Notícias

12 de dezembro de 2014

Reciclagem: Separação nem sempre faz bem

Mais artigos por »
Publicado por: Antonio Carlos Santomauro
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Geralmente com base em anidrido maleico, os aditivos conhecidos como compatibilizantes têm se mostrado bastante eficazes em sua tarefa de permitir a reciclagem de materiais compostos com diferentes polímeros, afirma André Kenki, responsável pela área de P&D da WiseWaste, empresa criada há cerca de três anos com foco nas soluções de aproveitamento e valorização de resíduos. “Embalagens são hoje desenvolvidas de acordo com necessidades específicas e muitas vezes exigem a combinação de diferentes plásticos”, ressalta Kenji.

    A própria WiseWaste já atuou em processos de reciclagem de material composto por vários plásticos, caso dos stand-up pouches de PET com poliamida e PE, transformados em tampas de embalagens e peças de mobiliário urbano. Atuou também em projetos de reciclagem de BOPP, plástico comum em embalagem de salgadinhos e de outros produtos alimentícios, nas quais é combinado com alumínio, o qual a empresa usou na produção de pallets.

    Nessa reciclagem de BOPP e de stand-up pouches não houve a separação dos diferentes materiais. “Nas embalagens de BOPP há basicamente uma aspersão de alumínio, sequer detectada por balanças, apenas por densidade óptica. Não se justifica essa separação entre o plástico e o alumínio, e não conheço, nem no Brasil nem em outros países, quem a faça”, ele diz. “O mesmo vale para os plásticos dos stand-up pouches: é possível individualizá-los, mas os custos não seriam compensados, melhor reciclá-los juntos”.

    Sem a separação, não é possível obter no plástico reciclado características iguais às do original. Por exemplo, BOPP reciclado novamente em um filme BOPP. Mas há, observa o profissional da WiseWaste, muitos outros usos possíveis. “O produto final de uma reciclagem de BOPP é uma resina de PP, na maioria das vezes utilizada para produtos injetados, como para-choques de automóveis, utensílios domésticos e pallets”, detalha.

    E atualmente, destaca Kenji, quem pretende desenvolver – e apresentar para grandes empresas –, projetos de utilização de material proveniente de reciclagem precisa garantir ser ele proveniente de uma rota sustentável, na qual não haja, entre outras coisas, utilização de trabalho infantil ou escravo. “Há muita informalidade na cadeia da reciclagem, e essa garantia de sustentabilidade é uma das primeiras exigências que os clientes fazem”, destaca Kenji.



    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *