Plástico

21 de dezembro de 2011

Reciclagem – Velhos problemas atormentam o setor, que luta para sobreviver

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Plástico, Reciclagem - Velhos problemas atormentam o setor, que luta para sobreviver

    O conceito de sustentabilidade ecoa em todo o país, porém, ainda reflete pouco nos negócios dos recicladores de plástico. Mesmo vigente desde agosto do ano passado, a Política Nacional de Resíduos Sólidos também pouco ou em nada melhorou o dia a dia dessas empresas, que encaram uma via-crúcis para obter matéria-prima de boa qualidade, por conta do gargalo de sempre: a velha falta de coleta seletiva no país. A PNRS embute mudanças significativas, mas indústria e governo tateiam os caminhos para integrar toda a cadeia.

    Plástico, Carlos Henrique Cardoso, Diretor da Neuplast, Reciclagem - Velhos problemas atormentam o setor, que luta para sobreviver

    Ritmo lento obrigou Cardoso a reduzir jornadas de trabalho

    Outros entraves igualmente antigos, como questões tributárias e de regulamentação da atividade, tornam nada fáceis os negócios desses empreendedores, que precisaram neste ano de fôlego extra para enfrentar o desaquecimento econômico, reverberado das crises europeia e americana.

    Para Carlos Henrique Cardoso, diretor da Neuplast, empresa do ramo à beira de carregar sua bagagem na atividade há trinta anos, 2011 foi crítico a ponto de obrigá-lo a adotar medidas drásticas, como reduzir jornadas de trabalho e recorrer a instituições financeiras. “Foi um ano irregular, em relação a anos anteriores; não tivemos crescimento e nosso faturamento diminuiu, conseguimos saldar nossos compromissos com grande esforço”, lamenta Cardoso, esperançoso, porém, de um 2012 melhor, com maior demanda para o material plástico reciclado.

    Melhor sorte teve a Fortymil, outra empresa tradicional do ramo. Mesmo com todas as dificuldades do setor, deve fechar o ano com sua meta de crescimento atingida, algo em torno de 20% sobre 2010. Para chegar a esse resultado e também avançar ainda mais nos próximos anos, o seu diretor Ricardo Mason aportou R$ 6 milhões, entre o ano passado e este. “Os investimentos tiveram como objetivo tornar a empresa cada vez mais eficiente, competitiva e preparada para atender à crescente demanda por resinas recicladas”, justificou. Razões pelas quais ele prevê manter o ritmo de alta nos negócios no próximo ano.

    Não se trata de uma tarefa fácil, admite, ressaltando a falta de profissionalismo de algumas empresas do ramo, que imprimem imagens negativas em toda a cadeia. Otimista, porém, enxerga como lado positivo da situação adversa a valorização de empresas como a sua, que trabalham de forma séria e organizada.

    Plástico, Reciclagem - Velhos problemas atormentam o setor, que luta para sobreviver

    Sucata de boa qualidade força uma via-crucis

    A queda no preço das resinas novas e, por tabela, a menor atratividade para o plástico reciclado foram as pedras mais pesadas para o diretor da Plásticos Vima, Rodrigo Maciel, retirar do seu caminho. “Os preços das resinas recicladas não sofrem os reajustes necessários para manter a margem de lucro”, queixa-se.

    Como já esperava um ano difícil, ele procedeu com cortes nos custos de produção com investimentos em maquinários e processos, destinados a elevar a relação funcionário/produção. A empresa também atua no segmento da transformação, produzindo sacos para lixo e embalagens industriais, e é exatamente essa área que o diretor planeja expandir no próximo ano.

    Além da dificuldade em captar matéria-prima, o diretor da Recyclean, Maike dos Santos, ressalta as dificuldades impostas pela falta de incentivos fiscais ao setor. Mesmo diante das intempéries, sua empresa registrou um desempenho estável neste ano e as expectativas dele para 2012 são boas, com metas de crescimento entre 5% e 10%.

    Bem aquém do possível – Com capacidade atual para produzir da ordem de 1.400 toneladas mensais, a Neuplast comercializou, ao longo deste ano, em média 800 t/mês. Sem perder a esportiva e a esperança, Cardoso se diz preparado para uma elevação na demanda, com sua fábrica pronta para expansão até 2 mil toneladas mensais.

    As operações da empresa abrangem todo o processo, desde triagem e limpeza de sucata plástica até sua transformação em grãos. Para tanto, Cardoso conta com pessoas treinadas para separar e classificar os resíduos, destinados depois para moagem e lavagem. Moinhos, silos, aglutinadores e extrusoras equipam a fábrica, instalada em uma área de 18 mil m². Recicladora de polipropileno e polietileno, a Neuplast tem na sucata pós-consumo o carro-chefe de seu negócio. O plástico dessa origem chega a equivaler até 70% da sua produção. Reprocessadas, essas resinas seguem para a fabricação de peças como pallets, cadeiras, mesas e ainda frascos para diversos usos.


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