Plástico

21 de março de 2009

Reciclagem – Termofixos investem na reciclagem

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Publicado por: Maria Aparecida de Sino Reto
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    Diferentemente das peças moldadas com resinas termoplásticas, que sob temperaturas elevadas voltam a se fundir e podem ser moldadas em novos artefatos, as feitas com termofixos se encontram em um estado irreversível, ou seja, não se fundem, por conta de sua estrutura molecular interligada, de ligações cruzadas. O que existe hoje em termos de reciclagem para esses materiais compósitos é sua moagem e incorporação do moído na fabricação de outras peças termofixas. Consciente de que a sobrevivência das empresas – e até do setor – está ligada à evolução tecnológica e a cuidados ambientais, o presidente da Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco), Gilmar Lima, empreende um projeto ambicioso de desenvolvimento de uma tecnologia capaz de reconduzir o termofixo reciclado ao próprio processo produtivo. “As empresas que não se adequarem sairão do mercado”, acredita. A ideia dele é chegar a uma logística reversa.

    Plástico Moderno, Gilmar Lima, presidente da Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco), Reciclagem - Termofixos investem na reciclagem

    Lima: estudo envolve todo tipo de resíduos dos vários processos

    Com esse intento, a associação lançou, no final do ano passado, o primeiro programa nacional de reciclagem de compósitos, especificamente os termofixos. Nele, serão injetados R$ 2 milhões, investimento compartilhado, inicialmente, entre 15 empresas do setor. Lima planeja arrebanhar pelo menos mais cinco consorciados. O projeto envolve ainda parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), responsável pelo estudo científico da partícula, de análise e caracterização do resíduo, com o apoio da equipe técnica da Abmaco.

    Na primeira etapa do projeto, o consórcio definiu que o melhor sistema é a moagem. O alvo das pesquisas é esse material moído, que possui catalisadores e monômeros de estireno residuais. “Não é inerte e, empregado como carga, pode catalisar antes”, explica Lima. A pesquisa visa a descobrir em que nível essas partículas estão ativas. Ele ressalta que o foco da reciclagem de termofixos não é a redução de custos, mas sim promover o crescimento sustentável do segmento de compósitos e dos grandes usuários desses produtos. Um mercado referência é o automotivo, demandante de volume significativo do material.

    O projeto aguarda os recursos do BNDES para adquirir os equipamentos necessários à pesquisa dos resíduos. De acordo com o presidente da Abmaco, o programa envolve a coleta e o estudo de todos os tipos de resíduos resultantes dos diferentes processos e também das resinas utilizadas pelo setor, e, ainda, o desenvolvimento de uma formulação de aditivos que neutralizem o reciclado e possibilitem sua entrada novamente no processo produtivo como carga capaz de melhorar as características do produto final. Além de reforçar os próprios materiais termofixos, a ideia é empregar essas cargas também na composição de termoplásticos.

    O projeto rapidamente começou a ganhar contornos no final de 2007. O prazo estimado para a obtenção de resultados é até junho ou julho de 2010, período compreendido por 14 meses e definido pelo próprio IPT. “O objetivo da Abmaco é levar a tecnologia para o mercado. O consórcio definirá como será efetuado o licenciamento”, declara Lima.

    O caminho traçado por ele para o setor envolve três movimentos: reduzir perdas de processo, desenvolver o projeto tecnológico e transferir essa tecnologia para o mercado brasileiro. Com relação ao primeiro, ele lembra que mais da metade do segmento ainda emprega processos manuais, geradores de perda da ordem de 16% a 18%. Ele planeja incentivar a migração dessas empresas para os processos de moldes fechados, nos quais as perdas não ultrapassam 5%. O mercado brasileiro de compósitos destina anualmente para aterros sanitários 13 mil toneladas desses resíduos, entre rebarbas e peças com defeito, a um custo aproximado de R$ 90 milhões.

     

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