sistema original.”

    Além do protocolo – Algumas batalhas importantes já foram vencidas no período pós-protocolo. O banimento dos CFCs é a principal delas. Mas ainda resta o trabalho de manejo do passivo dessas substâncias, que inclui recolhimento, reciclagem e regeneração.


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